Rio de Janeiro, gosto de você

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Uma alegria de trabalhar em outro município é voltar pra você todos dias, Rio.

Feliz aniversário.

(E o título da Portela é um presente muito apropriado; salve Madureira!)

Helê

Falta

O Facebook oferece diariamente fatias de memória, em geral saborosas porque lá a gente mostra mais o lado A da vida. Há semanas salpicam confetes e serpentinas na minha timeline, registros passados da ofegante epidemia que há muito me contagia e à qual me entrego com fervor, o carnaval. Também tenho sido lembrada de textos que escrevi sobre esse momento, sempre encantado para mim, ora sobre a expectativa e ansiedade de aguardá-lo; ora sobre o deleite e o banzo de tê-lo vivido plena e cariocamente.

Mas não sei se o FB terá algo a mostrar para mim nas próximas edições do túnel do tempo, porque neste ano a centelha ainda não acendeu. Pode ser que ainda aconteça – ano passado eu saí da apatia para a barca de Paquetá atrás do Pérola da Guanabara, me lembra D. E eu tenho um nome a lazer, como se sabe. Mas aquele desejo genuíno e indomável encontrar os amigos, sair à rua e brincar, rir dos outros, do improviso, do imprevisto, da vida, em resumo, não apareceu.

O que falta? Tenho uma forte suspeita relacionada um ingrediente fundamental. As do passado ou não cabem ou estão muito gastas; faltam recursos – financeiros, criativos – para novas. Então acho que isso explica a razão do meu desânimo para o carnaval este ano: estou sem fantasia.

Pun intented.

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Helê

Abecedário 2016

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Ali e Allan Rickman. Bela, recatada e você sabe o resto. Canal Me Poupe, Chimamanda Adichie. Deixa as pessoa, Downton Abbey. Elena Ferrante; Elefant Gun. Formation, #ForçaChape. Gracias, Colômbia; Golpe: teve; Gilmore Girls back. Hino Nacional com Paulinho da Viola. Impeachment. Johnny Hoocker e Elza Soares na Praça Mauá. Kaepernik. Lorrayne Isidoro, Lemonade. Mia Couto e Joel Neto – melhor entrevista; Maroon 5 na Apoteose com Fifi – melhor show. #NiUnaMenos, Nobel pro Dylan. Orlando. Porta-estandarte no Escravos da Mauá, Pote de sorvete e Protesto. Que se foda! (by Cristiano Ronaldo). Rafaela Silva, Rio 2016. Santiago do Chile e São Jorge, por Anderson França. Textão, Central do. Uma dúzia de anos, Usain Bolt. Victor Belart e seus posts precisos. Willy Wonka (Gene Wilder). Zulaikha Patel .

 

Helê

Presente

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(Fonte:  via )

A expectativa no olhar do menino e nas mãozinhas juntas. O sorriso que se pode perceber no adulto, antecipando a alegria que irá provocar. Tudo num cenário muito simples, prestes a se iluminar. E a legenda que gostei imenso, “seconds before hapiness”, segundos antes da felicidade. Que estejamos todos nós do mesmo modo: bem perto dela.

Bom natal pra geral.

Helê

Ora iê iê ô!

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(Menote Cordeiro)

Helê

Mermão

Em inglês se diz brother-in-law; em francês, beau-frère – diferença que sempre achei interessante: o que uma língua determina pela lei a outra define pela beleza. Em português há uma palavra específica, cunhado – que a sabedoria popular diz que não é parente, enfraquecendo um parentesco já meio frouxo. Pois o Laerte foi todos esses e mais alguns. Cariocamente bróder, parceiro na alegria e no perrengue; legalmente cunhado, irmão no amor pela beleza das canções. Por um longo tempo fomos também brothers in arms, unidos numa feliz, debochada e resistente trincheira flamenguista, cercada de alvinegros por todos os lados.

Mas eu e Laerte fomos, somos – e desconfio que seremos sempre – irmãos em notas. Não as monetárias (que a gente não dispensa), mas as musicais, para nós vitais porque nos alimentam, orientam, constituem. No mundo mágico da música estabelecemos um território de entendimento, livre de preconceitos e dogmas: ouvíamos de tudo, gostávamos de muitas coisas e até nos divertíamos com as discordâncias. Não é que a gente goste das mesmas coisas, é que a gente gosta do mesmo jeito. Compartilhamos o mesmo entusiasmo pela canção recém-descoberta, a expectativa pelo próximo álbum, a excitação pela regravação Na trincheirainusitada, a rendição ao verso matador que justifica um disco inteiro. Nossos encontros, que quase sempre começavam com sorriso e abraço festivo na minha chegada, pareciam jam sessions em que a gente ia improvisando, mostrando um ao outro novas aquisições ou clássicos resgatados; nos entendíamos por música e tocávamos de ouvido: sem partitura, marcando o tempo na batida do coração. Gente como Laerte e eu ouve música como quem respira: para viver.

A vida, essa mesma que nos reuniu e nos deu a chance de conviver, sofrer e crescer juntos, também nos apartou. É da vida fazer isso, como a falta é do jogo. Se a gente for esperto aproveita enquanto pode, retém o que precisa, celebra o que permanece. E a nossa fraternidade se mantém porque o que a música (e o Flamengo) uniu nada separa. Então, Lau, nessa data querida  eu quero te desejar os batuques mais potentes, as mais belas melodias, os solos mais surpreendentes, todas as cores do som. Tims, e Bens e tais; para você o que você gosta diariamente: nem mais, nem menos; nem luxo, nem lixo, só beleza pura. Saúde pra gozar no final (no meio e no início também). Desses seus (primeiros) 50 anos eu só posso dizer o que a gente falava nas nossas festas memoráveis, depois que a música certa na hora exata fazia todos dançarem loucamente: pode melhorar – e vai.  Qualquer hora dessas a gente se encontra de novo e faz um som daqueles, mermão.

Helê

Salve Cosme, Damião e Doum! Viva as crianças!

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“Mas minha cabeça é sã
Porque Cosme é meu amigo
E pediu a seu irmão, Damião
Pra reunir a garotada
E proteger meu amanhã, meu amanhã”

Patota de Cosme, Nilson Bastos, Carlos Sena

Helê

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