Machucado

machucado

(via H e A r t / Mended heart)

Da série “Corações”

Helê

Frágil

tumblr_m6u25z1fXw1rpu7fvo1_1280

Simply elegant James Archer  (Source: anatomyblue.com, via sinister-seventeen)

Da “Série Corações”

“Vida, pisa devagar meu coração, cuidado, é frágil;
Meu coração é como vidro, como um beijo de novela”

Coração Selvagem, Belchior

Helê

Nun & fun

nuns

(Repinado de Photography por Nicole Morrison)
nunsmoking
(Repinado de Smiles & Laughter Spreading por Deborah McCroskey)

nunbike

(by Lida Chaulet; Repinado de fotos por Beth Salgueiro)

skatenun
(Repinado de Life~Beginnings~Endings~All the Love in Between… por * Touched by Time)

Boa semana!

Helê

Voltar a correr

lioness

(Do Curves in colors)

Sim, mes amis, eu voltei a correr, como já sabem aqueles que me encontram na pracinha do feicibuqui. Tem sido um grande prazer, impulsionado pelo desejo de emagrecer e com inúmeros bônus no percurso. E o auxílio luxuoso do meu treinador, Marcello Morone.

**

De algum modo, em algum registro que não sei precisar qual eu sabia ou sentia que voltaria, como um caminho que pode ser interrompido mas não abandonado. Ainda que, em retrospecto, eu tenha ficado  mais tempo afastada do que correndo, sempre achei que voltaria, eventually. E ficava com o olho comprido quando um corredor passava por mim.

jealous

Agora não mais

(Do painel Motivação)

Minhas experiências anteriores deixaram  sensações  indeléveis e únicas. Nada me deu prazer semelhante a correr 8km, à noite, e tomar um banho de mar depois; nunca me senti tão viva e eufórica como depois de correr da Barra ao Leblon. Também há singularidade e valor em pequenos ganhos, como a primeira volta na Lagoa, ou ir cada dia mais longe, gradativamente. De grandiosas e cotidianas conquistas se faz a trajetória dos que correm.

**

Para voltar a correr retomei o hábito de acordar (bem) cedo. Eu sou do dia – embora, claro, sucumba com frequência aos prazeres noturnos. Mas na real mesmo,  curto acordar com as manhãs. Do contrário sinto que perdi algo ou cheguei atrasada. Sair à rua de manhãzinha, ainda com poucos carros e pessoas, o clima invariavelmente mais fresco,  assistir ao desabrochar do dia, tudo isso me revigora e  reforça a impressão de que aquele momento é só meu.

**

Treino na rua, invariavelmente, o que fornece outro bônus: descobrir caminhos, relevos, casas, bairros, passagens. Em quase quatro meses, praticamente não repeti uma rota. Treino também a liberdade: de mudar de direção, escolher ir para onde o nariz aponta, de voltar atrás, entrar numa rua porque tem sombra e flores, ou em outra porque tem o Sumaré ao fundo. Experimento vias sem saber exatamente onde vou chegar,  mas confiando – em mim, no meu senso de direção e nas montanhas da Tijuca, que orientam e enchem os olhos. Ir onde nunca fomos, mesmo que seja uma transversal do seu bairro, traz uma satisfação pessoal saborosa e alimenta nossa capacidade de desembrulhar o novo quando ele se apresenta.

runfun**

Pela manhã há luzes que só se pode surpreender nesse horário, e também cheiros. Para o bem e para o mal, meu olfato parece ter maior potência durante a corrida, o que é péssimo ao cruzar com lixo ou gente que exagera no perfume. Mas me fez perceber uma diversidade surpreendente de plantas na região em que vivo. E que delícia virar uma esquina e encher os pulmões de aromas florais inesperados, ou encontrar uma floração que não estava ali ontem e, durante a noite, resolveu dar o ar da graça, colorindo uma rua comum num dia qualquer.

