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Nossa visão da manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Rio, ontem.
Duas amigas deste blogue trabalham em comunidades aqui no Rio de Janeiro: uma em escola municipal na Favela da Maré; outra em projeto social no Jacaré.
Curiosas sobre a repercussão do assassinato da vereadora Marielle Franco, “cria da Maré”, como ela mesma se definia, descobrimos que o impacto dessa brutalidade foi menor do que imaginávamos. Segundo nossa amiga professora, pouco se fala sobre política na escola; as crianças não tiveram muita percepação sobre o que aconteceu; e no grupo dos mais velhos, só os que participam de projetos estão mais abalados com o caso. No Jacaré o cenário é semelhante.
Ontem lemos em algum lugar das internets que o recado que se queria passar com o assassinato de Marielle não era para a classe média branca, e sim para os negros da favela. Inicialmente questionamos essa leitura: não fazia sentido pensar sob a perspectiva do que nos separa, e sim do pouco que temos em comum. E mais: se a mensagem era essa, não teria sido ouvida por quem de direito.
Mas, à luz dos depoimentos dessas duas amigas queridas, talvez esse recado já esteja dado há muito tempo. O recado, mais do que assimilado, é que política não é coisa para favelado. “Não vamos nem nos dar ao trabalho de ensinar isso na escola.”
E a louca que tentou desafiar essa verdade óbvia, mataram.
As Duas Fridas
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Todos negros ;-)
Helê
PS: Michelle fez o quê? Foi conhecer a menina.
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Demorei a escrever sobre o filme Pantera Negra porque queria que meus amigos vissem sem muita expectativa, mais ou menos como cheguei ao cinema junto com minha filha. A esta altura do campeonato acho que todo mundo já viu. E da arte de fazer amigos e influenciar pessoas eu sei um pouco só da primeira parte. Também queria escrever algo, se não tão bacana quanto o filme, pelo menos digno de Wakanda. Vou tentar.
Pantera Negra começou a me encantar, antes de tudo, pela beleza – que eu sou militante pela igualdade racial, feminista e tal e coisa, mas sou também libriana: estética me arrebata, e a do filme é absolutamente estonteante. E me pareceu construída a partir de diferentes referências, texturas e padrões africanos, uma representação diversificada de um continente idem, ao contrário do que acredita o senso comum. (Impressão confirmada em várias matérias, como esta do Buzzfeed e este vídeo do NYT)
Também chamou atenção e agradou de cara o inglês não americano dos personagens. Pode parecer um detalhe, mas faz toda a diferença para tornar verossímil aquela fantasia exuberante que matém um pé na vida real. Percebo agora, ao escrever, que o filme conquistou meus sentidos antes que meu coração e mente (que se renderiam pouco depois). Um bom começo, já que é o que se procura no cinema, ser levado pelos sentidos para outras realidades.
O filme do jovem diretor Ryan Coogler tem tudo o que se espera de um filme do gênero: cenas de ação e luta, efeitos tecnológicos, queda e redenção, sem esquecer algum sentimentalismo. Mas tudo feito de uma maneira competentíssima e bem dosada – além de linda, como eu já disse. E escapa, sempre que pode, das obviedades: estão lá as mulheres empoderadíssimas, tanto e tão imprescindíveis à trama que nem precisam ser protagonistas. E, como disse uma espectadora sagaz, elas não são fortes porque sofreram, porque precisaram superar obstáculos etc., elas são fortes apenas porque são.
Pantera tem outras sutilezas, além do sotaque dos personagens, que contribuem para o acerto do filme, várias pequenas subversões cativantes: um herói que “congela” diante da mulher que ama, um vilão que, quando morre, a gente lamenta, porque era divertidíssimo; um branco que até ajuda mas não salva a pátria nem mocinha alguma; inimigos que acolhem, amigos que fazem escolhas equivocadas. O roteiro desvia de muitas cascas de banana em que podia tombar feio, seja escorregando na militância panfletária ou caindo nas soluções pré-fabricadas de filme-pop-de-HQ – dos quais, afinal, ninguém espera mais do que diversão. Mas Pantera Negra entrega mais, diverte com inteligência e humor. E entretém de fato: passei duas horas na sala escura sem lembrar de boletos e demais aporrinhações.
Para mim, a maior ousadia do filme foi colocar na boca do antagonista a fala mais contundente: uma referência aos antepassados que preferiram a morte ao cativeiro. Forte, comovente e carregada de significados, o mais evidente deles a existência de múltiplas formas de resistência e de ser negro.
Ah, sim, eu mencionei que o elenco é composto de 90% de atores negros, assim como o diretor? Não? Pois o filme também não alardeia sua negritude: ela está lá, plena como deveria, majoritária como nunca, provocando variados efeitos na audiência, difíceis de mensurar mas indeléveis (tipo Obama na presidência). Sendo negra, o filme tem para mim valor e importância únicos, que a plateia branca pode (e deve) imaginar a extensão. Eu o vejo de outro lugar – como no culto da igreja no Harlem, onde nós ficamos em assentos diferentes (e melhores que) os dos turistas.
Eu chorei ao final de Pantera Negra pelo conjunto da obra, por estar vendo ao lado da minha filha, pelo que ele representa ou pode representar para as novas gerações, e por ter esperado quase 50 anos para ver um filme assim.
Helê
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