6 perguntas para Helê

Monix- Quando fiz o convite para criarmos juntas um blogue, você relutou um pouco antes de aceitar. Lembro que você alegava que não queria assumir um compromisso que não tinha certeza de conseguir manter depois, e eu argumentei que a ideia não era criar mais uma obrigação e sim explorar a possibilidade de escrever em um espaço mais livre, mais criativo. Pouco tempo depois você aceitou e o resto é história. 😉 O que te fez mudar de ideia?

Helê: Acreditei em você – ó que perigo, hahaha! Você derrubou serenamente todos os meus senões – esse da falta de tempo, o da falta de um assunto definido, a exigência da periodicidade -, e de um jeito tão confiante no que propunha que parecia insensato não aceitar. Hoje eu acho que você, tão sensata e racional, teve foi uma tremenda intuição. De algum modo, você captou uma vibração do que estava por vir, como um compositor que escreve sobre algo que ainda não viveu. E aqui eu me refiro ao blogue e também a nossa amizade.

Monix- O que você acha que mudou no seu estilo de blogar, dos primeiros posts até hoje? Você tem feito a migração dos nossos arquivos, e com isso certamente releu muito material antigo. Você identifica alguma diferença em relação ao que produz hoje em dia?

Talvez hoje a gente escreva mais pra geral que antes. Como a gente é cria orgulhosa do Mothern, e egressas do não menos intrépido LV, a gente começou dialogando com as amigas de lá, sabendo (ou achando) que elas nos leriam. Hoje acho que a gente tem um nanopúblico que tem a cara das Fridas, que inclui as meninas, mas não só.  Mas no estilo mesmo, não percebo alteração significativa, não. Ao longo do tempo, sem combinar, nós alternamos muito: houve épocas em que uma escrevia com mais frequência que a outra, época em que a outra era mais prolixa, ou a uma tratava mais de temas públicos que privados. Acho que a gente melhorou com o tempo (espero!), mas não teve mudanças significativas, o essencial já tava lá desde o início.

– Todo mundo que tem blogue sabe que uma das coisas mais interessantes dessa experiência é o intercâmbio com os leitores e a possibilidade de conhecer pessoas bacanas, criar uma rede de relações nova, interagir com outros blogueiros. Como tem sido essa vivência para você?

Helê: A coisa mais bacana de tudo, empatada com a interação com você. Isso eu percebo que mudou, e não posso deixar de aproveitar pra fazer beicinho: acho que já tivemos um número maior de comentários, e esse sempre foi um prazer enorme. Eu nunca tive uma gaveta de escritos antes do Duas Fridas, eu escrevo pra ser lida – e comentada.  Eu amo muito tudo isso. Então, com certeza, entre as melhores coisas dessa trajetória está conhecer gente bacana como o Alex Castro, as W, Mary e a Marina; o Zé, meu querido Zé, a Ana Gonçalves e o todo-todo Idelber. Sem contar a galera Nunca-te-vi-sempre-te-amei, né? Meg e seu Boêmio, Beth Salgueiro, Myrion, um povo que a gente nem acredita que nunca viu! Quer saber um momento de realização pra mim? No carnaval deste ano, em pleno Cordão do Boitatá, Cláudio Luiz, Christian e André se (re)conhecendo: “Ah, então você é o Chris?” “E você é o Cláudio?” E eles se conheciam daqui. Sensacional não apenas me conectar às pessoas, mas conectá-las entre si, fazer do blogue um lugar e promover esse baticum virtual.

Monix – Ter um blogue mudou alguma coisa na sua vida prática? Por exemplo: escrever sobre as corridas te fez uma corredora melhor, mais disciplinada, ou não interferiu?

Helê: Cara… Essa é uma pergunta fácil e difícil, porque eu tenho certeza absoluta que mudou, que eu não estaria onde estou, eu não seria quem eu sou hoje, às 00:27 do dia 26 de maio de 2010 se eu não escrevesse com você o Dufas. Nos mais variados aspectos que você possa enumerar.  Não tenho a menor dúvida. Ao mesmo tempo, não sei como quantificar ou exemplificar isso. Mas é certo que a criação do blogue não foi um acontecimento menor, é algo marcante na minha vida; durante um tempo foi tudo o que eu tive, farol e âncora.

Monix – Você imaginava que o Duas Fridas duraria tanto tempo? O que será que nos reserva o futuro?

Helê: Não, nunca parei pra pensar se duraria muito ou pouco. Hesitei em começar, mas quando dei a mão a você fui, sem pensar no prafrentemente, como diria Odorico Paraguaçu. Acho seis anos uma marca considerável, a relação é como anos-cão e anos-humanos. Eu espero que o futuro nos reserve ainda muita curiosidade , amizade e tesão, que acho que é o que nos alimenta e move. Com isso seguimos adelante, e eu não tenho nenhuma intenção de parar.

Monix – Por fim, para você que é o braço musical do Dufas: qual é a trilha sonora deste blogue?

Helê: Putz, esse é o momento de paralisia, como quando perguntam a centopéia como ela consegue andar com tantas pernas. Pensando na resposta, ela nunca mais sai do lugar. Mas tendo a prerrogativa de rever essa trilha a qualquer momento, vamos lá: a primeira canção que tocou na Rádio Cabeça ao ler a pergunta foi “O Último romântico”, do Lulu Santos. Ele poderia contribuir com várias. Depois lembrei das Frenéticas, que a gente adora, do nosso eterno amante, Chico Buarque, e seus sambas. “War!” (what is it good for?!), Monobloco, que a gente curtiu juntas, a trilha do ciúme e a dos bailes que fiz no Dufas e você gostou, Carly Simon leiloando “You’re so vain”. Nossa trilha é obviamente um work in progress cariocamente global, tentando reunir a zona norte à zona sul, sempre. Fechando com chave de ouro, Mme Elza Soares cantando “Volta por cima” , com os rappers franceses. Tradicional e contemporâneo, chique e tough – como nosostras.

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