Narciso maduro

Caetano Veloso anda em evidência nos últimos tempos, seja na internet, seja nos meios de comunicação tradicionais. O Sol entrou em Leão em julho e Caetano em nossa casa em 7/8, na lendária live em comemorou 78 anos cantando juntos dos filhos um repertório de sucessos mas que não foi óbvio. Pareceu escolhido com intenção desde a canção de abertura, a definitiva “Milagres do Povo”.

Quem descobriu o Brasil foi o negro que viu a crueldade bem de frente

e ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente

Talvez o certo fosse dizer que nós entramos na casa de Caetano (mas aí eu perderia a metáfora do início do texto e o que a gente não faz por uma, não é mesmo?) O clima foi intimista, com aquela formação familiar em linha em frente a uma estante repleta de símbolos posteriormente comentados e decodificados no twitter, esse reino da semiótica e da frivolidade.

E então Caetano Veloso voltou a “bombar” por causa do lançamento de “Narciso em férias” o excelente documentário dirigido por Ricardo Callil e Renato Terra. É chocante e deprimente assistir esse filme no contexto de um governo militar eleito democraticamente. Mas ainda assim é necessário. Talvez nesse momento seja ainda mais importante destacar a violência arbitrária, brutal e burra de que são capazes os militares brasileiros. Não digam que depois que não sabiam.

“Narciso em férias” também é bastante intimista, com seu cenário duro e revelações igualmente despidas de enfeites, algumas surpreendentemente íntimas – brutally honest, dizem com precisão os americanos. Emociona, revolta, diverte até.

Em determinado momento, o baiano se manifesta com veemência um anti-comunista; em várias entrevistas de lançamento do documentário ele aproveitou para fazer uma nota de pé de página a essa afirmação e rever suas crenças liberais. Creditou ao jovem  historiador Jones Manoel essa mudança. Afirmou repetidas vezes que as falas de Manoel e sua indicação da obra de Domenico Losurdo abriram sua cabeça e o fizeram menos liberalóide.

O liberalismo, claro, atingido na alma, tratou de se mexer, e a internet foi palco de variadas tretas. Curiosamente, Caetano foi parcialmente poupado; Jones Manoel, o jovem historiador negro de origem periférica, foi tachado de stalinista e reduzido a mero “treteiro de twitter”.  Na verdade não há nada de curioso nisso, apenas o racismo e classismo nossos de cada dia.

Mas eu acho que a internet miss the point, como de costume. Pelo menos o meu ponto, que não estou interessada em discutir stalinismo a essa altura do campeonato. O que me parece mais cintilante nesse rebuceteio digital é o frescor de um homem velho (que deixa vida e morte para trás), aos 78 anos, capaz de mudar de opinião e defender essa mudança. Que reconhece a ascendência de um jovem professor sobre suas ideias. Caetano tem esse passe fluido e orgânico entre os mais jovens que ele (é colaborador da Mídia Ninja, por exemplo), sem querer ser ou parecer jovem. Sendo ele mesmo, um velho baiano, que faz menção à própria idade às vezes, outras não. Ele sempre tão leonino , se mostra nesse episódio  generoso e humilde – e, para mim, brilha ainda mais por isso. 

Helê

Adeus ao poeta do cotidiano

Quando eu era criança, não tínhamos vitrola em casa. Havia um rádio AM/FM e um toca-fitas. Havia também um acervo muito rico de fitas cassete com pérolas da música brasileira dos anos 1970: Chico Buarque, Caetano Veloso, Martinho da Vila, Beth Carvalho, MPB-4, Vinícius e Toquinho… e, claro, não podia faltar nessa lista a dupla João Bosco e Aldir Blanc.

Aos sábados, meu pai escolhia algumas fitas e botava para tocar. Cantando juntos aprendemos as letras das músicas, e papai fazia questão de destacar a beleza de um ou outro verso especialmente poéticos.

