Eu e os livros

Aprendi a ler muito cedo, e meio que sozinha. Minha mãe contava que numa festa de família peguei o jornal e li a manchete, para espanto de todos. Acho que queria imitar os adultos; meus pais sempre tiveram biblioteca de tamanho respeitável, e meu avô, linguista e filólogo, nem se fala.

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Gosto de ter os livros por perto, mesmo que não necessariamente para ler o tempo todo. Curto passear em livrarias, mesmo que não compre nada. É bonito ver as capas, saber das novidades, sentir as texturas das páginas e o cheiro de papel novo. Meu namorado é um entusiasta dos sebos, e tantas vezes me perdi com ele em universos caóticos e empoeirados, deliciosos e misteriosos ao mesmo tempo.
Nesse século digital, fiz amigos por causa de livros. E  nem  sempre grandes obras do cânone erudito. A Fal, o Cláudio Luiz, a Petita e a Vera, por exemplo, entraram na minha vida por causa d’O Código Da Vinci. (Renata já era de casa.)
Empresto livros, pego emprestado. Quando são meus me faço de íntima, dobro, machuco as lombadas, marco de amarelo, sublinho. Quando são dos outros trato com a maior cerimônia, num esforço de devolvê-los em estado impecável. Já comprei livros para devolver intactos porque durante a leitura danifiquei de alguma forma o exemplar do amigo.
Apesar do amor profundo pelo livro físico, me adaptei muito bem ao formato digital. Leio no Kindle, no tablet e, sim, muito bem até, no celular. Leio em pé no metrô, no táxi, no avião, no ônibus. Se me mandarem pra Marte, lerei lá; e já sei até qual o livro. 🙂
Não leio tanto quanto gostaria. Hoje em dia dá preguiça, com tantas séries na Netflix e tantas tretas no Facebook. Mas não me angustio nem fico ansiosa – já sei que não lerei tudo, e também que os livros me esperarão pacientemente.
Há poucos dias um adolescente viu minha estante e perguntou: você já leu tudo isso? Respondi: na verdade, não: muitos desses livros estão aí justamente porque esperam ser lidos. Mas, sim, já li essa quantidade de livros  e muitos, muitos mais. O que está na estante representa um décimo – ou fração ainda menor – das leituras que acumulei na vida.
Ler faz parte de mim. Fico vendo as perguntas maravilhosas da Fal e da Andréa lá no Paraísos de Papel e embarco em viagens sem fim.
Se um dia eu desaparecer sem deixar rastros, perguntem às traças. Elas terão minha pista.

-Monix-

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