Bi & Hepta

Achou que eu não ir falar do Mengão?

Achou errado, otário!

Foi absolutamente justo e necessário ganhar o campeonato brasileiro no dia seguinte da conquista da Libertadores, pra compensar o tanto de sofrimento que tivemos no sábado. Eu, que pensei que seria banida pra sempre da vida de M., com quem fui ver pela primeira vez um jogo decisivo, estou agora automaticamente escalada para todos dos próximos anos.

A alegria, a glória e o alento que o Flamengo me deu neste fim de semana não cabem em palavras. Recorro então às imagens para eternizar essa narrativa épica – que começou com a dancinha do Nego Ney, lembra?

Alexandre Vidal / Flamengo
Divulgação
Júnior, Gabigol e Pet
(Instagram do Pet)
(Instagram Renê Silva)
Não esqueceremos jamais!

Helê, Flamengo até morrê!

Flamenguista

(Daqui)

Da série Corações

Helê

PS: VAMO FLAMENGO!

Les bleus encore

Achei a foto ótima assim que vi; primeiro, pela plasticidade do gesto, e depois por ser um chefe de Estado despido do protocolo e (in)vestido da paixão de torcedor. O sempre atento Conexão Paris reproduz matéria do Le Perisien que desvenda como foi feita a foto que viralizou, num ambiente supostamente imune a fotógrafos.

Quando escrevi o post-retrospectiva da Copa, eu usei a expressão “Black, blanc, beur” para falar da seleção francesa. Li na matéria da BBC e pareceu adequada para identificar um time de filhos e/ou netos de imigrantes com ascendências africanas diversas. Cheguei a postar uma imagem que detalhava as origens de cada um deles, mas depois apaguei. Fiquei em dúvida, pensando se supervalorizar a afrodescendência de jogadores poderia contribuir para desvalorizar a condição de franceses. Por outro lado, há os quem os querem apenas franceses e nada mais – a rusga entre um comediante americano e o embaixador francês ilustra bem a situação. Para tentar compreender a complexidade do quadro e suas muitas nuances, assista ao excelente Le Bleus – une autre histoire de France 1996-2016. Acompanha todas as tensões, desdobramentos e impasses que uma seleção mutirracial campeã do mundo trouxe para um país que oscila entre o racismo confesso e uma débil tolerância. Está tudo lá, e a final desta copa da Rússia talvez tenha sido a cena final do filme.

Helê

C’est fini, mes amis

*Oui, a Copa chegou ao fim, para meu pesar. Olhando daqui, agora, quatro anos parecem uma eternidade. Mas vai passar rápido à beça em alguns momentos; vai demorar demais em outros tantos. O tempo encolhe e estica de acordo com nosso prazer ou sofrimento – como vimos nas partidas dessa copa do mundo. Então, que chegue ligeiro 2022!

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Guito Moreto/O Globo

*Pelo menos carnaval tem todo ano. #aquelas

*A derrota do Brasil foi o triunfo da coerência. Torci a favor, claro, gostaria de ganhar o título, mas ser campão não ia combinar com esse Brasil derrotado em que estamos vivendo já há tempo demais.

* Nessa copa, filhote esteve mais independente, fez as próprias programações e também esteve mais interessada no futebol em si, para além da seleção brasileira apenas. Vimos juntas nossos programas favoritos, especialmente o Fala Muito, do Lucas Gutierrez, e eu pude ensinar algumas coisas para ela, como o episódio da cabeçada do Zidane e quem é o Higuita, por exemplo. A cara dela vendo aquela defesa foi impagável!

* Fiquei dividida nessa final: a Croácia era a inclinação natural porque a gente curte um underdog – eu e todo mundo na Tijuca, pelo menos. Acho os franceses demasiadamente blasés para futebol (para o que não são?). A manchete de um jornal deles depois da classificação para a final foi: “A França começa a sonhar”. E eu: “Mas só agora, depois da semifinal?! Nós já tamos sonhando com o hexa no Qatar!”

*E se a gente gosta mesmo é de histórias, mais que de futebol ou copa do mundo, a Croácia forneceu enredos, personagens e imagens excelentes. Ensinando a ter respeito e cuidado com quem a gente não conhece. Gente sensata e sabida feito o Simas avisa que não dá para entender a região dos Bálcãs com o binarismo que a internet gosta. E o time nos provou que talento e dedicação férrea podem levar mais longe do que esperamos, derrubando até os fotógrafos no caminho – que nem por isso deixam de cumprir seu dever. Depois de três prorrogações, pênaltis, vencer a semifinal num lance que parecia perdido, empatar a final depois de sofrer um gol, os croatas lembraram que desistir não é uma opção.

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Jonathan Campos/Gazeta do Povo
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Getty Images

*Mas Les Bleus são um grupo de moleques interessante em vários sentidos e me conquistaram no jogo de ontem. Que, a propósito, foi uma final sensacional com diversos lances memoráveis, a começar pelo incomum placar de seis gols. Gol contra, pênalti com VAR, invasão de campo, frango bisonho, chuva torrencial, presidentes quebrando protocolos. Fora os memes, sempre eles. Foi pra deixar a gente com mais saudade ainda da Copa, sua linda.

