Feminismo pra quê?

Hoje na news do Canal Meio estava essa matéria inacreditável, feita a partir de uma notícia do Globo:

A Universidade de Medicina de Tóquio manipulou, deliberadamente, as notas de mulheres candidatas ao vestibular. Por ao menos uma década. Pois é. As notas dos homens, incluindo os que falharam uma ou duas vezes, eram aumentadas artificialmente, enquanto as notas de todas as mulheres e dos homens que falharam três ou mais vezes não recebiam o mesmo tratamento. A investigação concluiu que os resultados foram manipulados para reduzir o número de mulheres admitidas. Os diretores da universidade acreditavam que futuras médicas estariam mais propensas a abandonar a profissão para cuidar dos filhos. (Globo)

Você entenderam? Uma universidade dificultando o ingresso de mulheres sistematicamente durante pelo menos 10 anos! Ao ler, me ocorreu imediatamente a pergunta teórico-sarcástica, “Feminismo pra quê, né?”. E logo depois eu lembrei da nota de ontem, no mesmo informativo:

Nos Estados Unidos, as mulheres são menos propensas que os homens a sobreviver nos anos após um ataque cardíaco. E de acordo com um novo estudo, isso se deve em parte à maneira como as mulheres são tratadas, mas também ao gênero dos médicos que as tratam. Pois é. Pesquisadores americanos constataram que as mulheres vítimas de ataques cardíacos têm mais chance de sobreviver se forem tratadas por médicas. E mais: as taxas de mortalidade das pacientes atendidas por homens diminui conforme eles tratam de mais mulheres, e especialmente se trabalham em hospitais com mais médicas. Pode ser que isso aconteça porque as mulheres se sintam mais à vontade para explicar seus sintomas a elas, que, por sua vez, são mais propensas a conectar esses sintomas a ataques cardíacos. É que eles se manifestam de maneiras diferentes nas mulheres, que acabam demorando mais para procurar ajuda e, muitas vezes, são dispensadas sem diagnóstico.

Ou seja: precisamos do feminismo para ser médicas e para ser medicadas. E até para ter médicos melhores e pacientes mais bem atendidos, também os homens. E tudo isso me lembrou uma das minhas feministas favoritas, Miranda Bailey, diagnosticando seu problema cardíaco e lembrando que para mulheres negras o buraco ainda é mais embaixo:

Ainda não descobri pra quê não precisa de feminismo (feminismo negro included)

Helê

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