Selfie

Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser ter tudo o que quer. Ou cansa, mas segue querendo, mesmo cansado.

Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos, ou viro doida ou santa, disse a Adélia aos 42. Aos quase 50, já no segundo tempo da vida, estou bem no meio do desespero, entre grata e carente, entre confiante e amedrontada, surpresa e culpada: como foi que cheguei aqui? Era aqui mesmo que eu queria estar?

Muitas perguntas ainda; talvez sempre. Mas a certeza de que sou quem eu gostaria de ser.

Quanto a isso, nenhuma dúvida.

 

Helê, a um mês de completar 50 anos

 

Na rádio Cabeça a jovem Alanis Morrissete canta “Hands in my pocket”.

 

Imagem do site Africanart

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Pastilhas Garota*

D. comentou num tuíte que gosta de ver filme sem saber nada antes, nem lê a sinopse. Horas depois, por questões profissionais, adicionei uma pessoa entre os meus amigos do Facebook. Mas não olhei o perfil porque tive esse mesmo impulso: não quero spoiler (e nem quero que o retrato das redes estrague a (boa) impressão que estou tendo da pessoa).
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Comecei a ver “Limitless” – que a minha dislexia tardia só chama de Timeless – porque eu preciso de uma bobagem pra ver de manhã, enquanto saio do banho, tomo café, arrumo a marmita. A série deriva de um filme, outro passatempo banal (com o plus dos olhos às vezes muito azuis do Bradley Cooper). Mas achei significativo que o superpoder do herói seja…a concentração – bem apropriado num mundo em que a gente recebe muito mais informação do que pode processar.
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No filme ele diz,depois de tomar a pílula pela primeira vez, algo como “não estou chapado, alegre, acelerado, bêbado. Apenas focado”. Um superpoder capitalista?!
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Tá, não é o foco. O protagonista da série (e do filme) também consegue acessar todos os arquivos da sua memória, lembrando de tudo o que já viu, leu ou assistiu na vida. Imagina a velha louca da memória sistematizando os trapos por cor, tamanho e textura e etiquetando todas as comidas num freezer computadorizado.

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Hoje me ocorreu que o que eu tenho menos anos a viver do que já vivi . Sem drama, só na matemática e na probabilidade. Como não sou muito boa nem numa coisa nem em outra, cair no drama seria fácil, então achei melhor ouvir algo pra distrair e fui ouvir um podcast pra treinar o inglês (excelente, aliás) . E o cara resolve destacar a expressão “in your prime”. E explica que o ‘prime’ de um atleta é diferente de um profissional, que também difere da perspectiva evolutiva e… Olha, vôticontá, hein!
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Adoro essa expressão, vôticontá, morria de rir dela quando era pequena. Porque na verdade não conta nada, o que era importante já foi dito antes e você só tá sublinhando a gravidade da coisa. Minha mãe usa muito, e eu sempre acho que é daquelas falas tipicamente cariocas/suburbanas . Mas sempre que escrevo essas coisas na internet aparece várias pessoas de diferentes procedências dizendo dizendo que também usam , não é exclusiva do subúrbio e nem sequer do Rio, inclusive era uma expressão usada na Inglaterra medieval…olha…
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O podcast sobre o qual falei acima chama-se Plain English. Tem atualizações duas vezes por semana, é rápido (uns 20 minutos) e o cara tem o tom certo, não é nem “engraçadinho” nem formal demais. Escolhe temas atuais e oportunos. Tenho ouvido coisas bem interessantes, mas isso vale um post inteiro.

Helê

*Porque Drops, só a Fal 

Leão ❤

O sol deixa Leão hoje mas eu não poderia deixar de fazer esse carinho nas leoninas e leoninos fiéis ou aleatórios aqui do blogue. Afinal, eu sou a auto-intitulada Guardiã das Tradições Recentes. Um beijo para cada um; vamos juntos passar por Virgo aguardando chegada de Setembro, da Primavera e do meu aniversário! 😀

Helê, of claro

As voltas que o mundo dá

Mais ou menos 20 anos atrás eu estava nesse saguão coberto de mármores, naquele que foi talvez o momento mais surreal da minha vida (no quesito profissional, com certeza foi): a Assembleia que decidiu pela derradeira greve de funcionários da Rede Manchete, minha escola de jornalismo na prática, experiência que me marcou para sempre, para o bem ou para o mal. (Eu conto meus altos e baixos na profissão nesse post do Medium. É divertido, e ao mesmo tempo meio nostálgico.)

Ontem voltei naquele emblemático prédio da Bloch / Rede Manchete, em outras circunstâncias. O prédio é outro, eu também. 

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O grande “M” que reinou sobre a paisagem da Praia do Flamengo durante tantos anos…

Quem passava pela Zona Sul do Rio nos anos 1980/1990 há de se lembrar do grande “M” metálico que destacava o prédio da Rua do Russel, com suas elegantes linhas modernistas traçadas por Oscar Niemeyer (depois de conhecer por dentro os apartamentos da Asa Sul de Brasília e de trabalhar por quatro anos nesse prédio lindo e infernal, que nos obrigava a pegar elevador e escada para ir do 4º ao 3º andar, não me peçam para idolatrar esse gênio maluco que construía lindas esculturas para a gente viver dentro, mas isso é outra história).

A vida é engraçada.

Quando a gente é jovem, tudo parece urgente demais. Mas o tempo passa e aquilo que era tão dramático na época de repente vira só uma dobra de esquina no longo caminho que é nossa vida. 

Não tem “moral da história” nem nada não. Só queria dividir esse momento emocionante com vocês.

-Monix-

Refeito

Da série Corações (colaboração da ::Fer:: ❤)

Helê

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