Toujours Paris

Se você pretende ir a Paris um dia, o primeiro conselho que dou é de ordem econômica: poupe adjetivos e interjeições. Você precisará muito deles e não sei se existem em quantidade suficiente para tudo o que você pode ver, então você precisa ser criterioso. ‘Lindo’ você usa logo, porque Paris é linda —  e quando digo isso eu não estou me referindo à elegância da  Torre Eifell, à simetria das Tulleries ou à arquitetura da gare feita museu, o D’Orsay. Estou falando da cidade mesmo, aquela por onde a gente passa entre uma atração turística e outra, onde as pessoas vivem e trabalham e esbarram em turistas. A cidade toda é bela, bege e harmônica, de um jeito difícil de explicar porque nos faltam parâmetros. É uma outra maneira de ser cidade, de se organizar como tal. (Bote reparo que, só pra falar assim, de um modo abrangente, já gastei uns três ou quatro adjetivos. Quer dizer.)

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Hotel de Ville, sede da Prefeitura

Sei que não estou dando nenhuma informação nova, da beleza de Paris já se sabe e fala há muito. É praticamente um clichê. Mas, se é verdade que todo clichê já foi uma boa ideia um dia, Paris continua sendo. O que não impede que ela também seja surpreendente, na alternância entre a ostentação e a delicadeza, tradição e contemporaneidade, largas esplanadas e jardins quase familiares, de tão pequenos e bem cuidados. Para além dos cartões postais – todos  incontournables, adjetivo  charmosíssimo deles – Paris também seduz nos detalhes: nas placas do metrô, nos quiosques que são bancas de jornal, na ausência de fiação aérea, que faz uma diferença enorme e bem-vinda na paisagem urbana.

Aos pés de La Tour

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Nada menos parisiense que um hit pop americano dos anos 80, mas tenho que dizer que “I had the time of my life (and I never felt this way before)“, de um modo que, eu sei, ainda vai repercutir e reverberar em mim. Não farei do blogue um álbum de viagem com fotos infinitamente piores do que o Gúgol pode te dar (para isso tem o Feicibuqui). Nem ficarei impregnando vocês com o assunto, prometo (embora possa falar um pouquinho mais, se quiserem).  Mas não se pode ir a Paris, ou fazer a primeira viagem internacional (antes, o mais longe que tinha ido era o Ceará) e voltar aqui como se nada tivesse acontecido, não é mesmo?

Precisava dizer o quanto eu fui feliz por lá. Não apenas pelo lugar mágico e inesgotável que é Paris, mas também porque fiz a viagem que quis, no tempo que escolhi, da maneira que julguei melhor (com o dinheiro que tinha, nem tudo é perfeito). Entreguei-me à cidade sem reservas, e ela me arrebatou, retribuindo minha entrega e superando minhas expectativas. Precisava contar que da Cidade luz eu vi quase nada porque anoitecia às 22h, mas nem por isso deixei de me apaixonar por essa cidade com a qual eu sempre  flertei a distância  e que eu sei que vou amar, por toda a minha vida.

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O pôr do sol no Rio Sena, que também merece aplausos

Helê

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8 Respostas

  1. Ai…mansardas parisienses…só de vê-las em fotos, me arrebatam!! Quero esse “pouquinho mais” quase sutil, viu? Un baiser sur la joue!!!

    Merci, querido! Beijoca estalada,
    Helê

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  2. Se algumas vantagens há em viver nessa velha Europa em crise profunda, ter Paris à mão de semear, à distância de um punhado de euros, é provavelmente uma das maiores. Por isso, não deixa de ser significativo que, apesar de açessível, Paris mantenha essa aura de cidade irresistível, a que se volta vezes sem conta. Não cansa, Paris, nunca nos fartamos, e é reconfortante saber que ela está alia ao lado. E sempre estará…”We’ll always have Paris”, não é mesmo?

    Sim, sempre, a frase não vale a penas para Ilsa e Rick.
    Agora, seu comentário por ter Paris a mão é para
    (a) ficar com inveja
    (b) lamentar porque não encontrei você lá
    (c) todas as respostas anteriores?

    Beijim,
    Helê

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  3. Então… ler o que a Helê, brasileira e carioca, escreve sobre Paris dá uma vontade danada de ir lá conferir! Eu estou aqui de “mão levantada” querendo que você fale um pouco mais, sim! S’il vous plaît…

    Obrigada, Claudia. Pedindo assim, en fraçais, serei obrigada a escrever mais 😉
    Beijo,
    Helê

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  4. Ai, Helê, Paris é arrebatadora. Taí meu adjetivo pra ela. Escreva mais, revele mais, pq é como se a gente voltasse pra lá.

    “Arrebatadora” é bem adequado, Gei – pelo menos para mim.
    Beijo e obrigada por tudo; você está entre os que colaboração para essa viagem de muitas maneiras. Sou muito grata a todos.
    Beijoca,
    Helê

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  5. Helê, por mim pode falar mais e botar mais foto :o)
    Viajo com vcs!
    E como foi a língua? Vc fala francês???

    Bom tópico, Si, falarei disso. Eu estudei francês, mas na hora é mesmo o inglês que me acode. Afinal, é a língua mais falada no mundo o “Bad English” 🙂
    Beijo,
    Helê

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  6. Como te entendo, chérie. Paris, para mim, é mais do que todos os adjetivos juntos eisturados. Uma cidade sempre surpreendente e encantadora. Não há como falar dela sem usar todos os adjetivos e superlativos.
    A França de modo geral é assim ( na minha opinião), mas Paris é mais. E, ao contrário do que diz o estereótipo, acho as pessoas gentis e educadas. Mesmo quando isso é apenas uma formalidade ou automatismo, é bom ouvir aquele “bonjour” cantadinho. Não tenho nenhuma história desagradável para contar em todas as vezes que estive ali. E espero que esta tradição continue nas próximas viagens.
    Agora temos mais uma afinidade: l’amour pour Paris.
    Beijos

    Oba, mais uma! Minha experiência é a mesma, Gaby, da suposta falta de educação não tive notícia. Au contrarie, tive inesperadas gentilezas, como comprar um produto e ganhar outros, de menor valor. Mas concordo com você: precisamos voltar para ver se é assim mesmo ou se demos sorte ;-).
    Beijo,
    Helê

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  7. Quando viajei pela Europa a 1° vez em 1991, fiquei deslumbrada com as paisagens. Num determinado momento, depois de passar por lugares tão lindos, cada um mais maravilhoso que o outro, meus olhos se acostumaram com tanta beleza.O encantamento e o deslumbramento deixaram de ser arrebatadores.Ai cheguei em Paris. Até hoje não me recuperei.Que inveja da Tina!

    Que bacana seu relato, Kathia! Sim, é difícil se recuperar de Paris, estou tentando, mas se não conseguir o jeito vai ser voltar 🙂
    Beijo,
    Helê

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  8. E eu aqui morando nesta maquete costa-niemeyeriana, capital do tédio e da corrupção, monotonia arquitetônica e urbanística… Ufffff

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