Freneticamente

Quando as Frenéticas estavam no auge (sim, eu vou escrever um post sobre um assunto do século passado, me deixem), eu tinha uns oito pra nove anos. Era o auge da era disco. Lembro que pedi uma festa de aniversário “de discoteca” e mamãe improvisou com lâmpadas coloridas,  gelo seco e uma vitrolinha portátil que eu e minha irmã tínhamos acabado de ganhar. O disco das Frenéticas foi o sucesso da festa.  Elas eram ídolas numa época com poucas mulheres poderosas disponíveis para prestar esse papel – aliás, elas não eram bem poderosas, estavam mais pra Perigosas.

Esse foi o disco que tocou sem parar na minha vitrolinha portátil.

Meu pai reclamava demais da nossa preferência pelas bonitas e gostosas.  Dizia que era uma música esquecível, sem qualidade. Que dali a 20 anos ninguém se lembraria de frenética nenhuma.

***

No início dos anos noventa eu trabalhava como editora na TV Manchete e não sei bem por quê um repórter resolveu fazer uma entrevista com as cantoras da minha infância. Normalmente os editores não saíam da redação, mas como a produção marcou num restaurante ao lado da emissora dei um jeito de acompanhar a gravação. Lembro das minhas ídolas contando sobre os novos caminhos seguidos depois daquela efêmera e transformadora experiência,  completamente extasiada pela oportunidade de vê-las  de perto, e de imediatamente pensar no meu pai. Quinze anos depois elas ainda estão aqui, papai. 😉

Hoje as Frenéticas podem não ser tão lembradas quanto mereciam, mas estão longe de terem sido esquecidas. E se a qualidade musical é agora indiscutível, suas letras ousadas até hoje são trilha sonora para o tal do empoderamento feminino. Tipo assim: “elogio é mixaria / se me chama de rainha / me desculpe mas não quero, não quero e não vou reinar na cozinha.”

Em julho deste ano morreu Lidoka, a ruiva da pose petulante na capa do meu disco. Daí que este post sai meio atrasado, mas antes tarde do que mais tarde, vocês sabem. É que hoje tocou uma música delas na minha playlist mental e essa história toda me voltou de uma vez só.

Não me lembro quem  eram os amigos que convidei para minha festa de nove anos. Mas das músicas das Frenéticas ainda me lembro muito bem. Durmam com um barulho desses.

-Monix-

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