Com as próprias pernas

Quando me separei, tirei férias para cuidar da mudança – além da mudança em si, e da própria separação, havia todas as providências relativas a estes dois processos difíceis com uma criança de dois anos a bordo. Foi um mês procurando apartamento, encaixotando coisas, depois desencaixotando, etc. Na véspera de voltar ao trabalho, mamãe chegou na minha casa com 300 reais na mão e me mandou ir ao salão fazer as unhas, hidratar os cabelos e fazer uma escova, porque não podia chegar no escritório “daquele jeito”.

Poucos anos depois viajei sem meu filho e ela passou um bom tempo na minha casa, dando uma ajuda nos cuidados com ele. Quando voltei, ela me comunicou que tinha ligado para orçar a troca do blindex do banheiro, que estava “caindo aos pedaços” e “muito perigoso”. E disse mais: que só não tinha mandado fazer o serviço porque refletiu e achou que se alguém trocasse o blindex da casa dela sem consultá-la ela não gostaria.

Assim era minha mãe: gente que faz. Ou, como definiu minha prima, ela era a resposta para todas as perguntas.

Há poucas semanas, meu carro foi rebocado e precisei enfrentar a via-crucis da burocracia brasileira. Estava na casa dela quando contei meu drama, e a solução e a ajuda vieram da minha cunhada e do meu irmão, o caçulinha da família. Ao presenciar a cena, fico imaginando que ela deve ter pensado: posso descansar – eles já sabem se virar neste mundo sem mim.

-Monix-

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