É que hoje é nosso aniversário

E quando chega nosso aniversário a gente não dispensa uma celebração. Esse ano nos reunimos com nossas outras crias – as melhores e mais bem acabadas ;- ) . Desse encontro íntimo e feliz, seguem alguns flashes:

13 anos momentos de uma comemoração:

1. Conferir a agenda dos filhos para saber se ELES estão disponíveis.
2. Rever com nostalgia o bairro onde já morou – no caso, o adolescente, hahaha!
3. Buscar o kit de corrida antes ir para o almoço.
4.Tirar uma selfie na chegada antes de passar o guardanapo no batom.
5. Voltar do bufê com o prato na mão e encontrar os fridinhos em uma animada conversa sobre o que andam fazendo. Em esquema de rodízio – minha vez, sua vez.
6. Conseguir passar uma hora inteira com as crias sem ter que reprimir a hiperatividade de ninguém.
7. Ouvir o Vítor falando com ternura e empolgação sobre a experiência de ser irmão ♥
8. Falar sobre política nacional e internacional COM eles, e não apenas entre nós.
9. Constatar que ainda não estamos totalmente ultrapassadas digitalmente.
10. Presenciar o diálogo:
– Você precisa entrar numa rede social pra saber das notícias.
– Existe uma coisa chamada jornal, sabia? (tente adivinhar quem disse o quê).
11. Planejar uma viagem para o próximo fim de semana sabendo que eles vão ficar bem por aqui (e talvez nem reparem que a gente saiu!).
12. Decidir que o único jeito de resolver os problemas do país é dar um reset. E criar a hashtag #Resetajá
13. Conseguir pensar uma comemoração diferente, depois de 13 anos.

Obrigada, leitoras e leitores. Agora é celebrar aqui, com os comentários de vocês.

As Suas Fridas

Com aviso

(Phoenix Ignition)

 

Da série Corações

Helê

À Beira do Abismo

Para ler escutando:

 

Tenho evitado falar sobre política nas mídias sociais, porque né? Porquê.

Mas outro dia meu amigo M., que mora fora do Brasil há muitos anos, mandou essa: “uma pergunta – pergunta mesmo, lembrem-se que eu moro longe: era para ter deixado a Dilma, então? a roubalheira do lado de lá (pelo jeito,  Brasil é o único lugar do mundo onde roubo tem lado) podia?”

M., querido, não sei se eu diria que era para ter deixado a Dilma – assim, como filha de historiadora, não consigo trabalhar com o “se” na História. O “se a Dilma tivesse ficado” é um cenário que não existiu, então não sei se seria melhor ou pior. Inclusive porque abre outros “ses”: se o Cunha não fosse um escroque, se o Jucá não tivesse dito que tinha que botar o Michel “lá” para conter a Lava Jato, se o Mantega tivesse mais juízo, etc etc.

Mas, pensando aqui em como poderia explicar o que considero as diferenças entre “a roubalheira de lá e a roubalheira de cá”, como você disse, fui recuperar uns textos que escrevi na época do impeachment/golpe, no calor dos acontecimentos.

19/03/2016 (mais ou menos na época em que Lula foi nomeado e desnomeado para a Casa Civil)

Basicamente, é o seguinte: se tiver que haver impeachment, que seja. Impeachment é democrático. Nada contra. Mas o motivo não pode ser “a Dilma é incompetente” ou “o Lula é ladrão”. Incompetência não é base para impeachment e o Lula não é presidente. Pra mim, o grande erro da Dilma (e olha que ela errou um bocado) foi ter trazido o Lula (e consequentemente a Lava Jato) para dentro do governo. Ao fazer isso, ela talvez tenha dado o argumento que vai pesar contra ela no julgamento do impeachment. Até então, não havia nada muito além da insatisfação “popular”. E é contra esse “julgamento sumário” das ruas e da grande imprensa que se grita “não vai ter golpe”. Impeachment não necessariamente é golpe. Apoiar a saída de uma presidenta na base do “custe o que custar”… me desculpe, mas é sim.

13/05/2016 (em resposta a um amigo que dizia que “quem votou na Dilma votou no Temer”)

Quanto ao Temer=Dilma, é importante ter em mente que embora originalmente fossem a mesma coisa (fruto desse pragmatismo político que foi o que fez o PT subir e depois cair), a partir do momento em que o impeachment começou a ganhar força, ele passou a conspirar abertamente contra a presidente de quem ele é o *vice*. Traição política é uma coisa que existe! E quem foi traído tem o direito de reclamar.

Temer traiu a chapa pela qual se elegeu. E essa conversa de que quem votou nela votou nele, por favor, me poupem. Ninguém vota no vice. Já é difícil escolher o candidato. Se tiver que escolher dois, que estejam na mesma chapa ainda por cima, ninguém vota em ninguém.

Agora, de volta a esta semana estarrecedora:

Olhando retrospectivamente, para mim o que ficou muito claro é que o impeachment/golpe foi dado com base em um processo legal, mas nada legítimo*. O que se delineava na época pré-golpe – e se desenhou claramente nos últimos 12 meses – foi (na minha opinião) uma conspiração para retirar do poder o grupo eleito, com o projeto de governo do grupo eleito, e implementar na marra reformas impopulares que não foram aprovadas nas urnas. (E que, cá entre nós, caem muito bem aos financiadores de ambos os lados da briga pelo poder – que por acaso financiaram também o tal pato amarelo e, de resto, toda a política brasileira desde a industrialização até hoje).

