Beth S.

Nos últimos dias minhas redes ficaram repletas de homenagens à queridíssima Beth Salgueiro, que depois de meses dolorosos e difíceis, cantou pra subir no sábado. Uso a expressão com carinho e reverência: sabendo que ela respeitava todas as crenças, sei que não se importaria. Além do mais, me parece adequado utilizar uma metáfora musical e mística para falar da morte de alguém como ela, toda sons e luz.

Nos aproximamos, lembro bem, em um post meu falando sobre o show da Adriana Partimpim, em 2005. A música era uma paixão em comum, e Beth tinha larga experiência na área, tendo trabalhado com importantes nomes da MPB por muitos anos. Zelosa da privacidade alheia, liberava apenas uns nacos de um acervo que suponho riquíssimo de histórias e vivências.

Imagem que ilustrava o post original sobre o show da Partimpim

Também compartilhávamos belezas outras: fotos, ilustrações, pinturas. Neste período de convivência digital, acompanhamos as mudanças das nossas vidas – perdas, conquistas, evoluções, angústias, derrotas e vitórias. Às vezes mais próximas, outras nem tanto – como em qualquer amizade offline. Nos vimos uma única vez, num aniversário do Duas Fridas em que ela foi um dos poucos e seletos convidados. Mas ter estado pouco com ela não diminuiu a sensação de perda e a tristeza pela sua partida. Beth era, e continuará sendo, uma presença suave e marcante, como um perfume bom e raro.

Somos da mesma geração da internet. Chegamos mais ou menos na mesma época – quando isso aqui tudo era mato – ; pegamos a fase de popularidade dos blogues, vimos surgir as redes sociais, os memes, o Skype (por onde ela falava com os netos), o WhatsApp… Ela fazia parte dessa turma intrépida e destemida que se jogou no ciberespaço sem manual, aprendendo a mexer mexendo e criando maneiras de ser e estar na internet. Pintamos e bordamos, desbravamos territórios e fizemos amigos – dos quais agora nos despedimos aqui também, em lembranças, homenagens, lamento.

Beth Salgueiro, cujo sobrenome os cariocas associam ao samba e ao carnaval, nos deixou no começo da quaresma, depois da farra mas quando havia ainda um batuque aqui e um chocalho ali, pra gente não entristecer de vez. Sempre muito sabida, a Beth partiu num 29 de fevereiro que é pra gente sofrer só de quatro em quatro anos – e ser feliz sempre que lembrar da graça de ter convivido com ela.

A gente segue meio Piu Piu sem Frajola assim sem você, Beth – mas segue, resistindo com amor, humor e arte, como você faria. Obrigada por tudo, querida.

Helê

4 Respostas

  1. <3 <3 <3
    Vc como sempre arrasando nos textos delicados – sem perder o humor.
    Ia citar justamente a minha “cobrança” do livro que a Renata falou acima. Eu bem que tentei, pois acho que ela teria feito enorme sucesso por conta das história em si e pela maneira generosa que ela escrevia.
    Uma perda.

    Sim, os grandes fazem falta inclusive pelo que poderiam ter feito…uma pena.
    Beijo,
    H.

    Liked by 1 person

  2. Que homenagem mais linda, querida!
    Estou certa de que a Beth adoraria!
    Um beijo enorme,
    Seal

    Torço para que sim, Seal.
    Bj,
    H.

    Liked by 1 person

  3. Uma tristeza ela não ter escrito o livro de memórias que o Claudinho cobrava sempre…
    lindo texto, Helê. beijo.

    Também pensei nisso, Rê. Muito triste mesmo.
    Bj,
    H.

    Liked by 1 person

  4. Ah Hele, obrigada por colocar em palavras o sentimento por essa perda… graças a vcs eu também fiz parte do grupo seleto que conheceu Beth pessoalmente, e pude tecer nesses anos uma relação tão gostosa com ela. Com certeza a internet fica bem mais triste sem ela, sem falar de todo o resto….

    Sim, é uma baixa terrível pra nós que perdemos tanto nos últimos tempos…Uma das nossas, das melhores.
    Bj,
    H.

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