Majestosa

É um paradoxo que o aniversário da Helê tenha caído no meio da pandemia, no meio do isolamento social, termo que por si só é uma contradição em termos, e que definitivamente não combina com nossa aniversariante do dia.

Helê é um ser social, um espírito agregador, uma alma solar. Ela é da música, do samba, dos bons drink, da risada escancarada.

Helê é majestosa como na foto aí de baixo, tirada no aniversário do ano passado com duas das nossas melhores amigas-leitoras.

A majestosa aniversariante

Dessa vez não vai ter festa em várias etapas. Vai ter festa guardada, para quando a gente puder finalmente se abraçar apertado novamente. Enquanto isso a gente deixa nosso amor aqui, em forma de comentários. Bora?

-Monix-

Feliz aniversário pra nós!

E para celebrar nós vamos seguir o fluxo quarenter e…fazer uma live!
Passa lá no perfil da Helê ou da Monix e prove que vocês são muitos mais dos que os comentários fazem crer!

Nos vemos lá!

As Duas Fridas

Monix Day – edição 50 anos

Achou que a gente não ia comemorar o aniversário da Otra?

Foto: Martha Twice

Achou errado!

Hoje, mais do que em qualquer outro dos 14 ou 15 Monix Days anteriores, conto com o seu comentário para celebrar a chegada da nossa Hermione na Casa dos 50. Não se reprima, não se reprima: deixe seu comentário, beijo, declaração para confirmar o que a gente já sabe: que o aniversário é dela mas a sorte é nossa de tê-la em nossas vidas!

Viva Monix!

(E Joca, Joana e Calu!)

Helê

PS: Por determinação de mim mesma: declaro que todo aquele e aquela que fizer aniversário durante a quarentena tem direito à comemoração posterior, não cumulativa.

 

Valei-me São Jorge!

“Guerreio é no lombo do meu cavalo
Bala vem mas eu não caio, armadura é a proteção”

Que Jorge guarde todos nós!

Viva São Jorge Guerreiro!

 

Helê

Mulheres do Ano

A história anda de um jeito engraçado, às vezes parece que dá saltos, depois é como se desse um passo para trás antes de dar dois para frente (foi Lênin que disso isso?), e ultimamente tenho tido a impressão de que ela anda para frente e para trás ao mesmo tempo.

Isso porque enquanto vemos retrocessos se escancararem a olhos vistos, por outro lado parece que certas mudanças nos corações e mentes, no zeitgeist da sociedade ocidental, foram se consolidando ao longo de décadas e chegaram a um lugar de onde não voltarão atrás.

Então é assim: passei o dia de hoje vendo maços de rosas sendo vendidos no supermercado e recebendo fotos e vídeos sobre o Dia da Mulher, tanto com mensagens naquele tom condescendente que sempre me irritou quanto numa vibe de empoderamento. Preguiça monumental de tudo isso, tanta que nem ia mais me dar ao trabalho de escrever sobre.

Mas aí minha cunhada feminista (pensando bem, todas são, graças às deusas) mandou um link para um projeto especial da revista Time que realmente me comoveu. A revista refez todas as suas capas de “Homem do Ano”, de 1920 a 2020, apenas com mulheres. São cem destaques para histórias femininas, com imagens lindas que mostram como seriam as capas reais, e breves textos contando os feitos dessas mulheres incríveis.

A mulher do ano de 1938

Parece pouco, mas esse foi um projeto que realmente me comoveu, por mostrar que apesar de todas as dificuldades e silenciamentos as mulheres sempre fizeram parte da história, sempre contribuíram para mudar o mundo, sempre provocaram impacto com suas ações. Só que elas não estavam nas capas das revistas “importantes”. Estavam nas revistas “femininas”, onde se falava de assuntos “menores” (talvez nem sejam, mas isso é outra discussão).

Enfim, neste 8 de março aproveite que é domingo e faça um favor a você mesma: clica no link que está na foto da Frida aí em cima e lê com calma as histórias dessas mulheres notáveis. É o que eu vou fazer.

-Monix-

Resenha momesca

O carnaval, como se sabe, tem um período flexível, variando de folião pra folião (o calendário oficial só vale para autoridades incompetentes e para os que não gostam mas se locupletam). O meu começou em janeiro quando fui ao Palácio do Samba com P.A. para ela matar as saudades da Verde e Rosa e sair às três da manhã com cara de “Mas já?!”.

 

Outro ponto alto foi minha estreia dançando no Tambores de Olokun, essa embaixada informal de Pernambuco no Rio que rende homenagem aos ancestrais, aos orixás e às nações do Maracatu de Baque Virado do Recife. Uma experiência plural que nem cabe neste post, um começo que parece retorno. “Na beira da praia eu vi que o mar não recuou/ no reino de Yemanjá, estrela do mar é flor“.

 

 

O prêmio de Revelação do carnaval vai para o bloco Terreirada Cearense, para o qual fui achando que seria bom mas foi sensacional. Música da melhor qualidade e um colorido espetáculo que trouxe para a Quinta da Boa Vista minhas raízes nordestinas. O Prêmio Personalidade foi a d. Fofa cujo nome não sei, mas tinha 84 anos e pulou na chuva com a gente na Gamboa, saquinho de confete em punho. Depois do bloco dar a volta no quarteirão, perguntava esperançosa: “Será que vai dar mais uma?”

 

A Imagem do Carnaval já está estabelecido que foi a a Mangueira e Leandro Vieira que nos deram. Mas confesso que me emocionei com Elza Deusa Soares (a quem homenageei no Boitatá) e com o enredo/desfile da Viradouro – o campeonato ficou em boas mãos.

