Meus dois centavos – Oscar 2015

Se o senador McCarthy fosse vivo, sua lista negra teria aumentado ontem: entre feminismo, direitos dos negros, dos gays e dos imigrantes, foi um belo caldo cultural. Prato cheio.
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Pareço feminista mas adoro olhar as celebs no tapete vermelho. Só que, diferentemente de toda a internet, acho todas lindas – seja com vestido esquisito, cabelo solto, maquiagem assim ou sapatos assado.
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Muita gente vem desanimando com as indicações nos últimos anos. Como ser desprovido de memória que sou, confesso que não sei se concordo com a avaliação das outras premiações, mas este ano tivemos pelo menos quatro filmes muito bons indicados à categoria principal: Birdman, Boyhood, Grande Hotel Budapeste e Whiplash. Todos filmes autorais, com assinatura – gostando ou não do resultado, não se pode desmerecer o trabalho em si. O Jogo da Imitação e Foxcatcher também são obras bem feitas, mesmo que mais convencionais.
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Há muito tempo não me divertia tanto com o Oscar. Além de ter visto boa parte dos indicados nas principais categorias, consegui acompanhar a cerimônia toda, depois de um ano em que perdi a festa, e ainda por cima com a companhia da minha irmã, que durante muito tempo foi parceira inseparável para efeito de eventos televisionados.
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Como a Otra, acompanhei os babados pelo WhatsApp – muito divertido – e, diferente dela, pelo twitter e não facebook. A fofoca cibernética deixa a festa ainda mais animada.
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Por fim, uma nota de torcedora: apesar do resultado esperado, até o último momento imaginei que meu favorito pudesse levar o prêmio do ano. Não deu. #TeamBoyhood

-Monix-

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Pastilhas Garota* – Oscar 2015

hortela

 

Patrick me ganhou na primeira piada, sobre a noite dos mais brancos, digo, mais brilhantes. Tá, as piadas incômodas são praxe, mas para abrir a noite assim tem que ter…eu ia dizer balls mas não, tem que ter coragem nível Tina Fey e Amy Poehler. Não senti falta da Ellen.

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Aliás, é engraçado isso, como Oscar é tão careta e coreografado que tem espaço inclusive pra rebeldia. Que perde a força dentro dessa liberalidade consentida.

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Mas dane-se, a gente gosta assim mesmo. Eu pelo menos, me comovo e tudo. Patrícia Medium Arquette me rancou uma lágrima quando falou de “each women who had gave birth”. E que mãe memorável ela viveu em ”Boyhood”! (Pra mim, baideuei,  um grande injustiçado da noite).

Essa cena.

Essa cena.

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Birdman? Não vi, não verei. Iñárritu: sou contra.

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Depois da minorias políticas, étnicas e sociais, esse foi o ano das minorias médicas.

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E Lupita tra-ba-lha-da nas pérolas? Queria ser ela quando crescesse, mas como já cresci pode me chamar de Viola Davis.

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Uma noite de maridos devotados: J.K. Simons (BFF: Betty Faria Fácil, muito antes do Oscar), antes de dar sermão nos meninu dele e do mundo, fez uma declaração emocionada para a mulher. E o marido leeendo de Julianne Moore lacrou só com a cara de besta com a qual ele olhava pra ela, fora as gentilezas.

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Geral pagando pau pra Lady Gaga porque ela…canta bem. Ah, para.

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“Há mais homens negros sob o controle corretivo hoje do que sob a escravatura em 1850”. John Legend. A melhor frase numa noite de discursos inspiradíssimos.

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Surpreendentemente, o discurso de Legend foi mais contundente e melhor que o de Common. Aliás, um belo exemplo de diferentes (e igualmente importantes) falas sobe o racismo: uma mais conciliadora, unindo todas as minorias mais ou menos no mesmo saco;  outra desafiadora e franca, botando o dedo na ferida. Arrisco dizer que ontem Common foi Dr. King, Legend foi Malcom.

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Mas Juliane Redhead Moore agradecendo os 5 anos a mais para curtir o marido mais jovem também foi memorável.

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Seu Oscarchrispine é issoaê, essa (nem sempre) divertida mistura de politics and vanity. Às vezes até emoção. Tipo o Facebook.

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A propósito: Oscar no Face é hora do recreio, no What’s up é ficar com grupinho no fundão. Não perdi nenhum dos dois, mas advinha onde eu me diverti mais…

 

Helê

*Porque Drops, só a Fal.

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