Idiossincrasinhas

* Dogma pessoal: nunca assisto decisão nos pênaltis nem debate eleitoral.

Debates eu acho que cheguei a assistir os primeiros presidenciais, em 89, mas meu sistema fica muito nervoso. Talvez trauma do fdp do Collor, não sei. Mas não tenho condições. Pênalti eu me recusei a assistir em 94, no tetracampeonato de futebol; deu certo, e nunca mais na vida eu assisti (no caso de estar torcendo para um dos times, claro).

* Dogma compartilhado com a Monix: não reclamo de vizinho se divertindo (aniversário, churrasco, reunião animada, tá valendo).

Procuro ter com vizinho a mesma condescendência que gostaria que tivessem comigo. Além disso, eu sempre penso no quanto é horrível e angustiante ouvir discussões, brigas, tentar decidir se é ou não caso de chamar a polícia – já vivi isso, é desesperador. Barulho de festa só é ruim porque você não está lá; além do mais, não acontece todo dia porque ninguém tá podendo. Então deixaoscara, em bom carioquês.

Minha tolerância talvez se deva à leitura de uma crônica, décadas atrás, do Rubem Braga, “Recado ao vizinho do 903”, publicada na icônica coleção Para Gostar de Ler. Acho que toda a minha vida em apartamentos foi guiada por essa ideologia do Braga.   

Rubem Braga, em desenho no IMS

 * Ritual pessoal: nunca volto pra casa direto depois de um enterro ou velório. Se não for possível arrastar um ou mais amigos para o bar, vou eu sozinha e tomo pelo menos uma gelada, espécie de gurufim particular. Para celebrar a vida de quem se foi e a minha, e espantar esse ranço de morte que fica na gente nessas situações.  E também pra ela não saber meu endereço.

Helê

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