Marília

Há coisa de uns meses atrás (talvez mais, como medir o tempo com precisão depois de um ano e oito meses de infinitena?) ouvi falar no nome dela pela primeira vez, na tela inicial da GloboPlay. Pela ênfase dada à divulgação da série documental, parecia alguém importante. Dividida entre a curiosidade por saber do que é popular e a preguiça de conhecer coisas novas, fui vencida pela segunda. Em pouco tempo, os destaques do serviço de streaming mudaram, a fila andou, enfim, ela saiu de novo do meu radar.

Sexta-feira passei o dia concentrada no trabalho, e só no fim da tarde, em uma breve olhada nas mensagens, fiquei sabendo: primeiro de um acidente ao qual ela supostamente havia sobrevivido; depois, a retificação e a confirmação da tragédia.

Mas só aos poucos fui entendendo o tamanho que tinha Marília Mendonça. E minha ignorância diz muito sobre mim, sobre o quanto minha percepção do mundo é limitada por uma experiência de vida meio-intelectual-meio-de-esquerda (e também meio-MPB-meio-rock’n’roll), mas também diz muito sobre as bolhas e o quanto é fácil se estar completamente alienada de um fenômeno popular dessa magnitude, sem nem ao menos saber que se está por fora.

No programa Lady Night, em 2018

Hoje voltei na GloboPlay e a série da Marília estava novamente em destaque. Mesmo que não estivesse, eu procuraria por ela — entrei no streaming para isso. Assisti os quatro episódios de uma só vez e fiquei ainda mais espantada com o fato de ter, durante anos, veja bem, anos, pois pelo menos desde 2015 essa mulher é um sucesso retumbante, ignorado sua existência. Nem entro no mérito de gostar ou não de suas músicas (não é meu estilo musical preferido, mas feminejo é mais divertido que o sertanejo universitário e outros subgêneros, então sim, curto levemente, digamos assim). O ponto é sobre como é possível que pessoas bem informadas — outras como eu admitiram, nos últimos dias, o mesmo desconhecimento — estarem totalmente desatentas a um fenômeno desta proporção. Na época da comunicação de massas, se um artista alcançasse o topo, como ela alcançou, todos saberíamos.

Em 2017, na Expo Araçatuba

Essa moça bonita, carismática, de voz potente e energia incansável, se foi cedo demais, mas deu tempo de deixar sua marca na história musical de um país que tem grandes nomes nessa arte. Assistindo a série, aprendi muito sobre quem ela era: acima de tudo, alguém que se conectava com as pessoas de uma maneira única. E isso não é pouca coisa, especialmente em tempos tão dominados pelo narcisismo. Vai fazer falta.

-Monix-

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