E depois da meia noite?

Como já disse a antropóloga Rita Lee: toda mulher é chata, todo homem é bobo.
Celine é chata, Jesse é bobo, e talvez por isso sua história possa ser considerada tão arquetípica dos relacionamentos amorosos dessa virada de milênio. Em 18 anos eles viveram um romance-aventura daqueles que só quem tem a vida toda pela frente pode encarar;  passaram pelo choque de realidade dos trinta e poucos, se reencontraram e ousaram experimentar ficar juntos; agora estão simplesmente buscando uma forma de ficar juntos apesar de.
Em determinado momento da longa DR que é Antes da Meia Noite, Jesse diz a Celine que ela é doida (e para ele isso é um elogio). Doida não – acho que Celine simboliza as mulheres de uma geração, a minha. Pela primeira vez na história da civilização ocidental, nós mulheres que hoje temos cerca de quarenta pudemos escolher. Estar ou não casadas, ter ou não filhos, agora ou mais tarde, priorizar ou não a carreira, estudar mais, viajar mais, enfim, são muitas opções e todas elas são válidas. Isso é bom e muito libertador, mas também é muito confuso e fonte de muita angústia. Celine fez escolhas, e essas escolhas definem quem ela é hoje. Mas e se ela tivesse seguido em outra direção? Buscar essa resposta é o que a deixa doida, e culpada, frustrada, cansada, enfim, tantas coisas que a confusão gerada por ela torna tudo ao seu redor ingerenciável.
Se houver uma continuação para essa história, daqui a nove anos espero encontrar Celine em paz com ela mesma. E prestando mais atenção na estrada que ela está trilhando do que em todas as bifurcações que deixou para trás no caminho.
-Monix-

Update: pensando um pouco mais sobre o filme, acho interessante que de certa forma o estereótipo está invertido: Celine racionaliza demais e por isso não consegue controlar suas reações; por sua vez, Jesse sente demais, e tem mais certeza do que sente, por isso consegue, aparentemente manter o equilíbrio enquanto ela surta.

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