Como fui parar na cidade do Stephen King – e só descobri depois de ir embora

Como vocês já sabem, em junho deste ano eu participei de um congresso acadêmico nos Estados Unidos, experiência que por si só valeria vários posts e/ou muitas horas de conversa. Não só pela parte acadêmica, que, claro, foi importantíssima, mas também pela oportunidade que tive de ir a alguns lugares que jamais teria visitado como turista.

O congresso foi realizado na Universidade do Maine. O Maine é aquele estado que fica no extremo nordeste dos Estados Unidos, já entrando pelo Canadá. Para vocês terem uma ideia, a cidade de Orono, onde fica o campus, é mais setentrional que Toronto, e quase na mesma latitude que Montreal. Para chegar lá, foi preciso voar até Boston, em Massachussets, alugar um carro e dirigir 400 quilômetros rumo ao Norte.

Mapa do Maine

O Maine fica lá no alto dos Estados Unidos…

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Ao pesquisar as possíveis rotas para chegar na universidade, aprendi que a cidade mais próxima onde há um aeroporto (que acabei não conhecendo porque optamos por ir de carro) chama-se Bangor.

Bangor, Maine.

Se você é fã de Stephen King, provavelmente reconheceu este nome. Eu não sou, por isso cheguei lá completamente desavisada.

Eu e minhas roommates passamos por Bangor duas ou três vezes durante os dias que ficamos na universidade. Já na chegada, fizemos uma primeira parada para um lanche (jantar “comida de verdade” nos Estados Unidos é sempre um desafio), depois de praticamente um dia inteiro de viagem – fizemos algumas paradas no caminho para conhecer a encantadora Nova Inglaterra. Nos dias que se seguiram, fomos à cidade comprar comida ou de passagem, em direção a outros lugares.

Bangor, Orono e outras cidades pelas quais passamos são muito parecidas. Há a indefectível Main Street, que no caso da Bangor é uma avenida larga, com várias pistas de cada lado, extensa, cheia de cruzamentos. Há o também indefectível McDonald’s, o Subway, a Wendy’s, a Best Buy, o Walmart, ou seja, todas as cadeias que nas décadas recentes vêm sendo acusadas, não sem razão, de destruir o comércio local nos Estados Unidos, criando grandes monopólios em seus segmentos. Nas ruas transversais, há casas e mais casas, em centro de terreno, com um gramado na frente e um backyard, sem cerca nem portão. Nada de comércio, nada de calçadas, nem iluminação pública. A impressão que dá é que é impossível fazer qualquer coisa sem pegar o carro. E em algum ponto da cidade, há, na beira da rua, sem aviso prévio, as woods. Sabe quando você vê nos filmes ou séries de TV (ou lê nos livros) que alguma coisa sinistra aconteceu numa mata ou floresta? Eu sempre ficava me perguntando – mas gente, que mata é essa? As pessoas estavam na cidade, de repente apareceu uma floresta na beira de um rio ou de um lago, do nada? Pois é. Do nada. É assim mesmo que são as cidades americanas, pelo menos as que conheci lá no extremo norte.

E tem mais: mesmo no verão, quando anoitece surge uma neblina fraca, uma névoazinha que basicamente só serve para dar aquele clima de filme de terror. Fico pensando que no outono e no inverno esses lugares devem exemplificar muito perfeitamente o adjetivo “lúgubre”.

Fonte: AA Roads

Chegando a Bangor, uma cidade como outra qualquer. Foto: AA Roads

Enfim, Bangor não era meu destino final, nem meu ponto de partida, e foi basicamente uma cidade por onde passei algumas vezes para resolver questões práticas, como comer ou chegar a algum lugar.

Foi só quando já tinha saído do Maine, de volta a Boston para pegar meu voo para o Brasil,  que vi no Instagram de um colega que foi ao mesmo congresso a foto:

casa do stephen king

Foto: Rafael Sobreira

Hã? Como assim?!?

Só então fui pesquisar e descobri que sim, Bangor, no Maine, é a cidade onde mora Stephen King, autor de tantos best-sellers, nenhum dos quais eu li, e muitos dos quais foram adaptados para grandes sucesso do cinema (alguns eu vi).

O que, claro, explica muita coisa. Aquela neblina de verão que me causou arrepios quando eu dirigia por uma estrada mal iluminada, cercada de woods por todos os lados, não apenas parecia um cenário de uma história de terror.

Era o próprio.

-Monix-

 

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