Ditadura

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Este deve ter sido o primeiro grande paradoxo da minha vida: esta imagem icônica de Che Guevara está intimamente ligada à ditadura militar na minha memória afetiva. Por causa dela fiz perguntas que nem sempre obtiveram respostas, mas aprendi lições.  Eu era uma criança pequena, menos de sete anos, e não entendia o retrato daquele homem no fundo do armário do meu pai, atrás de todos os cabides. Por que ele estava tão sério? Seria amigo do meu pai? Se ele gostava tanto do moço, a ponto de ter um retrato dele, por que tinha que ficar escondido? Acho que alguém disse que se vissem aquele pôster papai podia ser preso, mas achei que era daquelas coisas exageradas que dizem para assustar crianças. Anos depois o retrato foi para a parede da sala da casa do meu pai – que já não era a minha,  eu então já tinha outras questões não respondidas. Mas já havia compreendido que há mesmo coisas muito assustadoras na vida, inclusive para os adultos.

Helê, inspirada num post da Daniela Yabeta, sobre  como o golpe de 64 influenciou sua vida

2 Respostas

  1. Emocionada!

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  2. Belíssimo. Não vivi, obviamente, o golpe de 64. E as minhas recordações anteriores ao 25 de Abril são muito vagas. Já o Verão Quente de 75 deixou algumas marcas… Falaremos sobre isso…

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