Ponto de virada

 

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Em geral eles surgem sem placa ou indicação; às vezes leva algum tempo para perceber que passamos por eles. Mas, com o tempo, a gente olha pra trás e vê claramente os pontos em que a nossa história mudou de um jeito inesperado, repentino ou radical (ou todos juntos).

Tenho pelo menos dois momentos definidores na minha vida, aqueles em que ações ou eventos mudam tudo, redirecionam sua rota, alteram as coordenadas da existência. O primeiro deles, um verdadeiro twist plot, aconteceu quando eu terminei o ensino fundamental e ia para uma escola técnica. Não tinha o menor desejo de cursar eletrotécnica – que eu até hoje não sei no que consiste -, mas eu passei na prova sem dificuldade, era um colégio púbico e um particular estava fora de que$tão. Mas uma professora de Estudos Sociais, D. Braguez (de quem eu nem era próxima), considerou que seria um desperdício porque eu era muito inteligente, a escola era fraca e eu ia para lá apenas por falta de opção. Então ela foi ao melhor colégio do bairro, onde os filhos dela estudaram, pediu e conseguiu uma bolsa de estudos integral pra mim. Assim, fui estudar no Pentágono, e minha vida tomou um novo rumo por causa disso. Além do ensino de qualidade, eu descobri que o mundo era muito maior que Vila Valqueire; aquela escola ampliou meus horizontes de um modo que nenhum outro ambiente conseguiu. Fiquei tão deslumbrada que, depois de um primeiro ano excepcional, levei bomba no segundo e perdi a bolsa (e por isso me sinto até hoje em falta com a D. Braguez). Tento me desculpar lembrando que eu era uma adolescente querendo conquistar o mundo e beber a vida em grandes goles (e alguns tragos).

O segundo momento talvez seja melhor definido como um turning point – que eu entendo como ligeiramente menos radical que a virada de enredo, mas também impactante na narrativa, de maneira irremediável. Aconteceu em 2003, quando acessei um blog chamado Mothern e deixei um comentário no Livro de Visitas. Voltei – a convite da Fernanda Castro, que por isso virou minha comadre –, e muito do que aconteceu depois na minha vida deriva desse conjunto de ações. Sem o Mothern você não estaria lendo esse post agora, por exemplo. Eu teria seguido um curso diferente na minha vida se não tivesse entrado nessa trilha, que me levou a caminhos inesperados, me trouxe as melhores paisagens e as mais incríveis companhias. Um tanto de acaso, bocado de curiosidade, e muita sorte de estar no lugar certo na hora exata.

E você, consegue identificar momentos de virada na sua vida? Qual foi o seu turning point (ou quais foram)?

 

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Helê

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