Sonho

Sonhei uma frase: ‘O carnaval é um só, carnaval é pra ser feliz’. Eu, a quem os sonhos não brindam com ternuras e bons palpites, mas com angústias e reincidências. Logo eu, que julguei mágico o único r*votr*l que tomei na vida pelo sono sem lembranças que me proporcionou, acordei um tanto embevecida com a frase sonhada. Se havia enredo, cenário ou personagens não recordo, apenas da frase de significado evidente desde que despertei. Uma vez vividos e passados, todos os carnavais formam um só evento, conjunto unificado de recordações em que fomos felizes; é assim que funciona e para o que se destina. (O que, aliás, faz todo sentido: a velha louca que gerencia minha memória guarda no  mesmo armário fantasias, desfiles e acordes de diferentes anos. Você aí, sabe exatamente em que ano aquele pierrô te abraçou e te beijou, meu amor?)

Não desvendei outros significados para meu sonho textual — se é que existem –; apenas encantei-me com a singularidade de “sonhar uma frase”, sem contexto mas clara e exata como os sonhos não costumam ser. Naquela semana eu lia um livro encantado e encantador chamado “A Casa dos Amores Impossíveis“*, tradução e presente da Fal. Entre muitas coisas fantásticas que acontecem nessa história, há personagens que sonham com o que lhes reserva o futuro . Talvez seja isso: o carnaval enviando seus primeiros chamados. Parafraseando mestre Alceu, vens chegando e eu já recebo os teus sinais.

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Helê

*Sobre o livro: vale muuuito a pena, gente. É daqueles sobre os quais não se deve falar muito para não interferir na viagem, que é feita utilizando todos os sentidos. Livrão, como disse a Fal, que entende do riscado.

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