As duas faces de Eva

Sou de uma geração que não assistiu Xuxa porque as manhãs eram ocupadas pela TV Mulher da Marília Gabriela, da Xênia, da Marta Suplicy, do Henfil, do Clodovil e do Ney Gonçalves Dias.

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A volta da TV Mulher mostra que a história se repete, não em círculos, mas em espiral.

Durante muito tempo, sentia que fazer parte daquele momento era algo meio revolucionário. E de certa forma era mesmo: depois de duas décadas de censura, ver um programa matinal sobre direitos das mulheres, sexualidade, humor, era uma inovação considerável. (Se pensarmos nos programas matinais que existem hoje, 30 anos depois, talvez constatemos que aquela TV Mulher seria considerada ousada demais para nossa década de 10).
Por outro lado, como dizia o poeta e ativista norte-americano Gil-Scott Heron, “a revolução não será televisionada”. Quer dizer, se uma mudança de paradigma chegou à televisão, é porque o paradigma já mudou. Por sua própria natureza, a TV não é um meio que facilite a transformação social.
A história vai se repetindo em espiral, e não em círculos, e eis que a TV Mulher está de volta. Ainda é feminista, mas de um feminismo com roupagem contemporânea. O formato está muito mais pasteurizado, como pede a comunicação de massa do século XXI. Os quadros fixos tentam emular os da primeira versão do programa e são um pastiche involuntário dos colunistas que os inspiraram. Mas o mais curioso é que de um programa diário, matutino, exibido em TV aberta (até porque não existia TV paga no Brasil naquela época), o TV Mulher se tornou um programa semanal, noturno e exibido na TV por assinatura. Sintomas de que, mesmo que a revolução nunca tenha sido televisionada, há momentos em que a televisão pede para fazer parte dela, para se manter relevante. Em outros momentos, ela perde o trem e fica vendo a história passar, da plataforma da estação.
(Texto publicado originalmente no meu blogue profissional.)
-Monix-
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No mar você nunca está sozinho

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( reblogou )

Talvez vire uma série. Vamos acompanhar. (O outro post na mesma vibe foi este.)

Helê

Apideite (5/7/16, 15:00): antes tarde que mais tarde ainda, pesquisei um bocadinho e a foto é uma composição (junção de duas imagens  reais) de autoria de Scott Methvin. A imagem não perde em nada com essa informação, mas dou o crédito a quem de direito e paro de pensar se eu queria ou não estar nesse barco 😀 .

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