Foi só depois de muito tempo, já mãe de um pré-adolescente, que me dei conta do privilégio que foi crescer no Brasil musical da década de 1970. Isso porque quando o fridinho chegou lá pelos 12 ou 13 anos percebi que ele não conhecia quase nada de música brasileira, e do pouco que conhecia não gostava. Claro que esse problema foi resolvido rapidamente: a cada saída de carro ouvíamos uma banda, um cantor ou um álbum antigos, e assim cobrimos (em parte) esse déficit geracional. Nascer nos anos 2000 certamente não proporcionou um ambiente musical tão rico quanto o da minha infância — longe disso, na verdade.

Bem, voltando às tardes de sábado, devo confessar que João Bosco e Aldir Blanc não eram meus preferidos, dado esse olimpo de estrelas que tínhamos disponíveis. Mas as canções da dupla tinham uma característica diferente, um jeitão de crônica, como que cantando coisas que poderiam acontecer ali na esquina de casa. “De Frente Pro Crime”, por exemplo, é quase cinematográfica em sua descrição de uma cena trágica.

Compositor e escritor Aldir Blanc morre aos 73 anos no Rio de ...
Adeus, Aldir.

Ontem, quando veio a notícia da morte de Aldir Blanc, senti uma tristeza profunda, como quando se foi Moraes Moreira, outro ícone da minha infância, ídolo das minhas tias mais jovens. E ao me despedir de Aldir, artista que fez parte da trilha sonora mais remota da minha vida, me lembrei de um daqueles versos que papai mais admirava, por sua capacidade de ver poesia em algo tão trivial quanto um sapato apertado:

No dedo um falso brilhante
Brincos iguais ao colar
E a ponta de um torturante
Band-aid no calcanhar

(Dois pra Lá, Dois pra Cá)

-Monix-

Parabólico

Quando eu era criança, Chico Buarque era trilha sonora frequente dos fins de semana, no toca-fitas do meu pai. Aprendi cedo que Chico é um dos maiores poetas que a música brasileira já conheceu, e cresci admirando seus versos, suas melodias e sua voz tímida e tão carismática.

Na adolescência, descobri Caetano Veloso, com sua exuberância erudita, suas letras tão instigantes para uma garota que estava descobrindo o mundo, seus ritmos deliciosos de cantar junto, sua presença leonina que ocupa todos os espaços.

Os dois moram no meu coração até hoje e para sempre.

Mas foi só depois de adulta que entendi que o verdadeiro gênio daquela geração é Gilberto Gil. Tanto assim que Caetano atribui a ele o fato de ter continuado na música. Conto a história de cabeça, pois não consegui encontrar no Google um registro sobre isso, mas consta que Caetano em algum momento, antes da fama, teria dito que ia desistir de tentar a carreira na música, não sei se por dificuldades financeiras ou por alguma insegurança artística. Aí Gil respondeu: se você desistir, eu paro também. Caetano pensou que não queria ser responsável por fazer o mundo perder tamanho talento (aqui já rola uma licença poética para minha imaginação, relevem) e assim ficamos com os dois.

Documentário da HBO mostra julgamento e condenação de Gilberto Gil ...
Este é o verdadeiro gênio da melhor geração de gênios que a música brasileira já teve.

Esses dias aproveitei um intervalo entre o trabalho e a faxina e assisti o documentário Refavela 40, que estava na minha lista há tempos. E está tudo lá: Gil pioneiro, poeta, um músico incrível, e dono de um charme imbatível. Esse homem é a verdadeira antena parabolicamará.

Eu costumo dizer, meio brincando, que não existe um tema sobre o qual não haja uma canção de Gilberto Gil. Confiram aí. Ele falou sobre tudo, e falou lindamente.

