Quantos dias cabem em uma semana?*

Passei a semana toda querendo postar. Mesmo para uma periodicidade aleatória, it was about time, como dizem os ingleses. Depois porque foi uma semana difícil de muitas maneiras e para quase todos, e dizer algo parecia um dever. Por outro lado, dizer qualquer coisa equivaleria a ser imprudente, o que deveria ser evitado. Mesmo as imagens, que volta e meia me servem tanto ou  mais que as palavras, mesmo para elas não pude achar o tom correto. Quem mais se aproximou de representar o meu estado de espírito foi esse meme antigo do meu cientista favorito,  Neil deGrasse Tyson :

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*

Mas hoje eu li o texto da Mary e, nossa!, me fez um bem danado, viu? Eu reli algumas vezes, e a cada uma delas eu me sentia melhor. Não apenas porque é uma análise apropriada e eu concordei, mas porque ajudou a me organizar internamente. Ela disse tudo o que eu penso nesse momento.

Como sobrevivi a esta semana infernal que, como eu disse no feice, durou três meses?

  • Boteco com amigo logo no início da semana ajudou imensamente, para estocar energia – vale mesmo com uma quantidade irrisória de álcool, se o amigo (ou a amizade) inebria.
  • Downton Abbey na veia, uma vez ao dia, ao deitar. Se persistirem os sintomas, dobre a dose.
  • Ter os mehores amigos nos melhores grupos de uátizapi, deixar de seguir quem faz mal ao fígado e eliminar sumariamente os desnecessários, lembrando que o unfollow é a serventia da casa.
  • a filha adole na expectativa para o show do Maroon 5 no domingo. Entre muitas mensagem dando conta de diferentes idas e vindas politicas, chegava um áudio com um grito agudo ou uma mensagem com dezessete exclamações lembrando que faltavam 3 dias !!!!!!!!!!!!!!!!! Aí eu sorria e me lembrava que já houve uma vida assim, em que eu usava exclamações em profusão e minha maior preocupação era o setlist de um show.
  • almoço com amiga querida em caráter de urgência, isto é, pra matar saudades. Pensamos em circunscrever o mimimi, que parecia interminável. Mas rimos muito, descobrimos outras afinidades, inventamos novos segredos e, por fim, até esquecemos – mimimi who?

Participar da manifestação contra o golpe ontem também ajudou, foi como sair das cordas e reagir. Talvez seja tarde, provavelmente não poderemos virar o jogo. Mas mostrou que ainda estamos vivos e não vamos cair sem lutar – nós, no plural. Não somos poucos, não estamos sós nem estamos restritos a nossa timeline.

Eu nem gosto desse papo de #NãoVaiTerGolpe, pra dizer a verdade. Porque da última vez não acabou bem – teve Copa sim, e ainda perdemos de 7 x 1 (quer dizer, não podia dar mais errado). E, na real, já tá tendo: vazamento de conversa telefônica de presidente  para telejornal feito por juiz não me parece outra coisa senão golpe. Mas esse não é o momento de implicar com palavra de ordem, mas de saber contra quem usá-la.

Helê

 

*Este título se inspira em um frase sagaz da Lívia, que na quarta-feira à tarde, quando o céu  ameaçava desabar sobre nossas cabeças aqui no Rio de Janeiro, perguntou: “Quantas tempestades cabem em um dia?” Beijo pra você, prima.

3 Respostas

  1. poder vir aqui e estar com vocês, de alguma forma – entra na minha listinha da sobrevivência

    Que bom, Lu! Conte sempre conosco, viu?
    Beijoca e fuerza, precisamos todos.
    Helê

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  2. Oi, Helê. Saudades dos almoços em que conseguíamos resolver todos os problemas do Brasil entre a primeira garfada e a sobremesa, rs. Todos estamos na mesma frequência, e talvez a única forma de não focar só no pior seja pensar em perspectiva. Tem um Brasil que não vai parar de mudar e ontem pudemos testemunhar isso. Ou, como dizia com muito mais propriedade Chico Science, “um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”. Beijão!

    Olha, eu não queria falar nada não, Nelsim, mas o fim dos nossos almoços e a intensificação da crise estão intimamente ligados, fato😀 Acho que a gente precisa se manter juntos, e reverenciar o Chico tomando uma cerveja antes do almoço pra pensar melhor, que tal?😉
    Beijoca, saudade,
    Helê

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  3. Esse mês tem provado que cabem inúmeras tempestades em um dia – mas ele vai passar, assim como o tempo. Torçamos pra que passe rápido, e que doa o menos possível. Adorei ser citada, que orgulho! Beijos, prima.

    Eu tinha que dar o crédito porque foi todo seu, e eu achei sua frase genial.
    Particularmente acho que pior dessa crise é que ela não será rápida – não está sendo, né, porque acho entramos nela uma semana depois das eleições. Mas sobreviveremos; vamos aproveitar os limões para fazer limonadas, caipirinhas, margaritas…
    Volte sempre, eu é que acho o máximo quando você aparece.
    Beijo,
    Helê

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