Três coisas belas

Daqui a uns anos espero pensar neste 2022 e ter sentimentos positivos. Porque o cotidiano é feito de sensações, mas a memória é feita de recortes. E por mais difíceis que sejam os dias deste ano intenso, há também belezas que poderão ser lembradas. Nos últimos três dias recebi três coisas bonitas, e deixo aqui como registro para minhas lembranças do futuro, torcendo para que ajudem a alegrar o presente de mais alguém.

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Na sexta-feira, meu amigo Ricardo compartilhou uma playlist só de músicas brasileiras lançadas em 2022. Conheço muita gente que acredita mesmo que não há mais música brasileira que valha a pena. Seja você deste time ou não, te convido: apenas escute.

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No sábado, minha amiga Geide deu a dica: o livro Querido Lula, que reúne cartas recebidas pelo ex-presidente na cadeia, em Curitiba. Na introdução, a historiadora Maud Chirio resume o que a obra tem de tão especial. Outros livros tipo “cartas da prisão” publicados até hoje (Gramsci, Wilde, Mandela e tanto soutros) mostram as reflexões provocadas pela experiência carcerária. Mas este é um registro diferente: quem denuncia a injustiça e contextualiza a situação política do país são os apoiadores do ex-presidente. Durante todo o período em que esteve preso, Lula recebeu milhares de cartas que falam dos imensos benefícios trazidos para a vida das pessoas. Não é um manifesto, é um testemunho escrito por milhares de mãos.

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No domingo, conversando com amigas, perguntei sobre a série Em Casa com os Gil. As recomendações foram entusiasmadas e chegando em casa maratonei até o limite da insônia. A família Gil é uma prova viva de que o Brasil tem talento, tem poesia, tem gentileza, tem sensibilidade, sim senhor. Que privilégio sermos contemporâneos de pessoas tão incríveis.

Os poucos episódios têm vários diálogos antológicos, mas registro aqui um dos que mais me comoveu. Cada membro da família deveria escolher uma música para incluir na turnê europeia que está acontecendo agora, em comemoração aos 80 anos do patriarca. Um dos netos explica sua escolha dizendo que escutava uma determinada música todos os dias, mas não sabia que era uma composição do avô. E conta de sua felicidade quando descobriu a autoria. A música é a imortal Sítio do Picapau Amarelo. Achei fofo demais. Imagine que legado incrível, ter um avô que é o autor desta canção.

-Monix-

Uma resposta

  1. […] Querido Lula – escrevi sobre o livro aqui. […]

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