Fogo nos racistas

A frase é um mote de Yuri Marçal. Sabe quem é? Não? Pois é…

Esse menino (tem 25 anos) é um talentoso humorista que no domingo passado lotou o Vivo Rio, uma das maiores casas de espetáculos do Rio de Janeiro, fazendo um show solo. Contou com a divulgação de suas mídias sociais (basicamente YouTube e Instagram). Ele não tem contrato com a Vênus Platinada, ele não ganhou um milhão de reais investindo em ações, não participou de nenhum reality show. Não é filho do Chico Anysio nem afilhado do Jô Soares, nem faz parte de um grupo de cassetas ou de portas. Ele faz stand up, um gênero bem popular nos EUA mas sem tradição aqui; Yuri segurou uma plateia de 2 mil pessoas durante mais de hora e meia só com o microfone e um banquinho, apenas. Sem apelação, sem comédia física (que também tem seu valor e lugar), sem se fixar em estereótipos. Ah, a propósito: criado em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro,  ele é de origem pobre e, advinha? negro. Fala sobre racismo e relações raciais como ninguém antes falou no entretenimento brasileiro. Reuniu num domingo de fim de mês (quem sabe o que isso representa vai entender a referência) centenas de pessoas – a grande maioria de negras e negros – ansiosos por diversão mas também por afirmação, identificação, celebração e pertencimento. Foi lindo de ver, foi emocionante de participar, foi histórico.

Não deu no jornal, não saiu no portal, mas eu estava lá e vim aqui contar pra vocês.

De nada.

Yuri, Ícaro e D. Márcia Marçal

#FogonosRacistas

Helê

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