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Alexei Nikolsky/Sputnik/Pool/AP

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Robert Cianflone – FIFA via Getty Images

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*No fim, venceu o time com mais negros, e é maravilhoso voltar a vê-los protagonistas no futebol. Pogba, Mbappé, Umtiti, Kanté, Matuidi, Mandanda, Kimpembe, Dembélé, Tolisso, N’Zonzi, Sidibé: campeões franceses da Copa do Mundo 2018 na seleção Black, Blanc, Bleur. Para a conservadora França, uma seleção mais difícil de engolir que o Zagallo, mas que eles terão que amar.

37219699_10214876943550850_4531115489971142656_n Dylan Martinez/Reuters

*Foi a copa em que o assédio às mulheres foi considerado um comportamento socialmente condenável pela primeira vez pelos padrões gerais de civilidade. E se a força do feminismo não estava clara, ele literalmente entrou em campo na final. Golaço (mas o mundo precisa ficar de olho em como a Rússia vai tratar as manifestantes do Pussy Riots, que reivindicou a autoria do protesto).

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*Aliás, dona Fifa precisaria rever seus conceitos a respeito da proibição de manifestações políticas nos jogos de futebol, porque, né, 2018, please! Só ela e aquele menino da Globo acreditam que é possível separar essas esferas.

Eu fico por aqui porque, assim como o carnaval, toda a copa um dia chega ao fim. Até a próxima!

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Yuri Cortez/AFP

No twitter alguém reescreveu o protocolo de quem pode tocar na Taça do Mundo:

  • campeões mundiais,
  • chefes de estado
  • mainha

Yeo Moriba levanta a taça ao lado de Pogba e dos irmãos
Felipe Trueba /EPA

Helê

Update irresistível

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GABRIEL BOUYS AFP

Cada país tem o Redentor que merece…

A bandeira da Copa

Seis ativistas e uma ideia simples e genial para denunciar a homofobia em um país onde você pode ser preso se portar a bandeira LGBT. Coragem e criatividade contra a ignorância e a truculência. Para mim, uma das imagens marcantes dessa Copa da Rússia.

Leia mais sobre a iniciativa no site The Hidden Flag.

Helê

Copa do Mundo – tá tendo

Então: aconteceu de novo. A Copa do Mundo correndo solta e euzinha, aquela que só gosta de futebol de quatro em quatro anos, saí do país.

É que, apesar de para nós, brasileiros, isto parecer estranho, o mundo não para por causa do futebol. Os gringos marcam congressos internacionais bem no meio da Copa e não há nada que se possa fazer. Era uma oportunidade que eu não podia perder, que me trouxe experiências incríveis, tanto academicamente quanto no nível pessoal. Então eu fui. Mas no meio do caminho tinha um jogo. E, como eu disse para uma professora sul-coreana que me perguntou “vem cá, não tá rolando uma Copa do Mundo de futebol enquanto estamos aqui?”, para nós, brasileiros, essa competição é um big deal.

Aí que a ideia era só “dar uma olhadinha” no jogo e depois sair para os paineis da manhã. Como se isso fosse possível.

Não sei se vocês sabem, mas aquela senha ixperrta que a gente tem para “multitelar”, como diz a propaganda da TV por assinatura… bem, ela não funciona no exterior.

Então eu e minhas roomates brasileiras acabamos tendo que criar uma gambiarra para conseguir assistir o jogo pelo celular, em um link pirata, em um esquema que, como diria minha orientadora do mestrado, só pode ser classificado como “celular de guerrilha”.

Isso foi no dia do jogo contra a Costa Rica. Imaginem a tensão de ver aqueles dois gols nos acréscimos em um celular precário cujo sinal caía a cada 2 minutos, mais ou menos. (É, os paineis da manhã dançaram e as brasileiras ficaram mesmo foi no dorm assistindo o jogo pelo celular. Os gringos que nos desculpem, mas há momentos em que um valor mais alto se alevanta.)

Voltei para o Brasil no dia do jogo contra a Sérvia. Depois de uma noite sem dormir no avião mais desconfortável do mundo (todos são, eu sei), assisti o jogo com um olho fechado e o outro aberto. Mas cumpri meu dever cívico, isso é o que importa.

Agora é torcer para a seleção do Tite não decepcionar e me deixar pelo menos curtir mais alguns jogos. Vai, Brasil!

-Monix-

Perdón, hermanos

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A madrinha agora torce pelo Brasil 🙂
(enviado pelo Christian Morais, nosso fiel leitor)

Chato mesmo ter que derrotar o México, que tem um carinho enorme pelo nosso futebol desde o tricampeonato conquistado lá…mas faz parte. Vamos em frente, que é vem a Bélgica!

Helê

 

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