Amyr

Depois de muitos anos e livros, tive a oportunidade de assistir a uma palestra de Amyr Klink, esse agora senhor, saído diretamente da minha galeria de heróis (felizmente nem todos morreram de overdose). Fascinante estar pela primeira vez diante de alguém que, como comprovou a fala dele, eu já conhecia. Sabia muitas das histórias, lembrei de trechos dos livros, perrengues de viagem, uma singular intimidade que só o livro proporciona. Encontrei exatamente o Amyr que eu tinha na memória, ainda que tenha sido a primeira vez que o vi. Talvez mais engraçado, seguramente mais envelhecido – muito embora tenha remoçado visivelmente após 2 minutos de palestra. Aliás, impressionante como seu semblante passa de circunspecto a vibrante assim que assume a função de orador, falando por mais de hora e meia com entusiasmo. E imediatamente volta à introspecção ao final, quando volta a personificar o marinheiro tímido, satisfeito com o carinho da plateia mas claramente deslocado em meio a cumprimentos efusivos.

Comandante do seu destino, capitão dos seus desejos, esse cara que me ensinou a importância do planejamento e da perseverança, disse uma frase maravilhosa e surpreendente: “Um plano serve para a gente saber o quanto se afastou dele”. Também disse logo no início do encontro, com uma honestidade quase infantil, que morre de medo do mar. Sempre há algo novo a aprender com os mestres.

Amyr me ensinou muito mais do que posso enumerar, de grandiosos sucessos a retumbantes fracassos, igualmente didáticos e importantes. Pela segunda vez na vida que pedi um autógrafo para alguém que realmente admiro, com o coração disparado e tropeçando nas palavras. Saí feliz como uma criança, emocionada, segurando junto ao peito o livro que me conduziu a histórias nunca antes navegadas, a partir do qual desbravei outros mares, com o qual atravessei oceanos de conhecimento e prazer.

Helê

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2 Respostas

  1. […] do Amyr; Atílio (que viajou fora do […]

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  2. Eu só pedi autógrafo uma vez na vida e foi para o Mestre gaúcho. É o seu caso?

    Bingo, Ruban! Veríssimo, meu rei, foi outra pessoa a quem pedi autógrafo. Pra ser honesta, pedi um ou outro antes, quando era adolescente, porque tive oportunidade. Depois achei sem sentido e só fui pedir de novo e de verdade, encarando horas de fila, pro Veríssimo. 2 vezes. Na terceira quem pediu foi minha filha e tirei uma foto dos dois. Agora vou deixá-lo em paz, prometo.
    Só com ele e com o Amyr fiquei sinceramente aturdida e emocionada.
    Beijoca; que bom te ver por aqui! Apareça sempre!

    PS: Essa url que aparece como sua tá errada, né?
    Helê

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