Laissez passer

Quando fui a Roma, lá pelo penúltimo ou último dia da viagem, eu simplesmente não queria mais atravessar a rua. Precisava ir ao banco, que ficava do outro lado da rua, e simplesmente me recusei – meu irmão precisou subir até o hotel (que ficava do mesmo lado da calçada, a propósito) para resolver a situação, porque eu realmente não aguentava mais aquele estresse. O “problema” era que, acostumada ao trânsito do Rio de Janeiro, eu achava os motoristas de Roma uns selvagens – muitas ruas não têm sinal de trânsito, apenas uma faixa de pedestres, e basta colocar o pé na dita cuja que os carros reduzem a velocidade, ou desviam, mas não param. A pessoa vai atravessando, portanto, no meio dos carros, de uma forma que para mim parecia arriscadíssima, mas que de fato funciona, e muito mais organizadamente do que me pareceu então.

Depois, vi o mesmo sistema funcionando ainda melhor em Londres e em várias outras cidades do mundo, inclusive Brasília, e em Praga paguei o mico de, ao consultar o mapa plantada estrategicamente ao lado de uma faixa de pedestres, provocar uma pequena confusão no trânsito, pois os motoristas paravam para me deixar passar… e eu continuava parada!

Ver que em outras cidades os pedestres têm prioridade absoluta me faz ver em cores fortíssimas o quanto somos motoristas mal-educados aqui no Rio. E me incluo completamente nesse grupo – volta e meio levo uma bronquinha do namorado por causa disso -, mas tenho feito um esforço danado para me condicionar a parar nas faixas de pedestre e cruzamentos, principalmente quando não há sinal. Não é fácil. Além de não estar nem um pouco acostumada, sou super distraída e às vezes nem percebo que há pessoas na calçada esperando para atravessar. Mas na maioria das vezes é mesmo uma questão de hábito: já me peguei buzinando de leve para “avisar” que estava passando, em vez de reduzir a velocidade e deixar a pessoa passar. Muito feio.

As pessoas deveriam ter prioridade, sempre. Nesse trânsito louco, é um recado que precisa ser dado.

-Monix-

Durma-se com um barulho desses

Tenho observado uma fúria um pouco mais exaltada que o normal de meus amigos em relação à Veja e à grande imprensa de maneira geral. Não gosto do estilo da revista, e não a leio há décadas, mas como jornalista é impossível não enxergar o exagero das críticas, que vêm se intensificando a cada semana, a cada mês.

Por se tratar de uma revista semanal, a Veja se dá ao direito de publicar textos que considera analíticos, incorporando aos fatos uma visão muito própria, que teria por objetivo acrescentar ao leitor o “ponto de vista da revista”, que obviamente vem a ser o ponto de vista de seus editores, já que a “revista” não é uma entidade com vida própria. O caso é que depois de 10 anos de governos de esquerda (ou centro-esquerda, ou progressistas, enfim, chamem como queiram), esse tal ponto de vista precisa ser cada vez mais ideológico para poder marcar a oposição da revista ao governo. Só que o liberalismo não costuma acreditar em ideologias. E esta oposição acaba sendo marcada por um pragmatismo que eu chamaria de beligerante. Isso vem se traduzindo em textos cada vez mais raivosos e menos argumentativos; pelo menos é o que parece pelo pouco que leio de vez em quando.

Ontem fomos brindados com o obituário de Oscar Niemeyer, arquiteto polêmico tanto por sua obra quanto por suas posições ideológicas, mas que inegavelmente foi um brasileiro excepcional e deixou um legado importantíssimo ao país e ao mundo – ao relembrar a vida desta figura, o destaque da notícia é para o fato de o morto ter sido stalinista, como bem previu o Serbon minutos antes. O texto chega a ser de uma infantilidade raivosa em alguns trechos.

Dinossauro – A tenacidade com que Niemeyer  se aferrou aos seus cânones arquitetônicos só é comparável ao seu apego a uma ideologia inimiga dos homens. O arquiteto se tornou um dinossauro da esquerda, e morreu fiel ao comunismo e admirador de Josef Stálin, um dos maiores genocidas da história, que considerava “um estadista fantástico”.

Site da Revista Veja

 

Me parece que a agressividade da revista pode ser uma explicação para a intolerância de seus não-leitores para com ela. É um dos veículos de comunicação mais importante do país, sem dúvida, mas escolheu um caminho estranho, que não me parece ser bom no longo prazo: ofender a parcela da sociedade que não concorda 100% com seu ponto de vista editorial. Isso se reflete claramente nos blogues de colunistas, onde não apenas é praxe deletar comentários (coisa que qualquer bê-a-bá da blogosfera mostra que é totalmente inadequado, a não ser em casos de ofensas graves), como também os próprios colunistas batem boca com seus críticos, inclusive os que não têm educação ou razão, contrariando a regra de ouro de Millôr Fernandes: “não se amplia a voz dos imbecis”.

Reinaldo Azevedo se deu ao trabalho de escrever um post rebatendo as críticas que recebeu por ter falado mal do comunista Niemeyer. Refere-se aos comentários de leitores como “zurros” e os destaca, rebatendo um a um com uma agressividade que beira o inacreditável – aliás, só não é inacreditável porque não é primeira vez que o colunista faz isso.

Ontem Ricardo Setti publicou um pedido de desculpas por ter postado uma montagem grosseira de uma foto de Lula ao lado de uma suposta namorada. (No meu tempo, aprendi que bom jornalismo se faz assim: quando não temos provas, ou antes de condenação judicial, todo mundo é “acusado” ou “suposto”, mas parece que essa prática caiu em desuso.) Enfim, Setti pediu desculpas e os simpatizantes de Lula – que, convenhamos, são muitos – caíram de pau. O que fez o colunista/blogueiro? Partiu para o contra-ataque, numa roda-viva que me lembra as discussões que tinha com minha irmã, aos 10 anos de idade, tipo “mãe, foi ela que começou… não, mas ela falou primeiro…” Olha, constrangedor define. Parece que retiraram do ar todos os comentários, e infelizmente não cheguei a copiar a tela para mostrar uma imagem a vocês. Quem leu ontem pode confirmar que não estou exagerando.

A grande imprensa tem poder sobre o discurso que prevalece na comunicação de massa. Não faz sentido o poderoso entrar em disputas territoriais mesquinhas com o pequeno, o insignificante. Não entendo, não mesmo, essa linha que a Veja escolheu. Nesse ponto, acho mais graça no site do Globo Online, onde os maiores absurdos são postados e ficam lá para qualquer um ler. Se o jornal optou por disponibilizar espaço para os leitores comentarem, que os deixe comentar.

Ou então, mes amis, se não sabem brincar, recolham as panelinhas.

-Monix-

 

 

Os anos incríveis

mother&daugther

(Do emeraldsapphireandgold)

Há dez anos ganhei o melhor presente que a vida poderia me dar; há dez anos nascia uma mãe. E, como diz a canção, hoje eu sinto que cresci bastante.

Obrigada, filha, por tudo. E parabéns por ser quem é;  só desejo pra você o melhor – nem mais nem menos.

Helê

Tipo assim

library

“Isso é uma bilbioteca, querido – tipo uma versão antiga da  web”

(Do Bookporn via yuksekokce)

Helê

Bom finde!

xis

Helê

%d bloggers like this: