Adulthood

Tenho quarenta anos – há sete anos. A sentença nasceu de uma frase mal formulada pela Menor, mas é daqueles erros que dão certo. Gostei, traduz um sentimento, ou melhor, uma condição. Essa de estar nos 40’s, esse espaço que já chamei de A Casa dos Quarenta (tomando de empréstimo uma imagem de Meu Rei, Veríssimo). Até aqui parece mesmo um ciclo, como os que a gente inventa para explicar fases históricas. Talvez tenha começado um pouquinho antes, sabe deus o quanto vai durar – a prof sempre explicou que as datas desses períodos não eram super precisas. Importa que guardem alguma coerência e coesão, e é a impressão que tenho, olhando para os últimos anos. Para o bem e para o mal – sendo que o primeiro tem a vantagem 😉 .

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Mas confesso, envergonhada: eu ainda vejo adultos. Desconfio que do mesmo modo que o menino no filme via dead people: talvez só eu veja. Ainda olho para algumas pessoas como se elas soubessem algo que eu só saberei mais tarde ou mesmo nunca. Como se elas tivessem atingido um nível qualquer – profissional, financeiro, até emocional – muito distante para mim, quase inatingível. Do modo como eu, criança, olhava para os adultos e suas complexidades, tantas que nem tinham esse nome, eu ainda não sabia palavras desse tamanho. Com o passar dos anos, vai diminuindo a quantidade de pessoas que vejo dessa forma, mas ainda existem e isso deve explicar muita coisa – só não sei quais. Deve dizer, por exemplo, o quanto eu sou imatura. Ou que ainda tenho salvação, vai saber? Vamos acompanhar.

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Helê

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