Voltar a correr

lioness

(Do Curves in colors)

Sim, mes amis, eu voltei a correr, como já sabem aqueles que me encontram na pracinha do feicibuqui. Tem sido um grande prazer, impulsionado pelo desejo de emagrecer e com inúmeros bônus no percurso. E o auxílio luxuoso do meu treinador, Marcello Morone.

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De algum modo, em algum registro que não sei precisar qual eu sabia ou sentia que voltaria, como um caminho que pode ser interrompido mas não abandonado. Ainda que, em retrospecto, eu tenha ficado  mais tempo afastada do que correndo, sempre achei que voltaria, eventually. E ficava com o olho comprido quando um corredor passava por mim.

jealous

Agora não mais

(Do painel Motivação)

Minhas experiências anteriores deixaram  sensações  indeléveis e únicas. Nada me deu prazer semelhante a correr 8km, à noite, e tomar um banho de mar depois; nunca me senti tão viva e eufórica como depois de correr da Barra ao Leblon. Também há singularidade e valor em pequenos ganhos, como a primeira volta na Lagoa, ou ir cada dia mais longe, gradativamente. De grandiosas e cotidianas conquistas se faz a trajetória dos que correm.

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Para voltar a correr retomei o hábito de acordar (bem) cedo. Eu sou do dia – embora, claro, sucumba com frequência aos prazeres noturnos. Mas na real mesmo,  curto acordar com as manhãs. Do contrário sinto que perdi algo ou cheguei atrasada. Sair à rua de manhãzinha, ainda com poucos carros e pessoas, o clima invariavelmente mais fresco,  assistir ao desabrochar do dia, tudo isso me revigora e  reforça a impressão de que aquele momento é só meu.

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Treino na rua, invariavelmente, o que fornece outro bônus: descobrir caminhos, relevos, casas, bairros, passagens. Em quase quatro meses, praticamente não repeti uma rota. Treino também a liberdade: de mudar de direção, escolher ir para onde o nariz aponta, de voltar atrás, entrar numa rua porque tem sombra e flores, ou em outra porque tem o Sumaré ao fundo. Experimento vias sem saber exatamente onde vou chegar,  mas confiando – em mim, no meu senso de direção e nas montanhas da Tijuca, que orientam e enchem os olhos. Ir onde nunca fomos, mesmo que seja uma transversal do seu bairro, traz uma satisfação pessoal saborosa e alimenta nossa capacidade de desembrulhar o novo quando ele se apresenta.

runfun**

Pela manhã há luzes que só se pode surpreender nesse horário, e também cheiros. Para o bem e para o mal, meu olfato parece ter maior potência durante a corrida, o que é péssimo ao cruzar com lixo ou gente que exagera no perfume. Mas me fez perceber uma diversidade surpreendente de plantas na região em que vivo. E que delícia virar uma esquina e encher os pulmões de aromas florais inesperados, ou encontrar uma floração que não estava ali ontem e, durante a noite, resolveu dar o ar da graça, colorindo uma rua comum num dia qualquer.

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E há, claro, aquele objetivo primeiro, o “voltar a caber”. Já consegui resgatar algumas peças da categoria ‘Gordo Esperança’, outras tantas ainda aguardam. O interessante é que, no processo, a importância do peso muda de lugar, perde a centralidade. Claro que importa, mas deixa de ser uma questão de “se” pra ser uma questão de “quando”, porque eu tenho me concentrado mais no “como”.  Emagrecer acontece como consequência de cuidar melhor de si e reparar com mais atenção nessa máquina sofisticada que é o nosso corpo, essa casa móvel, instrumento capaz de tanto, e tão frequentemente subutilizado. Sabe aquele papo de que usamos só 10% do cérebro? Pois eu tenho a impressão que, sem correr, usava apenas uma reduzida porcentagem do meu corpo. Junto com os cheiros, luzes e caminhos, descubro também limites, sinais e respostas corporais com os quais eu havia perdido a conexão. Parafraseando o nome do spa, para mim voltar a correr significa tomar posse do meu corpo.  Já não era sem tempo.

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Primeira corrida oficial depois da Retomada, cruzando a linha de chegada com a Dedeia ao lado. \o/\o/

Helê

2 Respostas

  1. Que orgulho!
    😀
    Beijoca,
    Helê

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  2. Helê, que delícia! dá até vontade :o)

    Então aproveita, menina, não deixe a vontade passar!
    Beijo,
    Helê

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