#EleNão

“Não dá para conversar com extremistas de nenhum dos lados”, me disse a Sócia. O trabalho é com indecisos. E com os nulos e brancos, eu acrescento. Há, entre eles, os que defendem seu não-voto como forma de protesto ou coisa que o valha.

E é.

A pergunta é:  importa mais protestar ou defender a democracia? Porque é isso que está em jogo com a candidatura militar em primeiro lugar nas intenções de voto. (Que bizarra essa frase!)

Se havia alguma dúvida sobre isso, terminou ontem, com a declaração do candidato a vice na chapa de milicos, que após defender mudanças na Constituição, afirmou que a carta magna do país “não precisa ser feita por eleitos pelo povo.”

(Na minha cabeça o Ulisses Guimarães fica repetindo “Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo!” em looping, como uma mixagem hip-hop ou um disco arranhado).

Entre extremistas, deboístas, isentões, direitopatas e as demais nuances que se quiser nomear, precisamos preservar o que nos permite divergir e coexistir, e é democracia que chama. E quando alguém sugere que o conjunto de leis que regulamenta a vida dos cidadãos não precisa ser feita por seus representantes, é a democracia que está sofrendo um atentado, e gravíssimo.

Acontece que esse conceito que a nos parece tão básico e óbvio, nem sempre o é para quem já nasceu tendo assegurado o direito de votar (e de outras coisas mais que a democracia, imperfeita mais necessária, possibilita).

Então hoje, quando mostrei pra moça, matematicamente, que se ela votasse nulo estaria ajudando o candidato que lidera as pesquisas, ela ficou balançada.

Mas quando eu disse que esse pode ser o último voto dela, ela ficou realmente assustada.

É preciso estar atento e forte. De novo e sempre.

 

Helê

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