Perder

Nunca assisti “Highlander” todo, só o início, mas não esqueci da angústia do guerreiro imortal, que era ver morrer quem ele amava, ao longo de séculos. (Acho que Dorian Gray tem sentimento semelhante.) Descubro, dolorosamente, que esta é a angústia de todos nós, e que tende a ser mais recorrente a partir de uma certa idade, sempre muito mais cedo do que a gente gostaria…

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A arte de perder, da qual fala tão lindamente a Bishop, eu não domino – embora não seja, como ela diz, um mistério.

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“Vocês eram próximos?” Sim; de certas pessoas você fica próximo, para sempre. Mesmo que não veja há meses ou anos. Basta um encontro e está tudo lá intacto, sem nem poeira: o carinho inteiro, a cumplicidade, o bom humor partilhado, um capítulo da sua vida reavivado, presente.

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Os ritos de passagem, o reencontro sofrido em circunstâncias idem, o luto. Aqueles momentos da vida que você precisa seguir o caminho mais difícil porque não há alternativa nem retorno: não há atalho na dor.

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Fui amparada por amigos atenciosos, delicados, disponíveis; por um punhado de canções do Lenine, um livro sobre o Chico Buarque e pelo Flamengo. Pedi ajuda e usei o que tinha à mão: dois dos ensinamentos básicos de qualquer manual de sobrevivência.
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“A vida é tão rara. A vida não pára.”

Helê

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