Resenha momesca

O carnaval, como se sabe, tem um período flexível, variando de folião pra folião (o calendário oficial só vale para autoridades incompetentes e para os que não gostam mas se locupletam). O meu começou em janeiro quando fui ao Palácio do Samba com P.A. para ela matar as saudades da Verde e Rosa e sair às três da manhã com cara de “Mas já?!”.

 

Outro ponto alto foi minha estreia dançando no Tambores de Olokun, essa embaixada informal de Pernambuco no Rio que rende homenagem aos ancestrais, aos orixás e às nações do Maracatu de Baque Virado do Recife. Uma experiência plural que nem cabe neste post, um começo que parece retorno. “Na beira da praia eu vi que o mar não recuou/ no reino de Yemanjá, estrela do mar é flor“.

 

 

O prêmio de Revelação do carnaval vai para o bloco Terreirada Cearense, para o qual fui achando que seria bom mas foi sensacional. Música da melhor qualidade e um colorido espetáculo que trouxe para a Quinta da Boa Vista minhas raízes nordestinas. O Prêmio Personalidade foi a d. Fofa cujo nome não sei, mas tinha 84 anos e pulou na chuva com a gente na Gamboa, saquinho de confete em punho. Depois do bloco dar a volta no quarteirão, perguntava esperançosa: “Será que vai dar mais uma?”

 

A Imagem do Carnaval já está estabelecido que foi a a Mangueira e Leandro Vieira que nos deram. Mas confesso que me emocionei com Elza Deusa Soares (a quem homenageei no Boitatá) e com o enredo/desfile da Viradouro – o campeonato ficou em boas mãos.

Beth Carvalho foi uma ausência sentida, seja no desfile da Manga ou no Cacique de Ramos. Mas também de presença e encontros se faz um carnaval: elegi o Melhor Reencontro o meu com o Escravos da Mauá, de quem posso me separar por um tempo, mas me recebe de braços abertos – um amor sempre correspondido. Parceiro de todos os dias, Claudio Luiz protagonizou a categoria Melhor Coincidência: nos encontramos de preto e vermelho na terça sem ter combinado antes. E ainda pedimos a um rapaz para tirar uma foto nossa e ele estava vestido de…diabo.

 

Bem amigos, encerro aqui esse brevíssimo registro, feito mais para mim e minha memória suíça como um queijo, que depois de algum tempo fica cheia de furos. Como a Ressaca de Carnaval do Olokun foi adiada por causa da chuva, acabou mas ainda tem. Espero rodar a saia mais uma vez antes de guardar a purpurina e a fantasia. Feliz ano novo pra todo munda!

Helê

PS: Melhor Nome de bloco: “Quem me viu, mentiu”. Levarei pra vida.

 

 

2 Respostas

  1. Que bom que eu não me deixei levar pela preguiça que tava rolando no pré-carnaval (dez dias antes ainda tava com a cabeça nas geleiras da Patagônia…) e compareci, um ano mais, para carimbar meu passaporte de carioca honorária com vcs, as melhores companhias do carnaval!

    Ufa, nem soube que corremos esse risco! É uma mudança de canal muito radical, da Patagônia pra Santa Teresa, mas você já tem know how…
    Beijoca, miga!
    H.

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  2. Adorei o registro e o nome do bloco, onde foi esse? Queremos!

    Nem sei direito, acho que na Ilha…era um lugar longínquo que me fez desistir do bloco, mas não do nome!
    Bj,
    H.

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