Sócia da ditadura

Relatórios indicam a contribuição da Volkswagen na repressão a trabalhadores durante a ditadura militar (Foto: Divulgação)

Esbarrei nessa matéria no Estadão: “Indenização de Volks será usada para investigar outras empresas que apoiaram ditadura“. Foi o que mais chamou minha atenção nos jornais hoje porque, como diz Monix, antes tarde que mais tarde ainda. Mas achei meio nebulosa, faltavam informações. Daí encontrei essa:

VOLKSWAGEN FECHA ACORDO DE R$ 36,3 MI PARA REPARAR VIOLAÇÕES DURANTE A DITADURA MILITAR

Essa sim, vale o clique: bem escrita e completa, sanou a maioria das interrogações que a outra provocou. Curioso que seja publicado na revista Autoesporte quando deveria estar na editoria de política. Mas considerando o governo atual, agradeça que saiu a matéria e olhe lá. Sintomático que uma empresa alemã faça um ajuste de contas que os governos democráticos não quiseram/puderam/conseguiram fazer em 30 anos (e deu no que deu… ).

Quando li no Estadão pensei que “a conta sempre chega”, até para as empresas. Pensei até em escrever sobre no Linkedin, alertando CEOs e gestores – mas talvez o tema seja indigesto para a plataforma e não ajude a me “recolocar no mercado” (esse eufemismo cínico para “superar o desemprego e ser contratada”). Depois da matéria no Autoesporte pensei: “R$36 milhões foi é pouco!”, porque se os caras, com um pesquisador próprio, toparam pagar, é porque devem mais do que admitem. Assinaram um TAC que os livra de futuras ações – quanto elas poderiam render? De todo modo, ainda que possa não ser o melhor acordo ou o mais justo, já é bom que exista. Afinal, nesta terra em que anistia é sinônimo de esquecimento e deus mercado rege tudo e todos, veja só, uma empresa expia sua culpa por ter ajudado um regime autoritário e espúrio. Quem diria.

Helê

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