Lançando filhos, criando foguetes

Raising a kid is like sending a rocket ship to the moon. You spend the early years in constant contact, and then one day, around the teenage years, they go around the dark side and they’re gone. And all you can do is wait for that faint signal that says they’re coming back.

Modern Family, Claire citando Phill Dumphy

Eu amo essa fala desde a primeira vez que ouvi. Considero um ótimo exemplo da qualidade do texto de Modern Family, e também da sua capacidade única de nos fazer rir com os olhos cheios d’água. É engraçado, divertido, e incomodamente verdadeiro. A gente começa a ler rindo, e termina apenas concordando – e torcendo pelo sinal. (Acho o texto tão bem escrito que não quis bulir nele traduzindo, o Google Tradutor pode ajudar, se preciso.)

Claro que existem variações de tons dentro do quadro pintado com essas imagens. Nem todas as crianças que conheço viraram ogros distantes na adolescência (na verdade, bem poucos). E ‘dark side’ pode incluir um leque variado de significados. Mas acho acho muito preciso o conceito geral, a ideia de criar filhos sendo desde sempre a preparação para uma separação, um lançamento; e o contato, inevitavemente se perderá. A conexão precisará ser refeita em outros termos, com o filho desenhando a sua própria órbita.

Não é fácil – mas ninguém disse que seria. Pode acontecer na adolescência, pode ser adiado para um pouco depois, mas também pode acontecer aos poucos, com a entrada na faculdade, a estreia excitada, titubeante e assustada no desejado mundo dos adultos. Nada impede que chegue muito antes da chamada Síndrome do Ninho Vazio. A certa altura, os filhos vão pedindo espaço e estabelecendo distâncias, com maior ou menor suavidade. Sentimos a movimentação das placas tectônicas dos afetos, atenções, prioridades. Deixar de ocupar o lugar de privilégio afetivo e fazer a transição para um outro, ainda a ser estruturado, traz um sentimento de perda inevitável e pode ser bastante assustador. Mas a experiência de educar filho é toda alicerçada no paradoxo de cuidar de alguém tão bem que ele não precise mais de você.

Assim, as placas tectônicas se movem e se acomodam, enquanto a gente torce para que o magma do amor nos mantenha aquecidos e conectados.

Helê, que só outro dia ouviu Wild Word na primeira pessoa.

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