Beth Carvalho foi uma ausência sentida, seja no desfile da Manga ou no Cacique de Ramos. Mas também de presença e encontros se faz um carnaval: elegi o Melhor Reencontro o meu com o Escravos da Mauá, de quem posso me separar por um tempo, mas me recebe de braços abertos – um amor sempre correspondido. Parceiro de todos os dias, Claudio Luiz protagonizou a categoria Melhor Coincidência: nos encontramos de preto e vermelho na terça sem ter combinado antes. E ainda pedimos a um rapaz para tirar uma foto nossa e ele estava vestido de…diabo.

 

Bem amigos, encerro aqui esse brevíssimo registro, feito mais para mim e minha memória suíça como um queijo, que depois de algum tempo fica cheia de furos. Como a Ressaca de Carnaval do Olokun foi adiada por causa da chuva, acabou mas ainda tem. Espero rodar a saia mais uma vez antes de guardar a purpurina e a fantasia. Feliz ano novo pra todo munda!

Helê

PS: Melhor Nome de bloco: “Quem me viu, mentiu”. Levarei pra vida.

 

 

Vou beijar-te agora

Se você escreve publicamente, digamos, para um blogue, saiba que tudo que você disser poderá ser usado… a seu favor (pelo menos aqui, nesse nesse boteco família que eu e mi sócia fundamos e mantemos, servindo bem para servir sempre. ;-) ).

Nesta semana, G. me lembrou que estava chegando a época do ano em que a alegria é a regra e revogam-se todas as disposições em contrário, uma lei que eu mesma escrevi aqui há alguns carnavais atrás. Confesso que não lembrava; vivemos tempos difíceis e dias de incerteza e angústia.

Mas os amigos/leitores estão aí para nos lembrar do que escrevemos e no que acreditamos: na alegria, no carnaval, na amizade e que vai passar. Como tudo, como passa o bloco pela rua transformando estranho em amigo, solidão em companhia, realidade em fantasia. Então dá licença que eu vou ganhar a rua, abraçar o carnaval e esperar que ele me beije de volta.

Sem esquecer o conselho de Elke Maravilha: “Não tenha juízo e não se comporte, mas se cuide!”

Bom carnaval pra geral!

Helê

Salve Yemanjá!

Daqui

Odô Yá!

Pra dona do mar nos abençoar (reza)
Pro amor florescer, pro bem imperar (reza)
Reza pra quem não crê
Reza pra conquistar
Reza pra agradecer o dia que vai chegar
Reza pra quem tem fé nas lendas que vêm de lá
Reza pra proteger tudo nesse lugar

Reza – Pretinho da Serrinha

***

Nesse dois de fevereiro, além de saudar Yemanjá, que tal aproveitar para conhecer mais sobre uma página infeliz da nossa história? Totalmente por acaso eu esbarrei nessa bela matéria do Uol, assinada por Carlos Madeiro, sobre um ataque acontecido em 1912: Terreiros atacados, religiosa espancada: o dia sangrento que o país ignora. Poucas horas depois, vi que mestre Simas tuitou sobre o assunto – e ele é sempre referência de responsa nessas questões . Esse episódio do Quebra de 1912 (ou Quebra de Xangô) me fez pensar: 1) na violência atávica da nossa sociedade; 2) que lugares como Maceió nunca aparecem como locus importante para a cultura afro-brasileira, mas desconhecemos a que preço a história foi apagada; e 3) a perseguição aos cultos de origem africana – que se intensifica a cada dia e que Luiz Antônio Simas denomina com propriedade de terrorismo religioso -, vem de longuíssima data. Defender o direito de manifestação dessas religiões, denunciar ataques e intimidações é dever de todos nós brasileiros.

Helê

PS: Leia também matéria sobre o Xangô Rezado Alto, cortejo realizado para lembrar o Quebra e fortalecer as tradições religiosas de matriz africana. 

 

Abededário 2019

Equinócio, primavera

Ela chegou hoje, a Primavera que me faz sentir com mais intensidade e amor o mês de Setembro, justo quando ele começa a se despedir – não sem antes me carimbar uma nova idade, renovar minhas esperanças, rever meus desejos e me impulsionar para luz. Que é minha órbita natural mas há, como se sabe, tropeços, poeira cósmica, meteoros de tamanhos diversos, eclipses e muito imprevisto. Vez por outra, desvio da trajetória, permaneço na sombra mais do que o recomendável, mas é a luz que procuro, dela me alimento e me constituo.

Curiosamente, nesse equinócio eu me percebi entre duas emoções intensas, aquelas provocadas pela recente viagem à Nova York com minha filha (The 15/50ish Tour) e aquelas que projeto e anseio para o aniversário próximo, de 50 anos (and counting). Eu, que já gosto de comemorar, inventar nomes e modas em todo 27 de setembro, me sinto especialmente tocada pela celebração de meio século de vida, a mudança da Casa do Quarenta, a ampulheta do tempo, suas alegrias, alguns temores. Atenta, me percebo nesse hiato de alegrias, um tanto fora da rotina, mas muito presente.

Equinócio, equilíbrio. Libra, livre (como sempre quis), leve (como espero ser).

(Ah, gente, é só isso mesmo, uns pensamentos soltos, umas aliterações pseudo poéticas e nenhuma conclusão. Relevem e colaborem, que fazer 50 anos é potente e bonito, mas não fácil – depois ajudo todos vocês, prometo. )

Helê

PS: Sobre colaborar e inventar moda, eu criei uma playlist colaborativa (e comemorativa) no Spotify, chamada 50 músicas para Helê. Se tiver uma música que você acha que tem a ver comigo, de algum modo, adicione a essa playlist; receberei como um presente 😘)


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