Minha Baía

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Atravesso a Baía de Guanabara quase todos os dias e eu não me acostumo. Nem com sua beleza, nem com sua luz, nem com seus azuis. Não me conformo com sua sujeira, nem com o descaso pela sua manutenção. Não me canso de observar seu entorno, me condeno pelo meu desconhecimento sobre suas ilhas; sonho com sua história. Eu me deixo seduzir pelo desenho lascivo da Ponte Rio-Niterói e ainda me encanto com a Ilha Fiscal e seu fascínio imperial. Admiro a discrição do Museu do Amanhã, que de longe não pode ser distinguido facilmente: ele rende graças à Baía, ao invés competir com seu brilho (como muitos tentam fazer com a natureza maravilhosa da cidade nem sempre). Eu ainda me assusto com o ronco dos aviões do aeroporto Santos Dumont, me assombro com o tamanho dos navios e me enterneço com o vai e vem de aeronaves, barcas, carros, saveiros e jatinhos nessa poliestação de encontros e despedidas. Eu não me habituo à majestade impassível do Redentor e nem com a imponente mistura de verde e rocha do Maçiço da Tijuca. Sempre me surpreendo com a infinita caixa de lápis de cor utilizada para os pôres do sol: varia diariamente texturas e matizes, que por sua vez mudam com o passar das estações – todo dia um efeito especial. Eu atravesso a Baía de Guanabara quase todos os dias e não me acostumo – espero nunca me acostumar.

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Helê

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