Filthy McNasty

Mexendo pela última vez no Google Reader – que encerra suas atividades hoje – , constato que, afinal, não perdi tanto. Já não o visitava há tempos, muitos blogs/sites têm página no face, outros deixaram de existir ou migraram para outras plataformas.  
O que está me apertando o coração é o perder o Filthy McNasty. Ele parou de escrever já há algum tempo, e sumiu. Apagou o blog, arquivos, tudo, sumiu na grande rede. Mas eu tinha os posts lá no Reader, podia ler quando desse na telha. Na migração pro feedly foi só o endereço, não os arquivos.
Acompanhava o Tio Fil desde o tempo do wunderblogs. Ele e sua turma não poderiam ser mais distantes de mim e da minha patota virtual. Ele era um cara assumidamente de direita —  mas ao dizer isso, sinto que o resumo a um esteriótipo raso que não lhe faz justiça. Culto e dono de um humor incomum, tinha um texto elegante, sofisticado, ácido, surpreendente, um texto que eu adorava. Nas raras vezes em que ele falava de temas pessoais então, nossa, era muita, muita admiração. Tem um post dele sobre a mãe, que eu não lembro uma palavra, mas jamais esqueci o efeito que me provocou (“sobre a mãe” é uma simplificação tosca minha, ele fazia uma bem elaborada descrição de uma cena prosaica entre ele e a mãe, mas que tinha inúmeros significados e matizes, era tocante). Mesmo quando ele tinha um ponto de vista absolutamente oposto ao meu, a maneira como o expunha era sempre tão inteligente e bem feita que me fazia, no mínimo, respeitá-lo.
Bem, Uncle Fil se foi, se perdeu de mim no ciberespaço. Não o conheço, nunca soube seu nome, nada que o pudesse identificar. Certamente queria isso mesmo, sumir quando bem entendesse sem ser importunado por desconhecidas carentes de textos bem escritos feito eu. Pela míseras frestas que deixava escapar, acho que é de SP e mora no EUA, mas pode não ser nada disso. Essa saída de cena tão definitiva e seu anonimato acabam por torná-lo uma figura ainda mais instigante. Mas eu lamento muito não poder lê-lo novamente. Se você o conhece, diga que ele deixou aqui uma leitora inconsolável.

Helê

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5 Respostas

  1. Olha, Helê: salva e guarda pra reler sempre:

    http://web.archive.org/web/*/http://www.wunderblogs.com/filthymac/

    Suzana-de-deos, que maravilha isso! Muuuuuito obrigada!!!
    Beijo grande,
    Helê

    Bjs

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  2. E você também sumiu, Suzana. Sinto sua falta! ; )

    Leitores conversando entre si, tipo papo na pracinha? A-do-ro!
    Helê

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  3. Hahahaha! Eu nem sabia que você lia o Breviário!
    Doga tá muito doente, eu não consigo entregar a casa onde eu morava e ainda vou fazer obra vapt vupt no apartamento em julho. Tô virando noite trabalhando e aí, né. Não sobra tempo nem cérebro pra pensar e escrever.

    Eu também tô sentindo a minha falta, moça.
    Bjs

    Tem que ver isso aí, heim, num pode, não.
    Força e beijo,
    Helê

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  4. Obrigada, Suzana! (Agradecendo de tabela pelo wayback machine do Filthy!) 🙂

    Ueba, mais uma na rodinha de conversa e é a Lúcia, que conseguiu comentar!
    Beijo, adoro ver você por aqui.
    Helê

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  5. […] Duas Fridas. A Helê contava que o “fechamento” do GReader significava pra ela também o fim da leitura do Filthy McNasty, um blog ácido e bem-humorado, de quem, como bem disse a Helê, eu curtia discordar. Porque eram […]

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