Back to basics 

Boa música, como se sabe, nunca sai de moda. Mais que isso, suspeito que para pessoas de uma certa idade são as velhas canções as mais eficientes naqueles momentos cruciais da vida, assim, quando dá ruim de verdade. Recorremos àquelas que a gente ouviu quando era pequeno ou bem jovem, às primeiras que a gente fez interpretação de texto quando nem sabia que tinha esse nome.

Bom, pelo menos comigo é esse o padrão. Há algum tempo, quando o oceano da vida me mandou um tsunami que nenhum radar foi capaz de detectar, eu me peguei cantarolando Guilherme Arantes, porque eu que tinha tudo (ou quase) queria estar no escuro do meu quarto e daria tudo por meu mundo e nada mais. Uma canção que aprendi quando tinha uns sete anos de idade, com a novela Anjo Mau, na versão em preto em branco (pelo menos na minha televisão era). Quando me separei eu me peguei garrada no Milton e repetindo “forte eu sou, mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar”, versos aprendidos antes de ser capaz de tamanha tristeza. Quando o amor acabou, ouvi mil e uma canções de separação, mas a explicação mais precisa e honesta veio num samba de Cartola, preciso desde o título: “Acontece”. Faz parte de um disco maravilhoso que meu pai ouvia semana sim e outra também, e que sei de cor. De coração – de onde saem para me acudir e consolar, sempre que preciso, essas canções que aprendi muito cedo, e que compreendi antes mesmo de entender.

E você, pra que canções antigas você corre ou quais te alcançam quando você precisa?

 

Helê

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