Cenas dos próximos capítulos

Entramos hoje no mês do meu aniversário. É um momento em que inevitavelmente rola uma reavaliação, um “o que estou fazendo da minha vida”, uma olhada para trás e para frente pensando no que já foi e no que ainda vem, etc.

Nem com bola de cristal tá dando pra prever o futuro…
(Foto: Sindre Strøm no Pexels)

Daí que me dei conta que justo neste mês eu defendo minha dissertação de mestrado e dou mais um passo nesse longo processo de transição de carreira que começou, vejam só, em abril de 2015, quando pedi demissão de um emprego considerado bacana mas que já não me satisfazia. Fui atropelada por um cenário econômico apavorante, e os últimos anos têm sido bem mais difíceis do que eu previa em meu planejamento, mas continuo firme no meu propósito de construir minha terceira carreira.

A primeira foi de jornalista, principalmente na TV Manchete, com brevíssimas passagens por outras emissoras e uma produtora independente. A segunda foi na comunicação corporativa. Durou muitos anos e me fez aprender muito, inclusive algumas habilidades que são úteis para fazer jornalismo. Aqui no Brasil essas duas atividades são consideradas parte da mesma profissão (jornalista), mas eu acho que são coisas bem diferentes e deveriam ser tratadas como tal.

A terceira, para a qual venho me preparando nos últimos anos e que aos poucos começa a se desenhar melhor, deverá ser algo que mistura um pouco de professora, um pouco de consultora, talvez um pouco de alguma coisa que ainda não tem nome bem definido. Basicamente, quero dar aulas em universidades, quero capacitar professores e profissionais para entender as novas mídias e a vida digital, quero, em resumo, transmitir conhecimentos que acumulei ao longo de uma vida.

Essa mudança não foi um “Plano B” para enfrentar o desemprego. Foi uma escolha meio maluca, num momento péssimo, mas enfim, uma escolha. Terminar o mestrado com quase 50 anos de idade me parece loucura. O que vem depois? Mais quatro anos de doutorado? Deveria ter começado tudo isso muito mais cedo, penso frequentemente. Mas aí olho para trás (e para frente) e percebo que tudo o que aconteceu na minha vida me trouxe até aqui. Não poderia ter sido diferente. O frio na barriga é inevitável. Sigo em frente assim mesmo.

-Monix-

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Coltrane

Cheguei até “Chasing Trane” porque precisava de conforto e digitei na pesquisa da Netflix: ‘Denzel Washington’ (desculpa, Idris, mas nessas horas eu preciso de algo mais sólido, de uma relação longa e estável na minha vida). Além dos filmes que vejo e revejo tanto quanto crianças veem Frozen, tem um ou dois clássicos dele que não vi pra economizar pra um momento de necessidade. E apareceu esse documentário sobre o saxofonista John Coltrane, que eu comecei a ver curiosa pra saber se Denzel apareceria dando algum depoimento. Logo vi que não: ele é a voz de Coltrane nos momentos em que são lidos pensamentos, trechos de entrevistas e poemas do músico que tocou com lendas e tornou-se, ele mesmo, uma delas. Denzel Washington foi apenas uma isca para mim (e para vocês, neste texto): o documentário é um primor, não deixe de ver se tiver oportunidade. John teve uma vida injustamente breve (dsclp o spoiler), porém incrivelmente plena, e os depoimentos ao longo do filme não deixam dúvida sobre sua importância para a música. Você não precisa ser entendedor nem amante de jazz – eu não sou -, basta gostar de música e de boas histórias. Terminei de ver emocionada às lágrimas, catando discos do Coltrane no Spotify e ligeiramente apaixonada por ele. (Volúvel, não: generosa).

Helê

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