Os dois grupos que brigam pelo poder político foram coniventes com a roubalheira estrutural que é a política brasileira. O do PT fez isso conjunturalmente (dado que começou de 2002 em diante) e em uma proporção provavelmente muito maior, dado que tinha por objetivo financiar uma *máquina partidária*, que custa mais caro que apenas os luxos pessoais das pessoas físicas. (Embora essa questão da proporção eu questione, porque não temos como saber quanto se roubava antes. Verdade seja dita, só durante os governos do PT a corrupção passou a ser investigada a sério no Brasil, então não temos parâmetro.) Já o grupo dos conservadores fez isso estruturalmente, pois são os descendentes ou herdeiros políticos dos mesmos coronéis que comandam o país desde a República Velha – são, quase todos, coronéis envernizados. Ou seja, ao longo de 500 anos com certeza o prejuízo foi exponencialmente pior, mas, enfim, não podemos julgar quem já morreu. Temos que trabalhar com os dados que temos e prender quem está vivo.

Se há diferença entre uma roubalheira e outra? Para as contas públicas, não. Para a estabilidade institucional, eu tendo a pensar que sim. Como eu escrevi lá em cima, no texto de março do ano passado, o que me amedrontava nesse impeachment/golpe era o passar por cima de qualquer razoabilidade em nome de um maquiavélico “os fins justificam os meios”. Tecnicamente havia base para impeachment, mas não era um motivo razoável, dado que todos os governantes do Brasil cometiam regularmente as mesmas “pedaladas”**. Já no caso do Temer, há uma gravação do presidente, no exercício do poder, obtida de forma inquestionavelmente legal, numa clara tentativa de obstrução de justiça. Isso realmente é crime de responsabilidade, que é, se não me falha a memória, o único motivo constitucional para impeachment no Brasil (o que é um pouco mais subjetivo é a definição de crime de responsabilidade).

Mas o que derrubou a Dilma – e provavelmente vai derrubar o Temer – é a perda de base parlamentar. No Brasil (não sei como é em outros países de sistema presidencialista), se o presidente perde apoio no parlamento, dança. Mais cedo ou mais tarde, mas dança.

O julgamento de Dilma pelo Congresso era político – ok, impeachment é julgamento político mesmo – mas já começou decidido. Foi um momento decisivo na história institucional do país, na minha opinião. Fizemos um novo pacto social em que assumimos que usaremos a lei conforme a conveniência do momento***. Os poucos passos à frente que demos desde a constituição de 1988 foram tão retrocedidos que nem sei. Muito deprimente.

Enfim, essa é uma avaliação super enviesada ideologicamente, porque eu votei (relutantemente, é bom que se diga) na Dilma, acho o projeto de governo do PSDB e dessa centro-direita brasileira o fim da picada, e sei lá, dado que a corrupção na política brasileira é estrutural, fico tendendo a pelo menos torcer pelo lado que efetivamente promoveu mudanças sociais relevantes e não pelo lado que pretendia retirar direitos sociais já mais do que estabelecidos, retrocedendo uns 60 anos em termos de conquistas sociais.

Como a corrupção no Brasil é generalizada e estrutural, esse discurso anti-corrupção para mim não cola. Ele pode ser usado contra qualquer um. E, de fato, só é sacado da cartola quando convém (vide caso Fernando Collor).

Perdidos

Nós, mais perdidos que nunca!

Como diz meu namorado, pior que um governo ruim é um governo desesperado. Isso valia para os últimos dias do governo Dilma e está valendo mais ainda agora. Vamos pedir piedade, Senhor – pr’essa gente careta e covarde. E para nós, que somos governados por eles.

-Monix-

* Aqui cabe uma observação: quando penso em processo, penso em rito processual. Havia indícios suficientes para investigar. Acho até que podia haver indícios suficientes para levar a votação. Várias testemunhas falaram e a própria Dilma respondeu mil perguntas. Se tudo o que foi dito tivesse sido ao menos ouvido, na minha opinião ela seria absolvida – mas o julgamento já começou decidido. Por isso que avalio que foi ilegítimo – o rito processual foi um jogo de cena, para dar justamente a aparência de legalidade – cortina de fumaça para os ingênuos ou mal intencionados confundirem legalidade com legitimidade.

** Se era para tirar um governo eleito por causa de corrupção – e eu acredito que até haveria base para isso –, tinha que ter sido esse o argumento. Não faltariam provas, bastava esperar as investigações avançarem, como avançaram. Mas resolveram acatar um pedido escrito por uma advogada com ares de exorcista, sustentado em uma tecnicalidade ridícula. Então, agora aguentem. A História é escrita pelo pessoal de Humanas 🙂

*** Vale também refletir no quanto de poder está sendo transferido – nos dois momentos – do Executivo para o Legislativo e o Judiciário. O equilíbrio entre os poderes é premissa básica das repúblicas iluministas. Tem que ver isso aí.

De mãe (e de pai)

(Fetal Heart by ShawnCoss)

Da série Corações

Helê

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