Do fundo do meu coração

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Em meados desse ano, quando fiquei inesperadamente desempregada, bem no início da Crise, lancei garrafas ao mar – virtuais, mas nem por isso menos verdadeiras. E recebi de volta fartas provisões de afeto. Depois de um tempo – breve para quem olha de fora, angustiante o suficiente para mim –, consegui um novo emprego. Ironia do destino, coincidência ou vaisaber?,  fui dar com os costados no outro lado da Baía de Guanabara, em Niterói, para onde olhava diariamente no posto antigo. Como se uma travessia estivesse prevista no roteiro. Ou sou só eu vendo poesia e mística onde não tem (onde não tem?) Desde que me recoloquei (esse jargão curioso, também significativo), queria vir aqui dar notícia, o rascunho estava empoeirando no Dropbox. Já que vim chorar pitangas, tinha que vir também dar as boas novas, o que faço agora com muito atraso, mas com uma gratidão imensa por cada e-mail,  floral, força, livro, palavra, presente, comentário, good vibe, chamego, cafuné, vaidarcerto, tôcontigo, tamojunto e reza que eu recebi. Sem tudo isso teria sido muito mais difícil, se não impossível.

Demorei a dar a ciência do fato porque vivi tempos complexos de mudança, adaptação: outros transportes, diferentes gramáticas, pessoas – novos truques para um velho cachorro, em resumo. Também porque são tempos ainda incertos, já que a Crise continua a rondar a nossa vida e fungar no nosso cangote com a ameaça de seu hálito gélido, como um dementador. Precisamos acreditar que 2016 será melhor porque, francamente, não podemos nos dar ao luxo de ser pessimistas. Eu me sinto o náufrago que encontrou uma ilha: achei uns côcos, consegui fazer fogo e um abrigo (o que é incrível!), mas ainda não é terra firme. Essa constatação me impediu de grandes festejos; ao contrário, tem me mantido preocupada e focada. Mas nada disso deveria me impedir de vir aqui dizer a cada um de vocês que torceu e torce por mim: muito obrigada. Eu não poderia seguir confiante na busca de um porto (mais) seguro sem agradecer, comovida, a luz da amizade que me guiou. Do lado de lá da Baía, do fundo do meu coração: valeu mesmo.

Marinheira só (mas nem tanto), sigo navegando com o tombo do navio e o balanço do mar. Ainda aprendo a viver a vida sobre as ondas.

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(Renovatio; Restless ocean heart: hannah–grace.tumblr.com)

Helê

 

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