Adulthood

Tenho quarenta anos – há sete anos. A sentença nasceu de uma frase mal formulada pela Menor, mas é daqueles erros que dão certo. Gostei, traduz um sentimento, ou melhor, uma condição. Essa de estar nos 40’s, esse espaço que já chamei de A Casa dos Quarenta (tomando de empréstimo uma imagem de Meu Rei, Veríssimo). Até aqui parece mesmo um ciclo, como os que a gente inventa para explicar fases históricas. Talvez tenha começado um pouquinho antes, sabe deus o quanto vai durar – a prof sempre explicou que as datas desses períodos não eram super precisas. Importa que guardem alguma coerência e coesão, e é a impressão que tenho, olhando para os últimos anos. Para o bem e para o mal – sendo que o primeiro tem a vantagem😉 .

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Mas confesso, envergonhada: eu ainda vejo adultos. Desconfio que do mesmo modo que o menino no filme via dead people: talvez só eu veja. Ainda olho para algumas pessoas como se elas soubessem algo que eu só saberei mais tarde ou mesmo nunca. Como se elas tivessem atingido um nível qualquer – profissional, financeiro, até emocional – muito distante para mim, quase inatingível. Do modo como eu, criança, olhava para os adultos e suas complexidades, tantas que nem tinham esse nome, eu ainda não sabia palavras desse tamanho. Com o passar dos anos, vai diminuindo a quantidade de pessoas que vejo dessa forma, mas ainda existem e isso deve explicar muita coisa – só não sei quais. Deve dizer, por exemplo, o quanto eu sou imatura. Ou que ainda tenho salvação, vai saber? Vamos acompanhar.

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Helê

9 Respostas

  1. Que menina linda❤ (aqui que ninguém nos ouve, tenho as mesmas dúvidas, olho embasbacada para as pessoas que parecem sempre saber o que fazer) Bjo querida

    Nossa, Isabel aqui em casa, que honra!😀
    Você também, juura?! Não posso negar o alívio por não estar só e, ainda por cima, bem acompanhada.
    Volte sempre, Isabel, e fique à vontade: a casa é nossa.
    Aquele Abraço,
    Helê

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  2. Helê, obrigada por me deixar saber que não sou a única no mundo. Tenho quarenta anos já há seis anos e sempre me pergunto quando é – se é que – vou aprender as coisas que os adultos sabem. Bjs

    Como se a gente fosse ser descoberta e desmascarada a qualquer momento, não é mesmo? De todas as armadilhas da vida, talvez crescer seja a maior delas.
    Mas não estar só é sempre um alento😉 .
    Um abraço, Felícia; volte sempre!
    Helê

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  3. Você não está sozinha. Só espero que seja um gatilho qualquer que nossa mente dispara para dizer que nos recusamos a envelhecer. Portanto, eu tenho 40 há treze anos!!!!

    Na sua companhia vou até o inferno, Serginho, relaxei agora, hahahaha!
    Pode sim, ser a recusa pura e simples a envelhecer, por um lado. Mas acho mesmo que o tempo se move em blocos maiores (ou pelo menos pra mim é assim). Conversando com a Menor, que também pensa muito sobre isso, no início da adolescência, a gente constata que dois anos podem fazer uma diferença brutal, enquanto daqui da Casa dos Quarenta nem tanto, às vezes muda só uma luz, um enquadramento.
    Precisamos nos encontrar para devanear ao vivo sobre essas coisas, querido, vem conhecer minha casa!
    Beijocas,
    Helê

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  4. Helê, tamo junta!
    Adolescência eterna aqui :o)

    Hahahaha, TMJ, Si! o/\o
    Se bem que acho que eu passei um pouquinho da adole, a minha foi bem punk, não tenho saudade, hahahaha! Só de fumar😀 !
    Beijo, querida.
    Helê

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  5. Do alto dos meus 26 anos, que comemoro há exatos 26 anos, eu digo: quando crescer não vou ser adulto!

    Se eu fosse sacana diria que mesmo adulto você não cresceu, mas não vou fazer isso.😀
    Nossa, você por aqui? Achei que tinha desgostado do blogue.
    Bj, H.

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  6. Vou focar na sabedoria da bisa de meu filho — 96 anos e lucida. Ela deve saber dos paranaues. Eu nao!

    Hahahaha, boa meta, Mari. Se chegar aos 96 não haverá adultos but me!
    Beijos e obrigada por comentar!
    Helê

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  7. O problema é que estou nos 20 há mais ou menos uns 28 anos…

    Ah, relaxa, Gi, cada um para onde pode, hahahahaha!
    Beijoca,
    Helê

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  8. Eu também achava que ia chegar algum momento em que eu ia ser adulta. Hoje, sei nem se chego a ser.
    Lembrei da conversa no carro outro dia com o Dudu. Ele perguntou em que idade a gente deixa de ser criança. Tava inspirada e respondi que acho que a gente nunca deixa, só vai acumulando camadas.

    Nossa, Dê, inspiradíssima, eu achei a imagem absolutamente precisa, além de bonita. Vou usar.
    Eu me sinto adulta às vezes, muitas vezes, mais do que eu gostaria, na verdade. Também percebo sobre mim esse olhar que lanço aos adultos. Acho que minha ilusão anterior (dentre muitas outras) era que quando fosse adulta eu chegaria a um lugar final, que não houvesse nada além – fora a morte, claro. Mas me surpreendo com a sensação de que há um outro patamar em que não estou, ainda, se é que alcançarei. Veja, não decidi se isso é bom ou ruim, talvez não haja decisão possível; o post é mais sobre o meu espanto do que sobre a rejeição da maturidade e a celebração da juventude.
    Camadas. Realmente uma excelente imagem essa.
    Beijos muitos, querida.
    Helê

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