Salve Nego Ney

Arthur Luis, um menino de sete anos, morador de Magalhães Bastos, aparece de cueca dançando em um vídeo gravado no celular. Viralizou como Nego Ney, a versão infanto-juvenil da malandragem carioca — aquela que brinca de ser o que não é; nesse caso, um adulto sedutor, bem cuidado e disponível (“tô solteiro!”).

O vídeo é curto, simples e hilário; a internet fez dele uma celebridade instantânea, e ele realizou o sonho de toda criança flamenguista: entrou em campo com o time, foi homenageado nos dois gols e ainda ganhou a camisa do artilheiro do jogo – com a qual dormiu, aliás.

Uma mistura de Exu com Erê, Nego Ney é a cara da torcida da Flamengo, a cara do Rio de Janeiro, e é, acima de tudo, uma criança de sete anos, inocente, esperta e alegre, como deveriam ser e estar todas as crianças da periferia dessa cidade, deste país.

Na mesma timeline em que li sobre as conquistas de Nego Ney fui informada sobre detalhes da morte de Kauan, 12 anos. Na sua inocência infantil, embora alertado não correu quando se deparou com policiais porque “não fez nada”. Foi abatido com três tiros pela PM na Chatuba – balas que não fora perdidas mas cuidosamente recolhidas pelo policiais.

Como de costume nesse purgatório da beleza e do caos, a gente oscila do riso ao choro com frequência absurda e rapidez desaconselhável.

Por mais histórias como a de Arthur, por justiça para Kauan.

Helê

 

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