-Monix-

AmarElo

Quando assisti ao vídeo da canção “AmarElo”, que sampleia o “Sujeito de Sorte”, do Belchior, achei bacana, corajoso – puxa, misturar a Pablo Vittar com rap, que inusitado! Mas foi só isso, não despertou uma curiosidade maior. Não vejo muitos clipes no YouTube, nem tinha muito contato com rap (até me encantar com Baco Exu do Blues); fui atrás do burburinho da minha bolha. Que novamente se alvoroçou quando saiu o álbum, e comecei a ler indicações entusiasmadas aqui e ali. Gilberto Gil falou bem, Luiz Antônio Simas se derramou em elogios e então umas amigas queridas (do único grupo de whatsApp que eu participo voluntariamente) também recomendaram e eu decidi ouvir.

Pablo Vittar, Majur e Emicida

Por uma dessas intuições inexplicáveis eu achei que deveria escutar AmarElo inteiro e na ordem em que foi gravado, como fazíamos com os álbuns quando eles se chamavam discos. Decisão sábia, porque há nesse trabalho uma estrutura, uma coesão que fica mais intensa se você começa pelo início – ou melhor, por “Principia”, a primeira faixa, que me arrebatou como há muito não acontecia. (Na real, como raramente me aconteceu na vida). Os versos, os ritmos, a voz impecável da Fabiana Cozza, o sermão de pastor (!), o refrão que até hoje me comove quando ouço, com sua simplicidade e verdade profunda, tudo me deixou impactada de cara. Não esperava concordar com todo mundo logo assim, de primeira.

Mas era apenas o começo. Outras lindezas foram se sucedendo: “A ordem natural das coisas” parece feita pra quem, como eu, acorda muitas vezes antes do astro que é rei mas só vem depois de muita gente sair pra vida. Também me reconheci em “Pequenas alegrias da vida adulta”, que me estampou um sorriso largo mesmo no meio de uma tristeza grande. Àquela altura eu estava muito surpresa em me sentir tão à vontade numa casa em que eu entrava pela primeira vez. Nunca havia escutado Emicida antes (fora o vídeo). E surge “Quem tem um amigo tem tudo”, um maravilhoso samba sincopado com a participação de ninguém menos que Zeca Pagodinho. Aí eu tirei os sapatos e fiquei totalmente à vontade, morando nesse disco.

Eu tinha uma vaga implicância com o nome Emicida (pela associação com morte), e sabia pouco sobre rap e hip hop, além dos esteriótipos. Sempre respeitei como expressão artística, e reconhecia sua importância como cultura da periferia, mas à distância me parecia muito zangado, masculino, violento, ritmicamente limitado. Esteriótipos, eu disse. Imagina a minha surpresa com as canções solares desse álbum que começa dizendo: “Com cheiro doce da arruda/penso em Buda calmo/Tenso eu busco uma ajuda às vezes me vem um salmo”! Que tem risada de criança, história divertida, e Fernanda Montenegro declamando. Que traz batidas variadas, do samba em suas muitas vertentes ao balanço da dupla Ibeyi. Cada uma das minhas suposições superficiais sobre o gênero e o artista foram sendo amassadas a cada faixa. E a única ideia correta que eu tinha, de que as letras eram fortes e boas, também estava longe da realidade, porque são ainda melhores, incrivelmente poéticas e sofisticadas, um trabalho de ourivesaria em versos.

Desde a primeira audição eu praticamente não passo um dia sem ouvir AmarElo; já perdi a conta de para quantas eu pessoas eu já recomendei. Não insisto mais porque eu sei que a ênfase excessiva pode ter um efeito contrário. Só posso falar por mim: AmarElo me pegou no colo várias vezes, e é a ele que eu tenho recorrido e dado a mão nesses tempos cinzentos. Esse álbum talvez desempenhe em 2019 o papel que em 2018 foi do musical “Elza”: ser uma luz no fim do túnel, uma lembrança da minha (nossa) força, de tudo que somos capazes de suportar e superar.

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Coltrane

Cheguei até “Chasing Trane” porque precisava de conforto e digitei na pesquisa da Netflix: ‘Denzel Washington’ (desculpa, Idris, mas nessas horas eu preciso de algo mais sólido, de uma relação longa e estável na minha vida). Além dos filmes que vejo e revejo tanto quanto crianças veem Frozen, tem um ou dois clássicos dele que não vi pra economizar pra um momento de necessidade. E apareceu esse documentário sobre o saxofonista John Coltrane, que eu comecei a ver curiosa pra saber se Denzel apareceria dando algum depoimento. Logo vi que não: ele é a voz de Coltrane nos momentos em que são lidos pensamentos, trechos de entrevistas e poemas do músico que tocou com lendas e tornou-se, ele mesmo, uma delas. Denzel Washington foi apenas uma isca para mim (e para vocês, neste texto): o documentário é um primor, não deixe de ver se tiver oportunidade. John teve uma vida injustamente breve (dsclp o spoiler), porém incrivelmente plena, e os depoimentos ao longo do filme não deixam dúvida sobre sua importância para a música. Você não precisa ser entendedor nem amante de jazz – eu não sou -, basta gostar de música e de boas histórias. Terminei de ver emocionada às lágrimas, catando discos do Coltrane no Spotify e ligeiramente apaixonada por ele. (Volúvel, não: generosa).

Helê

Coisa mais negra

Eu reconheço a importância do audiovisual para a sociedade, tanto do ponto de vista cultural, simbólico, quanto econômico. Sei também que outros já sacaram isso muito antes de nós e trataram de dominar o mercado e sufocar indústrias que pudessem remotamente ameaçar seu poderio (malditos ianques). Com isso em mente, segue aqui uma crítica e uma sugestão:

  • Não dá, em 2019, pra escolher um elenco em que predomina gente bonita, pessoal. Isso simplesmente non ecziste, é irreal , a vida não é assim nem em Ipanema. Eu sei, já fui lá. Tem gente feia até em Paris, a cidade mais linda do mundo. Quando eu começo a ver filme, série, novela e começa a aparecer esse monte de rostinho global já vai me dando um desinteresse …no mínimo, perde a credibilidade, porque, como já disse, não encontra amparo na realidade.
  • Aproveitando a popularização das discussões sobre descolonização do pensamento e afins: quem é que vai contar a história da música brasileira tendo o samba como protagonista e não como um coadjuvante que dá “molho”, “ritmo”, “gingado” à MPB? No conto das três raças da música — que no caso só tem duas — tem uma MPB feita em algum lugar, oficial, cheirosa, penteada, bem-vestida, branca mas meio insossa, que encontra com o samba, suado, mal-vestido, alegre, envolvente e preto, e volta mais interessante. Mas ele, o samba, fica lá, e a dona MPB volta melhorada. Sério, gente, em 2019?! Depois do desfile da Mangueira desse ano alguém ainda tem coragem de contar essa história? Bem, eu não tenho interesse em ouvir, eu quero saber quem vai contar, de preferência na tela, a história da música brasileira contada pela perspectiva do seu protagonista desde sempre, o povo negro, a Música Preta Brasileira, como chama Sandra de Sá, uma de suas rainhas. Certamente que será uma história riquíssima e abrangente, na qual não serão omitidas participações especiais de brancos incríveis como Noel Rosa, Tom Jobim, Chico Buarque e suas enormes contribuições.

Ilustração de Marcos Arthur 

Helê

 

#ElzaSim! #EleNão

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A quantidade absurda de talento musical reunido num palco como eu só vi numa igreja no Harlem. O orgulho e acolhimento que o filme “Pantera Negra” me proporcionou, amplificados. A esperança que me embalou após o espetáculo “Primavera das Mulheres”, em 2016.

Algumas comparações para dar a dimensão do que me causou “Elza”, que assisti na última quinta-feira e do qual ainda não me recuperei – que bom. Catártico, estonteante, poderoso e potente. E lindo. Para uma libriana praticante feito eu, nada arrebata mais que a beleza.

Ah, o insondável tempo das coisas: tive a oportunidade de ver na pré-estreia, perdi. Ia com as amigas, também não aconteceu. Mas Monix escreveu um post ensolarado aqui depois de ver a peça, com uma empolgação que não lhe é comum, e a Dedeia reforçou que ir era mandatório. Então fui com minha filha e tive a certeza rara na vida que estava exatamente onde, quando e com quem deveria estar.

Fora as correlações pessoais, “Elza” narra uma trajetória ao mesmo tempo incomum e próxima da mulher que vai da pobreza ao estrelato sem atalhos e com desvios, e de lá passa ao quase ostracismo, e cai e levanta incontáveis vezes, metafórica e literalmente. Sem nunca ter pertencido a um grupo ou movimento musical, Elza Soares tem uma carreira de décadas que surpreendentemente se torna cada vez mais relevante. De idade desconhecida (e desimportante), ela se mantém conectada com o presente com lucidez e acuidade escassas em muitos artistas mais jovens que ela. Essa cantora que começou no rádio com Ary Barroso (!) (google, milenials, para rádio e Ary) e acaba de lançar seu novo álbum pelos serviços de streaming é um vitorioso case de envelhecimento bem-sucedido. Experimente ouvi-la cantando “Dindi e “Exu nas escolas” e perceba: não é que ela tenha melhorado: ela já era formidável e conseguiu continuar sendo. Ou ser novamente, de outra maneira, mas ainda a seu modo.

Elza se recria tantas vezes, no palco e na vida, que a gente sai do espetáculo renascida também, de certa forma. Ou, pelo menos, com aval e apoio para fazê-lo sempre que for preciso.

A peça consegue ser fiel à contemporaneidade de Elza de um modo inteligente, sagaz e verdadeiro como ela. Apresenta soluções cênicas criativas, um conjunto musical (só de mulheres) impecável, um texto versátil e bem elaborado e a notável direção musical do Pedro Luís, Larissa Luz e Antônia Adnet. E o elenco…ah, o elenco! Não há uma protagonista inesquecível ou coadjuvante que roube a cena: são sete atrizes e cantoras estonteantes, incandescentes, inacreditavelmente talentosas. Sete mulheres negras com um brilho tão intenso que quase cega. Talvez por isso elas apareçam aos poucos, para que a gente vá se acostumando com tanto, mas ainda assim o impacto da presença delas deixa a todos meio sem fôlego no início. Elza multiplicada por sete não é pra qualquer um.

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E aqui chegamos em outro valor agregado (não acredito que usei essa expressão, mas cabe, vai) da peça, que é a plateia. Uma audiência muito mais negra do que em geral eu encontro em peças ou musicais (como o público que encontrei na excelente exposição sobre o samba, no MAR). No mínimo, racialmente mais diversa. Para mim, um conforto e alegria adicionais me ver entre os meus. Parecia que eu estava em Madureira comprando cabelo mas não, eu estava no teatro. E se representatividade importa, nêgo, imagina coletividade. Olhar em volta e não ser minoria. Não tem preço.

Caetano Veloso, que também fez um post entusiasmado sobre a peça disse, bela e precisamente: “A mulher brasileira, o povo negro brasileiro, o músico brasileiro estão vingados. Pode-se até crer em bom futuro”. É com essa disposição que você sai do teatro – convenhamos, nada desprezível nos dias que correm. Ampliei minha plataforma de campanha para “EleNão, ElzaSim!”, querendo que todos os meus amigos que estão no Rio de Janeiro ou que estarão aqui até o dia 30 de setembro vejam “Elza”. Veja, por favor. Acredite: é para o seu bem.

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Helê

Com um beijo para Leila Moreno, coordenadora de produção, pelo presente de aniversário antecipado e maravilhoso.

Deus é Mulher

Na segunda-feira de manhã recebi no Facebook um convite para um grupo chamado “Mulheres Unidas contra o Bolsonaro“. Fui dar uma olhada, por curiosidade, e vi que já havia 150.000 membr(a)s. Fiquei impressionada com o número (mal sabia eu) e acabei ficando. Em 24 horas acho que o número já tinha quadruplicado, sei lá. Só sei que hoje éramos mais de 2 milhões de mulheres nesse grupo – surpreendentemente, apesar de obviamente a dinâmica da interação ser caótica, a convivência é até bem pacífica e civilizada. Há mulheres de todos os espectros políticos, cis e trans, e alguns eventos já estão sendo articulados.*

Só que o crescimento exponencial do grupo virou notícia, chamou a atenção, e o grupo está sob ataque de hackers desde quinta-feira. Mudaram o nome, invadiram os perfis das administradoras, mandaram ameaças. Uma amostra grátis do que nos espera logo ali na curva da frente. :(

Tudo isso é muito triste e, principalmente, preocupante. Ainda faltam 20 dias para o primeiro turno das eleições, e depois teremos toda a campanha do segundo turno pela frente, e a cada dia parece que o fundo do poço é um novo alçapão.

Mas. Sempre tem um mas. E eu sou aquela pessoa do copo meio cheio. Estou aqui para manter elevado o moral das tropas. De nada.

Então queria dizer a vocês que isso aí que está acontecendo não é ação, é reação.

Porque eu acabei de chegar do teatro, e eu vi Elza, e a Elza de verdade é incrível, mas o elenco é quase tão incrível quanto, e a plateia é mais incrível ainda. A plateia é uma celebração da diversidade, no sentido mais bonito que essa palavra possa ter. A plateia é pura potência.

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Corre que ainda dá tempo!

Aí a gente sai do teatro acreditando de novo que há uma mudança importante em curso, e que, não custa repetir, a gente é ação, eles são reação. Ou, como disse a Mary, eles perderam. Vamos vencer com classe.

A arte é a nossa salvação. Vamos fruir a arte, vamos prestigiar a arte, vamos ensinar nossos filhos a ver arte e, principalmente, a viver de uma forma artística. Não precisa ser artista para fazer isso. Basta aprender a lição de Oscar Wilde e saber que a vida imita a arte (e não o contrário).

 

 

Sejamos ação. Sigamos com a nossa turma, que essa é, e sempre será, a melhor turma.

-Monix-

* Enquanto eu escrevia este post, o grupo foi apagado. Há várias informações chegando ao mesmo tempo, parece que as administradoras estão prestando queixa na delegacia de crimes digitais. Vamos acompanhando.

Posts de ouvir

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Sinatra e Cartola, Lenine e Maysa, ABBA e a Velha Guarda da Portela. Todo mundo se encontra no amor e na dor de sua perda. Em 2011 eu escrevi um post sobre músicas de separação, uma vertente das canções de amor. O post foi um sucesso de público, rendendo muitos comentários com contribuições. Agora, com a advento do Ispotifai, criei uma playlist com as canções citadas no post, as sugeridas pelos leitores e mais um punhado que eu considerei “incontornáveis” (como dizem os franceses).

 

Na verdade, o post anterior foi uma introdução para o que eu tinha em mente, que eram as canções feitas depois do fim e que olham com generosidade e carinho para a história de amor terminada. Uma lista muito mais modesta, mas de canções não menos importantes e belas; também nessa lista incorporei sugestões dos leitores e leitoras. Divirta-se!

Helê

 

Aretha

Na semana passada, a saber da morte de Aretha Franklin eu quis recontar aqui a história de “Respect”, talvez a mais conhecida canção da Rainha e uma de nossas favoritas. Mas não tive tempo e outras pessoas contaram, como a sempre admirável Daniela Abade.

Aí hoje, num momento de procrastinação, eu encontrei esse texto falando da atuação de Aretha junto à comunidade negra e ao movimento pelos direitos civis, e da oferta que ela fez para pagar a fiança de Angela Davis. Se puder, leia o artigo completo; aqui destaco essa frase lapidar:

“I know you got to disturb the peace when you can’t get no peace”. 

RIP and thanks, Mama!

Helê

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