Minha turma, parte 2

Uma das minhas características mais marcantes é a introversão, e um dos meus muitos defeitos é a preguiça. Daí que quando uma amiga muito querida me convidou para comemorar seu aniversário a 34 quilômetros da minha casa, em uma festa onde eu não conhecia ninguém*, claro que meus motivos para não ir eram muito maiores que a vontade de ir.

Mas eu fui.

Quem é introvertido/a sabe que nosso problema não é “não gostar de outras pessoas”; é mais uma questão do esforço despendido para interações sociais, especialmente com pessoas não conhecidas. Deve parecer estranho para quem tem uma personalidade diferente dessa, mas é realmente extenuante para mim conversar com pessoas que não conheço ou conheço pouco. Eu gosto, mas fico exausta.

Enfim, tudo isso pra dizer que ontem eu fui a uma festa que por todos os motivos não deveria ter ido, e puxa, como é bom às vezes lutar contra minha natureza de lone ranger. Os amigos da minha amiga são pessoas incríveis, que tocam Mutantes na viola de gamba e Supertamp no  teclado, e cantam Renaissance a capella. As filhas da minha amiga cozinham coisas deliciosas e homenageiam a mãe de um jeito lindo, que me fez pensar que nós motherns provavelmente fizemos alguma coisa muito certa mesmo, porque – modéstia à parte – nossas crias são tudibom.

bolo naked cake de morango

Vai um pedaço?

Volto pra casa e entro no Facebook, no Twitter, sei lá, no WhatsApp, e  embora minhas redes sejam em geral limpinhas e educadinhas, não tem jeito, as interações nesses ambientes são meio que condicionadas ao conflito, ao binarismo próprio do I/O do mundo digital. Aí só resta pensar, e cada vez mais acredito nisso, que nossas festas são melhores, nossos afetos são mais quentinhos, e, aconteça o que acontecer, o melhor antídoto contra um mundo deprimente é encontrar a nossa turma e ficar junto dela. A música, a bebida e a comida da minha amiga D. são tão reais quanto a política de Brasília ou o topete do Trump. E são muito mais legais, vai dizer?

-Monix-

*Helê ia comigo, depois precisou desmarcar. E agora, José? Fui sozinha, ué.
Obs.: Esse post vai ficar arquivado na categoria “Ágora“, porque é sempre bom lembrar que beber e cantar também são atos políticos.
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7 Respostas

  1. Que bacana Monix! Adorei ler seu post e me sentir dentro dele. Beijos e prazer em conhece-la.

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  2. Que lindo e que sorte a nossa!

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  3. Ah, querida! Foi TÃO bom ter você aqui! A gente tem mesmo que aproveitar as oportunidades de se abraçar ao vivo. O contato vitrual é ótimo e considero uma grande sorte viver num tempo em que isso é possível, mas não basta.
    E festa com quem a gente gosta é bom demais! Continua dentro do peito mesmo depois de tudo guardado e a casa faxinada.<3

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  4. Poxa, queria ter ido. Não só porque estava de olho nas delícias que as meninas estavam preparando , rs, mas porque a aniversariante é mais delicia ainda! ❤️

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  5. É tão difícil romper com essa coisa de ser invisível e forçar uma socialização real. Mas, quando a gente consegue e tem um desfecho feliz como.o seu é tão bom! Ando precisando reencontrar minha turma.

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