**

E há, claro, aquele objetivo primeiro, o “voltar a caber”. Já consegui resgatar algumas peças da categoria ‘Gordo Esperança’, outras tantas ainda aguardam. O interessante é que, no processo, a importância do peso muda de lugar, perde a centralidade. Claro que importa, mas deixa de ser uma questão de “se” pra ser uma questão de “quando”, porque eu tenho me concentrado mais no “como”.  Emagrecer acontece como consequência de cuidar melhor de si e reparar com mais atenção nessa máquina sofisticada que é o nosso corpo, essa casa móvel, instrumento capaz de tanto, e tão frequentemente subutilizado. Sabe aquele papo de que usamos só 10% do cérebro? Pois eu tenho a impressão que, sem correr, usava apenas uma reduzida porcentagem do meu corpo. Junto com os cheiros, luzes e caminhos, descubro também limites, sinais e respostas corporais com os quais eu havia perdido a conexão. Parafraseando o nome do spa, para mim voltar a correr significa tomar posse do meu corpo.  Já não era sem tempo.

images_image

Primeira corrida oficial depois da Retomada, cruzando a linha de chegada com a Dedeia ao lado. \o/\o/

Helê

Um pedido:

Dias melhores, Verão!

sun

(Repinado do E a fins…)

Helê

Malandro sou eu

Dia desses cheguei em casa e, ao tentar  ligar o computador, encontrei  um buraco onde deveria haver o botão de ligar, que estava dentro do gabinete. Bufei, pooota da vida, busquei culpados, imaginei um finde sem computador, morrer na grana do técnico, etcetcetc….

No dia seguinte,  armei-me de coragem, paciência e uma chave philips, abri a máquina e vi que era bem mais simples do que eu pensava. Bastou encaixar novamente o botão e pronto.  Além da economia financeira e de tempo, saboreei minha independência e habilidade de resolver a parada sozinha.

Até que, dias depois, o botão entrou novamente. Putz. Imaginei desconectar a fiarada de novo, abrir o gabinete… suspiro & preguiça. Então enfiei o dedo no buraco e consegui ligar o botão lá dentro.  Aí sim, eu me senti muito, muito esperta.

**

Eis a diferença entre  know-how (usado na primeira vez) e savoir fare  (usado na segunda).

Baideuei,  até hoje tô ligando o computador assim.

Helê

Bons costumes

Uma lei que só pode ser chamada de bizarra foi aprovada na semana passada aqui no Rio de Janeiro: a deputada estadual Myrian Rios (aquela que foi consorte do Rei Roberto no século passado) criou legislação específica para garantir o resgate dos valores éticos e familiares ou coisa que o valha (como diria Holden Caufield). 

A ideia é obviamente ridícula, pois não dá para garantir que a moral e os bons costumes serão preservados por lei ou incentivo governamental. A sociedade muda conforme dá na telha de seus cidadãos, e pouco se pode fazer a respeito. Mas vai daí que o povo nas redes sociais começou a atacar a deputada por conta do reacionarismo da lei que ela criou. No sábado, apareceram no meu Facebook fotos da ex-atriz na capa de revistas masculinas, com o suposto objetivo de denunciar sua hipocrisia, falso moralismo etc.

Gente, se tem uma coisa que aprendi depois de muitos barracos cibernéticos foi o seguinte: vamos combater ideias, e não pessoas.

A Myrian Rios sabe muito bem de seu passado, e provavelmente, à luz do que pensa hoje, deve se envergonhar dele. A discussão é sobre o que ela pensa e faz hoje, e não X anos atrás. Além de ser um argumento machista*, abre campo pra ela alegar que se arrependeu e renegar as fotos, permanecendo no campo do moralismo, para onde a própria crítica a trouxe.

Acho que a discussão perdeu o foco aí. Não que essa lei vá “pegar” ou gerar qualquer efeito mais palpável – coisa de que duvido muito -, mas seria uma boa oportunidade para questionar o que há por trás desse discurso de “promover os valores familiares”. Nada contra as famílias, nem contra os valores, muito pelo contrário. Só que para muitos de nós já ficou claro o que isso quer dizer: abafar qualquer possibilidade de debate legal que amplie os direitos dos homossexuais, das mulheres etc. E discutir esses temas não pode passar por ataques a uma mulher e a seu direito de posar para a revista que quiser – e inclusive o direito de se arrepender depois.

-Monix-

* A cultura do slut shaming nos condiciona a julgar e condenar mulheres que exibem seu corpo e/ou sua sexualidade, (des)qualificando-as como vagabundas, vadias, etc.

%d bloggers like this: