Menino de antigamente

tiradentes
Quando esse menino era desse tamaninho, a gente foi passear em Tiradentes com o vovô. Lá tem essa brincadeira de tirar foto vestido de gente de antigamente. Aí a gente estava se preparando, vestindo os figurinos, e era preciso entrar no personagem. Eu disse pra ele: naquela época os meninos tinham que ficar muito quietos e muito sérios para tirar retrato.
Ah, pra que?
Foi uma avalanche de perguntas! Mas porquê, mamãe? Por que não podia se mexer? Por que não podia rir?
Tentei explicar que a câmera era diferente, que se a gente se mexesse ou mudasse a posição do sorriso, com o longo de tempo de exposição do “filme” (filme? o que é isso, mamãe?), a foto sairia toda borrada.
Mas não era só isso. Toda a sociedade era mais rígida. As crianças eram ensinadas desde que nasciam a não questionar, a obedecer. “Respeitar os mais velhos” não tinha o significado empático e amoroso que damos hoje à palavra respeito. Respeitar os mais velhos significava, basicamente, temer os mais velhos e evitar aborrecê-los.
Era como se eu estivesse falando de outro planeta!
Não foi assim que ele – e, em grande medida, a sua geração – foi criado. Para ele o mundo é um lugar onde ele se sente à vontade para se expressar o tempo todo. Seja na inquietude de quem não consegue ficar cinco minutos sem batucar em qualquer superfície que se apresente, seja na necessidade de perguntar tudo sobre tudo (sim, gente, pensem numa pessoa perguntadeira – agora multipliquem por dois), seja na capacidade de formular todo tipo de teoria maluca sobre esse mundo imperfeito em que vivemos. E, principalmente, na ânsia de contribuir para transformá-lo em um lugar melhor. Para todos nós.
O menino já não é pequenininho – pelo contrário, é um moço feito, “de barba na cara”, para meu permanente espanto (nunca me acostumarei).
Para mim, ele sempre será esse menino inquieto, que tudo quer saber e que muito tem a dizer. Neste Dia das Crianças não tem presente. Só o desejo de que o mundo continue andando pra frente. O que já é bastante.
-Monix-
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2 Respostas

  1. Não pude deixar de lembrar dele na colônia de férias do Gato Mia, ansioso pra falar fazer tudo o tempo todo, rsrsrs… “- Respira, V. respira… – Mas eu já respirei muito, não aguento mais!” Figurinha querida!

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