Malandro sou eu

Dia desses cheguei em casa e, ao tentar  ligar o computador, encontrei  um buraco onde deveria haver o botão de ligar, que estava dentro do gabinete. Bufei, pooota da vida, busquei culpados, imaginei um finde sem computador, morrer na grana do técnico, etcetcetc….

No dia seguinte,  armei-me de coragem, paciência e uma chave philips, abri a máquina e vi que era bem mais simples do que eu pensava. Bastou encaixar novamente o botão e pronto.  Além da economia financeira e de tempo, saboreei minha independência e habilidade de resolver a parada sozinha.

Até que, dias depois, o botão entrou novamente. Putz. Imaginei desconectar a fiarada de novo, abrir o gabinete… suspiro & preguiça. Então enfiei o dedo no buraco e consegui ligar o botão lá dentro.  Aí sim, eu me senti muito, muito esperta.

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Eis a diferença entre  know-how (usado na primeira vez) e savoir fare  (usado na segunda).

Baideuei,  até hoje tô ligando o computador assim.

Helê

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Bons costumes

Uma lei que só pode ser chamada de bizarra foi aprovada na semana passada aqui no Rio de Janeiro: a deputada estadual Myrian Rios (aquela que foi consorte do Rei Roberto no século passado) criou legislação específica para garantir o resgate dos valores éticos e familiares ou coisa que o valha (como diria Holden Caufield). 

A ideia é obviamente ridícula, pois não dá para garantir que a moral e os bons costumes serão preservados por lei ou incentivo governamental. A sociedade muda conforme dá na telha de seus cidadãos, e pouco se pode fazer a respeito. Mas vai daí que o povo nas redes sociais começou a atacar a deputada por conta do reacionarismo da lei que ela criou. No sábado, apareceram no meu Facebook fotos da ex-atriz na capa de revistas masculinas, com o suposto objetivo de denunciar sua hipocrisia, falso moralismo etc.

Gente, se tem uma coisa que aprendi depois de muitos barracos cibernéticos foi o seguinte: vamos combater ideias, e não pessoas.

A Myrian Rios sabe muito bem de seu passado, e provavelmente, à luz do que pensa hoje, deve se envergonhar dele. A discussão é sobre o que ela pensa e faz hoje, e não X anos atrás. Além de ser um argumento machista*, abre campo pra ela alegar que se arrependeu e renegar as fotos, permanecendo no campo do moralismo, para onde a própria crítica a trouxe.

Acho que a discussão perdeu o foco aí. Não que essa lei vá “pegar” ou gerar qualquer efeito mais palpável – coisa de que duvido muito -, mas seria uma boa oportunidade para questionar o que há por trás desse discurso de “promover os valores familiares”. Nada contra as famílias, nem contra os valores, muito pelo contrário. Só que para muitos de nós já ficou claro o que isso quer dizer: abafar qualquer possibilidade de debate legal que amplie os direitos dos homossexuais, das mulheres etc. E discutir esses temas não pode passar por ataques a uma mulher e a seu direito de posar para a revista que quiser – e inclusive o direito de se arrepender depois.

-Monix-

* A cultura do slut shaming nos condiciona a julgar e condenar mulheres que exibem seu corpo e/ou sua sexualidade, (des)qualificando-as como vagabundas, vadias, etc.

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