Moving

SaltoNo arco do movimento, atravesso um gerúndio. Já não moro e ainda não habito, estou no entre, na tensão da balança, oscilando entre alegria e expectativa, euforia e apreensão, medo e otimismo. Vou me mudar – e agora percebo quanto de sabedoria há nessa maneira popular e incorreta de falar sobre a troca de endereço, que quase sempre é bem mais que isso. Nesse maio, um mês de viagens, lembranças e queda, dou um salto sem saber exatamente como vou aterrissar e só me consola uma certeza: nunca sabemos, de fato. Inquieta, derrapo um pouco: sonho muito, perco treino, fico fraca pra bebida, escrevo ao escritor (que responde como amigo, ufa, me dando liberdades – que perigo). Mercúrio lá, paradão, retrógrado feito o vice, e eu tendo que seguir, apesar dos golpes, da noite que assusta (estamos marcados pra sobreviver). Mas recolho lindezas aqui e ali: M. chamou o momento atual de mar de desatinos, e a poesia da frase me encantou – embora navegar ainda esteja difícil. F. lembrou de uma “alegria generalizada” e eu imediatamente reconheci o sentimento; taí uma meta a perseguir com obstinação, viver outras dessa. Tem uma leva de gente de longe passando pra abraçar, e uma baciada de gente bacana se juntando pra resistir. Então há faróis e ilhas entre desatinos profundos; há de dar tudo certo, de um jeito ou de outro, fora o frio na barriga. A esperança de amar eu dobro todo dia mais um pouco, pra ficar bem miudinha e parar de prometer o que não pode cumprir. Mas de ser feliz não desisto, que eu acho que nasci pra isso (principalmente, entre muitas outras coisas).

Helê

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