Casais

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(Shepard and Lange, encontrado em oldloves.tumblr.com)

Um momento de intimidade e ternura no impenetrável território formado por um casal. Adoro essa foto.

Helê

Inundado

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(Via Victor Kowalski)

Da série Corações

Helê

 

Vá ver o Chico

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Se ainda não viu, faça a você mesmo um favor e vá. Contra fel, moléstia, crime; para um coração mesquinho, contra solidão agreste: Chico Buarque Artista Brasileiro é inconteste. O filme, que continua lotando sessões no Rio, serve de antídoto para o inevitável pessimismo reinante (Veríssimo, meu rei, com a lucidez de sempre,  chamou de uma clareira de talento e sensibilidade em meio à estupidez crescente). Antítese desses tempos de império do Ego e supervalorização das Caras, o documentário é totalmente anticelebridade. A gente sai do cinema com a sensação de que bateu papo com o Chico por duas horas – o que, convenhamos, vale o ingresso. Um papo agradável, bem-humorado, cheio de reminiscências mas sem nenhuma nostalgia.

Logo no início ele avalia que, quando jovem, mergulhou na literatura para chegar até o pai, amoroso mas um tanto inacessível. “Eu tive que achar o caminho até o escritório do meu pai”, ele diz, e na hora pensei: “mas não é o que todos nós fazemos, seja um bar, a oficina ou só a cabeceira da mesa?”.  Também em outros momentos Chico se mostra gente como a gente,  lidando com desafios, surpresas e sobretudo percalços da vida.  Sobre os quais, aliás, ele parece ter até mais prazer em falar: lembra, entre risadas, da primeira turnê fracassada pela Europa, com Toquinho; diverte-se ao contar do surfista no Arpoardor que o reconheceu na foto ao lado de Bob Marley num museu em Kingston. Com a mesma leveza reflete sobre a velhice  – fazendo contas que depois abandona – e sobre as mudanças no país.

Há momentos emocionantes, como o depoimento do Carvana sobre a primeira vez em que Chico viu a Marieta. Minha emoção se liquefez nos trechos sobre o Rio de Janeiro e a Mangueira porque aí é, literalmente, muito amor envolvido. Eu saí da sessão leve e satisfeita com o meu guri, que além de suas muitas e decantadas habilidades, domina mais uma, rara: soube envelhecer bem, mantendo a fleuma, o charme, a mente aberta e a gargalhada farta. Melhor só se estivesse, como encantado, ao lado meu.

Helê

Abecedário 2015

Arquipélago, África e A mulher do fim do mundoBoyhood, Black-ish, Bataclã. Chico artista brasileiro e Costa BarrosDivertidamente. Encontro MothernEstudantes de São Paulo. Feminismo. Gracie & FrankieHello, Adele. Incêndios, com lord Cláudio. Je suis Charlie e Joel Rufino. Karina Kuschnir e seus desenhos. Lama, Love wins. Mitologia e Psicanálise, Museu da Língua Portuguesa. NBS, Niterói. Ó Menage no carnaval. #PrimeiroAssédio. Que corridaRéveillon Chez Geide e Robin Williams, by Ceelo. Sábado no Valongo. The web we have to save (Traduzido aqui) e Treino 25km do Grumari ao Pepê. Ubatuba com as melhores companhias <3. Vamos fazer um escândaloViola Davis.  Xô Cunha! Zoológico com filhote.

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Helê

Orgânico

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(Encontrado em trendhunter.com, via Victor Kowalski)

Da série Corações

Helê

Em chamas

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(Encontrado em thecoolist.com, via Maria Melnikova)

Da série Corações

Helê

Rupturas

Quem sabe ler o que está escrito nas estrelas já vinha avisando há alguns anos: até 2015, preparem-se para um período de mudanças estruturais, que irão acontecer por bem ou por mal. Isso por conta de aspectos entre planetas lentos, como Urano (o planeta das transformações), Saturno e Plutão. Por serem lentos, seus efeitos trazem impactos geracionais, e não apenas individuais, como costumamos pensar a astrologia.

Pois bem, o que estava previsto eram mudanças na base do “doa a quem doer”, com radicalizações e mudanças profundas que levariam a uma grande renovação.

A renovação ainda estamos esperando, mas mesmo o mais cético dos leitores deste blog há de concordar que, seja culpa de Urano ou não, o mundo está ao contrário e todo mundo reparou. 2015 foi um ano de rupturas, grandes e escandalosas – como disse uma amiga que entende dessas coisas, “haverá quebra nas estruturas de poder, mas  quem está no topo vai cair esperneando”. É claro.

E foram muitas quedas. Uma migração em massa de refugiados que ameaça acabar de vez com o precário equilíbrio europeu. Um sem-número de atentados tão chocantes que pela primeira vez a América dos direitos individuais discute seriamente o controle de armas. Um conflito aberto entre os três poderes no Brasil, com os podres de cada um deles sendo expostos da maneira mais traumática possível. Abalos gravíssimos nas duas maiores empresas de exploração mineral do país – poucas coisas são tão pouco “nova era” quanto cavar buracos e poços gigantes para tirar petróleo e minério de baixo da terra. Uma inundação de lama tóxica, a maior metáfora tornada concreta que já vi na vida. Um mosquito minúsculo deixando o país em pânico. Um senador, um banqueiro, latifundiários e os maiores empreiteiros (ou seja, todos os segmentos do poder político e econômico) vendo o sol nascer quadrado. Olha, se o roteiro de 2015 tivesse sido escrito por um autor de filme catástrofe, a gente não acreditaria. Foi um ano em que precisamos aplicar o conceito de suspension of disbelief ao mundo real.

Agora só nos resta esperar que dessa terra arrasada surja uma nova ordem, e que, como explicou Chico Buarque, até o que piorou, seja porque melhorou. (Quem ainda não viu o documentário sobre o nosso menestrel, veja. A explicação para esta citação está lá…)

***

No plano pessoal, só o que eu esperava era um ano mais gentil. Se consegui, foi porque Urano, Saturno e Plutão também passaram por aqui fazendo sua revolução. Os resultados concretos (sendo a medida do sucesso o resultado financeiro) está vindo bem aos poucos – o que esperar de uma economia regida pelo cenário descrito ali em cima? Mas eu queria viver melhor, e isso, definitivamente, estou conseguindo. Sigamos em frente, um passo de cada vez.

-Monix-

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