Sem palavras, sem ação

O que dizer diante do fogo que destrói a memória de um país?

Nada. E tudo. Mas, ao fim e ao cabo, nada mesmo.

***

Desde domingo tenho pensado muito na Biblioteca Nacional. Enquanto muitas das minhas amigas compartilham memórias afetivas inesquecíveis do Museu Nacional, eu confesso que tenho uma relação menos emocional e mais intelectual com ele. Quando criança, não era a Quinta da Boa Vista meu programa de domingo – minhas brincadeiras eram no Parque da Cidade, no Parque Lage, no Jardim Botânico. Coisas de menina-zona-sul que fui (e sou). No entanto, depois de adulta, e principalmente depois de me (re)aproximar da vida acadêmica, só aumentou meu respeito pela instituição – muito mais que um museu, trata-se de um centro de produção de conhecimento de altíssimo gabarito. Sua importância vai muito, muito além das peças exibidas para os visitantes que por lá passavam.

Mas, enfim, o que a Biblioteca Nacional tem a ver com isso?

É que do mesmo jeito que minhas amigas têm essa relação afetiva com o Museu Nacional, eu me sinto ligada (de um jeito meio platônico, diga-se de passagem) à Biblioteca.

No início dos anos 1990, na esteira da extinção de várias empresas estatais durante o governo Collor, meu pai, que tinha sido funcionário público quase toda a sua vida profissional, se viu sem emprego. Mas, graças às voltas que o mundo dá, foi convidado a ser diretor administrativo-financeiro da BN. Já naquela época, falava-se em um projeto que tiraria o acervo de obras gerais da situação de armazenamento inadequada em que se encontrava (e ainda se encontra), concentrando a coleção em um equipamento mais moderno, maior, mais funcional, na zona portuária.

Na época, a região do Porto do Rio estava completamente decadente. Hoje, por conta do tal legado olímpico, bem ou mal a cidade ganhou uma área totalmente revitalizada. O projeto do edifício anexo (que inclusive já foi selecionado em concurso e tudo) ficaria incrível, se fosse executado. E resolveria de forma mais permanente a preocupação que todos temos com as condições de preservação de – simplesmente – tudo o que foi publicado no Brasil desde que o país existe até hoje – e além.

Resultado de imagem para projeto vigliecca biblioteca nacional

Projeto de Vigliecca & Associados para o Edifício Anexo da Biblioteca Nacional.
Fonte da imagem: ArchDaily

Depois que papai saiu da BN, tive contato com algumas amigas e amigos que trabalham ou trabalharam lá. Eu mesma cheguei a cobrir alguns eventos, profissionalmente. Minha torcida pela Biblioteca só aumenta. Minha admiração pelas pessoas que lá trabalham, e que a ela dedicam sua vida, é imensa.

Estou pensando no que posso fazer para ajudar mais concretamente, em vez de ficar só resmungando nas mídias sociais. Se você acha que outros equipamentos culturais também merecem mobilização, faça o mesmo. Não tenho esperanças vãs – sei que em época de crise, a primeira coisa que dança são os orçamentos de educação, cultura, ciência e tecnologia. Mas não posso ficar quieta, vendo tudo em que mais acredito e tudo o que mais amo virar cinzas – em alguns casos, literalmente – sem fazer nada.

-Monix-

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: