Êxtase

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(Big Jay McNeely (via fotografias incríveis de celebridades)

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(via ◆ COOL PHOTOS ◆ /)
tumblr_mam2zvoIh31qacyauo1_500(via Fotografije / sweet)

Helê

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Anotações para uma biografia musical

Quando eu nasci, há dez mil anos atrás, veio um anjo safado que decretou que eu tava predestinada a ser errada assim. Deus, que é um cara gozador e adora brincadeira, pra me jogar no mundo tinha o mundo inteiro, mas sou natural daqui Rio de Janeiro, sou em quem levo a alegria. Nascida no subúrbio nos melhores dias. Eu era neném, não tinha talco, mamãe passou açúcar em mim. Levava uma vida sossegada, gostava de sombra e água fresca. Seemed that life was so beautiful, magical. Quando fui ferida, vi tudo mudar das verdades que eu sabia. Yesterday came suddenly. Minha casa não é minha e nem é meu esse lugar. A cada  mil lágrimas sai um milágre. Eu sei, serei feliz de novo. Ah, se eu fosse marinheiro, seria doce o meu mar. I’m all about the bass. Em matéria de guarida, espero ainda a minha vez. My friends all drive Porshes, I must make amends. Tenho desejos maiores, eu quero beijos intermináveis. I told you I was trouble. As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender.

Helê

Quando o samba me salva

 

É de manhã cedo, e no primeiro post do dia Maria Bethânia, ao lado de Zeca Pagodinho, pede para buscar quem mora longe. Tiro o olho da tela por um instante e encontro ‘A Vida no Campo’ bem ao lado; momentaneamente parece haver uma relação entre as obras, mas talvez seja só a minha cabeça delirante. Sonho meu. Volto para a tela do lépi tópi. A princípio, Bethânia parece tímida ao lado de Zeca. Ele, indisfarçavelmente feliz, exercita a típica marra carioca: “Agora sou eu e ela!”.  Nas primeiras notas, some qualquer vestígio de timidez e Maricotinha ordena, sensual e dengosa: “Vá buscar quem mora longe, Sonho meu”. Tão bonito ouvir Betânia encontrando entonações surpreendentemente novas nessa canção já antiga; que cena prazerosa vê-la feliz, rodeada de músicos também extasiados com o momento, incluindo Zeca, orgulhoso, totalmente “pinto no lixo”! O maestro Rildo Hora rege tudo com entusiasmo e vigor, as usual. A ternura e o sorriso que o vídeo desencadeia em mim têm raízes fundas: me dou conta de que ouvi muito essa canção na infância; minha mãe tinha o disco, e houve um tempo, senhoras e senhores, em que Bethânia tocava no rádio e era sucesso de execução e vendas. O Gúgol me acode e denuncia minha velhice: o álbum é de 1978. Eu ainda contava a idade com um dígito; tudo desse tempo visto daqui parece feliz. “Sonho meu” encaixa na categoria confort music porque desperta intimidade, reconhecimento, soa familiar – na acepção mais positiva e agradável da palavra.  Reparo que a letra, breve, tem versos simples e belos, como sói acontecer com os sambas de qualidade. A música de Dona Ivone Lara e a poesia de Délcio Carvalho têm ainda um bocado de tristeza – como Vinícius advertiu ser necessário para fazer um samba com beleza. Traz a pureza de um samba sentido, marcado de mágoas de amor. Que, não obstante isso, nos envolve e leva ao movimento, seja com palmas, seja um leve balançar da cabeça ou remexendo as cadeiras. Um samba que mexe com o corpo da gente.  E essa gravação/congraçamento que reúne Santo Amaro e Rio de Janeiro, Recôncavo e Guanabara, a Abelha Rainha e o Rei de Xerém, me deu a alegria necessária (mesmo que não suficiente) para começar o dia e – por que não? – o mês com alguma esperança.

Obrigada, Cláudio Luiz, por postar o vídeo e pelas emoções subsequentes (e por me possibilitar escrever um post musical como eu não fazia há tempos e morria de saudade).

Helê

Mermão

Em inglês se diz brother-in-law; em francês, beau-frère – diferença que sempre achei interessante: o que uma língua determina pela lei a outra define pela beleza. Em português há uma palavra específica, cunhado – que a sabedoria popular diz que não é parente, enfraquecendo um parentesco já meio frouxo. Pois o Laerte foi todos esses e mais alguns. Cariocamente bróder, parceiro na alegria e no perrengue; legalmente cunhado, irmão no amor pela beleza das canções. Por um longo tempo fomos também brothers in arms, unidos numa feliz, debochada e resistente trincheira flamenguista, cercada de alvinegros por todos os lados.

Mas eu e Laerte fomos, somos – e desconfio que seremos sempre – irmãos em notas. Não as monetárias (que a gente não dispensa), mas as musicais, para nós vitais porque nos alimentam, orientam, constituem. No mundo mágico da música estabelecemos um território de entendimento, livre de preconceitos e dogmas: ouvíamos de tudo, gostávamos de muitas coisas e até nos divertíamos com as discordâncias. Não é que a gente goste das mesmas coisas, é que a gente gosta do mesmo jeito. Compartilhamos o mesmo entusiasmo pela canção recém-descoberta, a expectativa pelo próximo álbum, a excitação pela regravação Na trincheirainusitada, a rendição ao verso matador que justifica um disco inteiro. Nossos encontros, que quase sempre começavam com sorriso e abraço festivo na minha chegada, pareciam jam sessions em que a gente ia improvisando, mostrando um ao outro novas aquisições ou clássicos resgatados; nos entendíamos por música e tocávamos de ouvido: sem partitura, marcando o tempo na batida do coração. Gente como Laerte e eu ouve música como quem respira: para viver.

A vida, essa mesma que nos reuniu e nos deu a chance de conviver, sofrer e crescer juntos, também nos apartou. É da vida fazer isso, como a falta é do jogo. Se a gente for esperto aproveita enquanto pode, retém o que precisa, celebra o que permanece. E a nossa fraternidade se mantém porque o que a música (e o Flamengo) uniu nada separa. Então, Lau, nessa data querida  eu quero te desejar os batuques mais potentes, as mais belas melodias, os solos mais surpreendentes, todas as cores do som. Tims, e Bens e tais; para você o que você gosta diariamente: nem mais, nem menos; nem luxo, nem lixo, só beleza pura. Saúde pra gozar no final (no meio e no início também). Desses seus (primeiros) 50 anos eu só posso dizer o que a gente falava nas nossas festas memoráveis, depois que a música certa na hora exata fazia todos dançarem loucamente: pode melhorar – e vai.  Qualquer hora dessas a gente se encontra de novo e faz um som daqueles, mermão.

Helê

Mais da mesma

Lembrei da data, pensei nas imagens e postei para lembrar o inesquecível, que Amy Winewhouse não está mais entre nós. Fui tomar um banho e então as palavras começaram a escorrer na mente; corri para registrar, antes que secassem.

Cinco anos desde sua morte, cinco anos que parecem meses e também cinco décadas, o tempo sempre distorcido pelo filtro da saudade. Lembro exatamente onde estava quando soube da morte dela, quem me avisou, o impacto da confirmação do que se sabia previsível mas, ainda assim, era inaceitável. Porque a Amy é para mim o que foram Elvis, Lennon ou Colbain para outros. Embora eu sinta e lamente a perda de muitos outros nomes, tenho com Amy uma relação toda especial, que inclusive pode ser rastreada neste blogue jurássico: a primeira referência aparece em 2007, e retorna outras tantas vezes, antes e depois de sua morte em 23 de julho de 2011. E acho que voltarei a falar sobre ela, mesmo daqui a muitos anos.05981aefb4fe98dffbadbfc7c3d9c077

Claro que conta o fato de ter acompanhado sua trajetória – seu arco excessivamente dramático, eu diria, se sua vida tivesse sido uma ficção. Mas já tenho tempo de janela suficiente pra ter acompanhado muitos outros talentos; isso não explica tudo, não justifica essa falta que não passa, a sensação de injustiça por ela ter tido tão pouco tempo para existir nesse mundo. Não sei precisar exatamente o porquê da minha ligação com Amy; essas coisas de amor e amizade a gente sente e aceita, agradece e aproveita – mesmo quando dói.

Helê

Missing Amy

Helê

Casais

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(Criative  Silence)

“Chega mais perto, moço bonito
Chega mais perto, meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto,
Mas com você ela é cheia de sol
Molha tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce, é meu sal
Mas quem sou eu nessa vida tão louca?
Mais um palhaço no teu carnaval”

Tema de amor para Gabriela, Tom Jobim

Helê

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