A vida pós-escritório

Então que sair da tal zona de conforto nem sempre é assim tão desconfortável.

Meu primeiro dia pós-escritório foi feito de uma multiplicidade de afazeres, misturando trabalho intelectual e braçal, doméstico e público, ócio e atividade. Bem como eu desejava.

Comecei a tomar algumas providências importantes, como registrar um domínio e cuidar de outras coisas que devem ser feitas para o projeto home office ficar de pé o quanto antes. Não tive a felicidade de nascer rica (mas sou rycah!, é claro), por isso preciso voltar a ser produtiva produzir trabalho remunerado em breve. (Tinha escrito “ser produtiva”, mas apaguei. Toda essa mudança de vida tem justamente esse pano de fundo: minha vida não será mais definida pelo contracheque. Existem outras medidas do sucesso, e é em busca delas que estou partindo.)

No fim da tarde, precisei ir ao Centro da cidade para resolver umas burocracias relacionadas ao meu desligamento da empresa. Fui de metrô e resolvi voltar de ônibus, o que se mostrou um erro por dois motivos: descobri no meio do caminho que não precisaria mais buscar meu filho numa aula, e para voltar direto para casa deveria ter pego outro ônibus; e, para variar, o trânsito estava completamente parado, num congestionamento anormal até mesmo para a hora do rush. Tudo bem, não tinha pressa para chegar em casa. O tempo é, agora, para mim, um recurso elástico, do qual posso dispor, pois ele é meu e não mais “roubado” ao meu empregador.

Desci na Lagoa e vim andando para casa, sentindo pena dos motoristas presos nos carros que andavam a dez por hora. Vinte e quatro horas antes eu estava lá – não na calçada caminhando levemente, e sim dentro de uma máquina de gastar combustível fóssil, correndo para chegar nem sei bem onde.

Meu novo caminho é cheio de riscos, mas é um preço que escolhi pagar em troca de construir meu novo futuro. Não sei se vai dar certo, mas preciso tentar.

-Monix-

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