Perdas e danos

Todos nós perdemos algo em 2020. Muitos perderam a vida. Mais ainda foram os que perderam mães, pais, filhos, irmãos, tios, avós, os amores da sua vida, os amigos de todas as horas. Para cada pessoa que morre, um número incontável de pessoas sofre com sua partida.

Outros perderam empregos, ou viram falir os negócios que garantiam o sustento da família. Houve quem perdesse a sanidade mental ou a segurança física (aumentaram muito os casos de violência doméstica durante a pandemia).

Muitos estudantes perderam a chance de aprender, e há um temor justificado de que a evasão escolar em 2021 seja ainda pior do que já vinha acontecendo mesmo antes da pandemia. A desigualdade de oportunidades entre os alunos das redes pública e particular se agravou.

Diante de tantos prejuízos impossíveis de serem recuperados, não me atrevo a me queixar. No plano pessoal tenho muito que agradecer: ninguém próximo teve a doença, consegui me manter trabalhando, minhas companhias de quarentena fizeram tudo parecer menos duro. Mas também tive cá minhas pequenas perdas e tristezas.

Perdi, para começar, as poucas ilusões que tinha sobre o caráter de nosso povo. Sofri com o isolamento. Perdi a chance de comemorar, no mesmo ano, meus 50 anos e os 18 do meu filho — teria sido uma comemoração única. Ele perdeu a experiência do último ano da vida escolar, com todos os ritos de passagem que fazem parte disso, e eu lamentei mais do que posso expressar. Perdi alguns vínculos familiares (e isso nada teve a ver com a pandemia, mas enfim). Perdi a paciência, só para me ver obrigada a recuperá-la, porque não havia alternativa.

Cada um sabe de suas dores. Acho que a vida é um grande jogo em que perdemos por um lado, ganhamos por outro, e cabe a nós escolher para que lado vamos olhar. Que 2021 nos permita conseguir olhar mais para nossas pequenas vitórias, e que nossas derrotas sejam mais superáveis.

-Monix-

3 Respostas

  1. […] ano do meu cinquentenário foi triste. Foi um ano de perdas, em que mesmo quem não tem do reclamar pode reclamar — porque a vida nos pregou muitas peças, a […]

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  2. E quando cada um perde algo, seja lá a sua dimensão, perdemos todos, como sociedade. Uma sociedade que sangra num processo que dizem ser de transformação e que dói porque os sistemas tendem a buscar estabilidade e rejeita as incertezas do novo.

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